Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Munique é...

... os Jogos Olímpicos de 1972,


a fábrica da BMW,



a Oktoberfest e os Biergarten,



o Allianz Arena,



o Eisbach no Englischer Garten,



a cidade plana com os Alpes no horizonte,



cultura,



a cidade dos mercados gourmet.



É…muito mais!

Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

Essaouira

A incursão por Essaouira foi atribulada, por conta de uma gastroenterite valente. Não sendo coisa rara por estes lados é sempre uma experiência a esquecer. De qualquer das formas, o organismo, no meu caso, demorou a dar sinais e ainda consegui aproveitar um dia, que deu para conhecer a cidade.
A primeira coisa que se nota quando se chega a Essaouira é que o clima é bem diferente. Depois de alguns dias na tórrida Marrakech e de uma passagem escaldante pelo Atlas, chegámos pelo fresco da noite a Essaouira. Apesar de o clima bem mais ameno, não deixa de ser igualmente desconfortável, devido à alta humidade que aqui se sente, ou não estivéssemos à beira do Atlântico.
Outro aspecto bem distinto em relação a Marrakech – cidade vermelha - é que aqui a cor predominante é o branco, já que os edifícios são caiados.



No século XVI os portugueses construíram aqui um forte, ficando a cidade conhecida como Mogador. Pela sua geografia, a cidade, sempre teve potencial portuário, mantendo actualmente essa vertente. Assistir a azáfama do porto é um espectáculo imperdível, pela sua cor, dinâmica, odor. Tal como toda a cidade, o porto é de uma grande fotogenia.



Um espectáculo a não perder é o sobrevoar constante das gaivotas com o skyline da Medina ao fundo. Apetece ficar ali a observar e a sentir aquela liberdade.

A Medina, toda ela fortificada, tal como a conhecemos actualmente, foi apenas construída no século XVIII por um arquitecto francês. Pelas suas características singulares é património mundial da UNESCO.


Explorar as ruazinhas, os becos e os pátios é essencial. Assim como admirar o colorido e as diferentes configurações das portas e janelas. Bem como, sentir o forte odor e colorido das especiarias que estão expostas ao longo das ruas.

A cidade não deixa de ter o frenesim típico das cidades marroquinas. Aqui os mercados são igualmente uma constante, porém, o ambiente é descontraído e os autóctones são bem mais tranquilos que os primos de Marrakech.
Um aspecto bem exótico é a roupa dos locais. Tanto as mulheres como os homens andam com o tradicional djellaba, que é uma veste longa, larga e de mangas compridas. Sendo que elas, maioritariamente, seguindo a tradição islâmica, cobrem o rosto com um véu, e eles cobrem a cabeça com um tarbouch.


A sul do porto estende-se uma praia urbana, que é seguida de uma longa faixa de outras praias. Ficou por conhecer esta componente, ainda que tenhamos percorrido uma parte da costa atlântica entre Agadir e Essaouira. Sabemos, porém, que a costa de Essaouira tem grande potencial para a prática de windsurf, kitesurf e surf , o que faz que ultimamente seja muito procurada pelos praticantes destas modalidades.

Sábado, Novembro 07, 2009

Essaouira pelo Atlas

Quinta-feira decidimos alugar um carro para ir de Marraquexe a Essaouira, mas escolhendo um percurso bem longo de forma a poder percorrer parte das montanhas do Atlas até desaguarmos, finalmente, nas águas do também nosso Altântico.
Tirando o abusador calor, viagem linda, as cores das montanhas dão azo à flutuação da imaginação, mais a mais porque vão tendo a ajuda das imagens de uns Casbás. Sobe-se, sobe-se, sobe-se, para depois descer-se, descer-se, descer-se. Uh,uh, estamos no deserto e momentos depois estaremos junto ao oceano.
Essaouira, pois.
Como sexta-feira amanheci com uma má disposição incrível (talvez uma quase gastroenterite), a única coisa que conheci de Essaouira foi os bancos de pedra que iam surgindo pelo caminho e que eu rapidamente ocupava para me deitar um pouco. Como ao fim da manhã as tonturas persistiam, desisti dos meus intentos turísticos e recolhi-me à caminha do meu riad para apenas dela sair para ver o por do sol no mar junto aos canhões da fortaleza.



Esperava que no sábado pudesse recuperar o tempo perdido e conhecer tudo o que havia a conhecer. Mas logo a madrugada e dia seguinte haviam de ser passadas a tratar das outras duas que, essas sim, tiveram direito a gastroenterite a sério.
Por isso, mana Sofia, desta não te escapas, e sobre Essaouira, a antiga Mogador, tens de te debruçar tu.

Interlúdio Paisagístico Pelo Atlas



Os Jardins de Marraquexe

Por entre o ocre dos seus edifícios, existem pelo menos dois jardins imperdíveis que rompem esta cor rotineira.
Um mais plácido e discreto, com um edifício à beira de um lago com as montanhas do Atlas a servir de cenário nas suas costas; outro verdadeiramente exuberante nas suas cores e, por isso, inesperado.



Os Jardins de la Menara, apesar da sua imagem ser um postal obrigatório da cidade, estiveram longe de me encher as medidas. À parte uns camelos à entrada para turista montar ou fotografar, parece algo abandonado. Seria bom que pudéssemos ser teletransportados para o local exacto da foto da praxe.

Já o Jardim Majorelle é outra história. Uma história que não se espera encontrar em Marrocos e, talvez, um pouco deslocada, mas uma grata história. Ou talvez não, se pensarmos que Marraquexe – e Marrocos – não estão na moda apenas hoje, mas pelo menos desde a década de 60 e 70 do século passado quando um rol quase infindável de peças da nossa cultura a adoptaram como sua. Daí que criatividade e surpresa não sejam em absoluto de excluir em Marraquexe. Porque é disso que se trata, de um jardim inventado em pleno norte de África. As cores azul e amarelo berrantes ficam, assim, como cores oficiais de Marraquexe no nosso imaginário, a par do omnipresente ocre.







Dormir, Comer e Estar em Marraquexe

E para continuar nos “antros” de bom gosto, umas sugestões de hotel / riad, bar restaurante e sala de estar. Ou tudo misturado, que vai dar no mesmo.
Para passar a noite – e também o dia sem que sintamos isso como um desperdício – a melhor opção é um riad cheio de charme na Medina. Les Jardins de Mouassine (http://www.lesjardinsdemouassine.com/index.html), junto à mesquita de mesmo nome, foi a nossa (acertada) escolha. No primeiro piso fica o lounge e uma pequena banheira para o relaxe do dia turístico pela cidade. No segundo e terceiro piso os quartos, cada um com o seu nome. Neste último, existe um inacreditável terraço, parte exclusiva do nosso quarto, com espreguiçadeiras, bancos e um barzinho (onde é servido o pequeno almoço). Não possui vista para a cidade daí que seja ainda mais difícil imaginar não só o bulício, mas também o emaranhado de edifícios ocre sem interesse de maior que nos rodeiam.



Porque o verdadeiro interesse em Marraquexe está no interior dos seus edifícios, mesmo naqueles perdidos num qualquer beco de uma das suas ruas. Como é o caso do Dar Cherifa (http://darchrifa.blogspot.com), bem pertinho do riad Les Jardins de Mouassine (apesar das inúmeras voltas que demos para lá chegar). Mais um para a lista dos inacreditáveis, mais um edifício que ninguém daria nada por ele. E mais um pleno de carácter, acertadamente transformado em lugar para se estar a ler enquanto se aguarda por uma refeição ligeira. Possui igualmente um terraço onde apetece estar sem ser na hora do calor, e a subida até lá é imperdível para se ter uma real noção do espaço que é característico da arquitectura de Marraquexe.





E para não sairmos dos terraços, eis o Cafe Arabe (http://www.ilove-marrakesh.com/cafearabe/index_en.html), o restaurante e bar da moda. São 3 andares para refeição e copos, com o último a servir de sala de estar perfeita, onde não falta sequer um por do sol, belíssimo como sempre.







A comida e a simpatia marroquina foi omitida neste post. Neste caso, ambiente é tudo.

Os Palácios de Marraquexe



A Madrassa Ben Youssef é talvez o pedaço mais esplendoroso e encantador de Marraquexe. O desalento de não se poder entrar para conhecer as mesquitas da cidade compensa-se com este palácio que a partir do século XIV, e até ao ano de 1962, foi um dos maiores centros de ensino / aprendizagem do Corão. Este espaço grande, mas não tão grande assim que pudesse acolher cerca de 900 alunos, ainda para mais a partilhar apenas uma casa de banho – como chegou a acontecer – é um lugar de sonho. A entrada, depois de voltas e mais voltas deixando os souks para trás, faz-se por um corredor sem graça de maior que não nos prepara de todo para o pátio que nos espera. Uma pequena “piscina” rodeada por umas lindíssimas arcadas rendilhadas na mais pura arte mourisca à qual não faltam uns mosaicos de um bom gosto insuperável. No andar superior, onde ficavam as câmaras dos estudantes, umas janelinhas de encantar, sendo impossível evitar a fotografia da praxe com o visitante à espreita.



Ainda mal refeitas do banho de beleza da Madrassa entramos no edifício vizinho do Museu de Marraquexe certas de que nada mais nos deslumbrará tão intensamente. Pois, mas estes mouros são terríveis e o que nos espera em seguida não faz mais do que despertar em mim uma imensa vontade de voltar ao nosso tão próximo Alhambra. Já nem me lembro bem qual a arte representada no museu, não porque seja despicienda, mas antes por ter no pátio um “adversário” imbatível por memorável. Aqueles sofás obrigam-nos a contemplar mais uma dose de bom gosto de forma relaxada. O mármore do chão, cravado aqui e ali de mosaicos coloridos, de onde vai brotando umas fontes que irradiam tranquilidade, as portas e janelas lindamente trabalhadas que se encontram para lá das colunas quase que nos distraem do enorme candelabro que está sobre nós. Este palácio foi objecto de restauro há não muitos anos, ele que chegou a acolher a primeira escola para meninas da cidade. Temos, pois, que a Madrassa Ben Youssef era para rapazes e o que é hoje o Museu de Marraquexe era para raparigas. Um luxo só, este Marrocos.







Antes, porém, da visita a estes dois edifícios já tínhamos visitado – e admirado – o Palácio Bahia. Os edifícios sucedem-se uns aos outros, separados por uns pátios, até que chegamos a um grande jardim. Ou seja, há que entrar e ir andando para descobrir o que está para lá das portas. E, já agora, não nos limitarmos a olhar os azulejos nas paredes e chão, mas levantar bem a cabeça para observar os tectos em madeira. No fundo, sentidos bem despertos para não perder nada do muito que Marraquexe nos tem para mostrar para além das suas ruas.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Marraquexe



Marraquexe identifica-se imediatamente.
Sem ter elementos naturais na cidade ou à sua volta, como uma montanha, o mar ou um rio, ou elementos arquitectónicos tão singulares como um edifício ou uma ponte que nos digam claramente, sim, estou a reconhecê-la, é Marraquexe, qualquer um chegará à mesma conclusão se se ater a um simples detalhe: a cor.
Concretizando melhor, a cor ocre de todo e qualquer edifício. Seja na Medina ou fora dela, na parte nova da cidade, o tijolo domina nesta cidade surgida no meio do deserto.






Aquela parte de dizer que não havia elementos arquitectónicos que a distinguissem era um bocadinho exagerada. Afinal de contas, a imagem da praça Djemaa El-Fna, simplesmente “a praça”, é mais do que conhecida por todo o mundo. No entanto, a este caso não se aplica o dito “uma imagem vale mais do que mil palavras” por absoluta falta de consonância com a realidade. Aqui acontece de tudo. Mas tudo mesmo. A chamada logo de manhãzinha para a oração desde a vizinha mesquita Koutoubia não nos prepara para a vida que vai aparecendo e acontecendo lá mais para o final do dia. Entre os inúmeros vendedores de laranjas, frutos secos e água a animação é interminável e eclética, mas nunca sem sair do kitsch. Aos muitos encantadores de serpentes (ui… que medo) juntam-se os macacos educadamente sentados ao lado dos seus donos que zelosamente os têm em coleiras, mas os libertam logo que vêem um turista disposto a uma foto. Ao lado estão as senhoras dispostas a desenharem-nos uns riscos árabes no corpo ou a lerem-nos umas cartas. Mais adiante as cantorias, onde há lugar para um senhor cantar e tocar com uma galinha na cabeça. Segue-se o ponto onde se desenrolam tantos jogos quantos os que a nossa imaginação permite, como tentar pescar uma garrafa, chutar uma bola por entre uns pinos, transportar um maço de tabaco de um copo para o outro utilizando uns duvidosamente apropriados longos palitos.



E será todo este circo que rapidamente toma ares de confusão seguro?
Sim senhores, tão seguro como sentar e comer quaisquer petiscos no meio da praça, sejam uns caracóis ou um peixinho, espetadas de carne, beringelas, sopa, o que houver, como o provam a variedade da clientela, desde famílias marroquinas, outros africanos em viagem, jovens surfistas, hippies, casalinhos em lua de mel, casalinhos com filhos, ou uma portuguesa mais entradota com duas filhas trintonas.
Há também a opção – igualmente imperdível – de se jantar num dos terraços com vista para a praça. Aqui entende-se a azáfama da alegria de uma forma mais global, acompanhada pela iluminação das várias tendas lá em baixo.


Então e Marraquexe é só isto, a cor de tijolo e a praça?
Óbvio que não. Mas fica desde já o aviso que não é fácil chegar até aos seus encantos sem algum desconforto.
Comecemos pela escolha do local onde pernoitar. Num hotel / resort na parte nova da cidade ou num riad na Medina?




Claramente, arriscamos mandar o sossego e o conforto para trás e o riad leva a palma. As ruas na Medina são todas intrincadas, estreitas, escuras, podem vir a redundar em becos, mas não especialmente sujas ou mal cheirosas, e durante o dia (pior, noite) em cada canto ouve-se a chamada para a oração. Mas depois – surpresa – de um edifício qualquer, que pode até ser um bocado feioso no seu exterior, surge-nos pela frente uma mansãozinha com um pátio lindíssimo, cheia de pormenores mouriscos e recuperada com um bom gosto superior. Podemos ficar instalados no 3.º andar e não há elevador. Podemos ficar todas pegajosas de suor e não há piscina. Podemos querer jantar e não há se não a solução de procurar um restaurante ou ir à praça. Mas e então? Ambiente é tudo.




Quem vem de fora da Medina vem, talvez, procurar antes de mais os souqs, os mercados. São ruas e mais ruas com lojas e/ou tendas que vendem de tudo um pouco e onde, dizem, o regateio é uma arte. Vou directa ao assunto: se para a maior parte das pessoas é uma chatice dormir na Medina, para mim permanecer mais do que 2 minutos parada num souq é um desconforto e aborrecimento superlativo. Sim, gosto de andar de um lado para o outro a ver e sentir o bulício das negociações, perder-me como qualquer não nativo, olhar de vez em quando para uma montra. Não, não suporto ver mais do que 2 vezes as mesmas tralhas, os preços iniciais das quinquilharias mais caros do que na Feira de Artesanato de Lisboa, a pressão dos vendedores para que entremos apenas na sua simpática loja. (E aqui vem uma comparação inevitável: na Turquia consegui visitar o grande bazar e não trazer de lá nada, por isso não há grande espanto que em Marraquexe tenha logrado a mesma proeza. Mas na Turquia a simpatia dos vendedores era autêntica. Em Marraquexe, e como dizia o outro, há que dizê-lo com frontalidade, os vendedores raiam o ordinário. Começam com a técnica do entre só para ver o meu espaço, entre só para ver como executo a minha arte, não precisa de comprar nada. Mas depois, quando damos meia volta sem nada nas mãos, vem o filha da p…, vai-te f… Não aconteceu apenas uma vez, logo, permito-me concluir que não é um procedimento raro. Houve ainda outras situações aborrecidas de miúdos que insistiam em levar-nos até um determinado ponto achando que estávamos perdidas e nos queríamos encontrar. Não obstante a nossa insistência para prescindir da companhia, mais uma vez, a principio só bondade e bem receber, chegadas ao destino dá cá isto e mais isto e, quando não demos, vai para ali e mais acolá. Infelizmente não fiquei com a melhor das impressões de todos os marraquexinos.)




Eis por que referia não ser fácil chegar até aos encantos de Marraquexe sem algum desconforto – o de muitos que não apreciam ficar num riad na Medina e o meu que não aprecio ir de compras para os souqs.

Mas, tirando as compras nos mercados, Marraquexe valerá a pena para todos pela Mesquita Madrassa Ben Youssef, pelo Palácio Bahia, pelo Museu de Marraquexe, pelos Túmulos Saadianos e, fora da Medina, pelos Jardins Majorelle e pelos Jardins de la Menara. Todos os edifícios acima referidos na Medina são absolutamente discretos e sem graça no seu exterior, havendo que dar umas quantas voltinhas para a frente e para trás até os encontrarmos pelo meio das ruelas. Todavia, o seu interior de pormenores e motivos ornamentais e decorativos arabescos valem qualquer viagem mesmo que fosse necessário dar a volta ao mundo para se lá chegar. Como somos portugueses e falamos de Marrocos… sem desculpa.


Terça-feira, Outubro 06, 2009

Au Revoir Simone

Ontem, numa noite chuvosa, contrariando o que lhes foi dito, muita gente saiu de casa para ir ver e ouvir as três meninas do bairro culturalmente mais efervescente de Nova Iorque, Brooklyn.



E acredito que ninguém tenha ficado desiludido, já que as Au Revoir Simone brindaram-nos com as suas músicas indie pop suaves e belas.
No final, ao som de Dark Halls, convidaram o público a subir ao palco para encerrarem o espectáculo a dançar. Para delírio de quem assistia e atordoamento dos seguranças.



Esta atitude veio reforçar a ideia que ficou durante o espectáculo, onde a humildade e simpatia reinaram. Não contentes estenderam a boa disposição e a entrega para uma sessão de autógrafos e convívio completamente informal no átrio da Aula Magna.
Uma palavra. Cativante.
Au revoir e até breve.

Domingo, Outubro 04, 2009

A Voz

Si se calla el cantor calla la vida
porque la vida, la vida misma es todo un canto
si se calla el cantor, muere de espanto
la esperanza, la luz y la alegría.

Si se calla el cantor se quedan solos
los humildes gorriones de los diarios,
los obreros del puerto se persignan
quién habrá de luchar por su salario.

composto por Horacio Guarany, cantado por Mercedes Sosa



Infelizmente esta semana não trouxe só boas notícias para a América Latina.
A sua maior voz calou-se para sempre hoje em Buenos Aires.
À parte a possibilidade de ouvir a qualquer momento as gravações deixadas por Mercedes, cantando o que os mais inspirados compositores do mundo escreveram, ficará para sempre a recordação da felicidade de ter ouvido a sua voz poderosa a sair do seu corpo pequeno na Aula Magna, no ano 2000.
Gracias a la vida (e a Violeta Parra).



Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Rio 2016

O Rio de Janeiro ganhou a organização dos Jogos Olímpicos de 2016.
Trocando por miúdos, a cidade mais emocionante do planeta vai receber o evento mais emocionante do planeta.
Não consigo imaginar como poderá o Rio ficar ainda mais lindo e emotivo.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Berlengas

Um passeio de um dia às Berlengas só não se torna num dia perfeito pelo simples pormenor, mas impossível de negligenciar, de que o “pacote” vem acompanhado de um tormentoso trajecto de barco de cerca de 45 minutos para lá e mais 45 minutos para cá. Diz quem sabe que os primeiros 45 minutos são os piores, como que a dizer que não há paraíso sem se passar previamente pelo inferno e, então, na ausência dos comprimidos não restou outra solução se não fechar bem os olhos e fazer de conta que o saquinho que a tripulação nos dá logo de entrada é mesmo para o lixo que não se deve deixar na ilha, e não para a consequênciazinha do mítico enjoo.
A última (e única?) vez que tinha estado na pequena ilha foi seguramente há bem mais de 20 anos. Só me lembrava, pois, daquela subida bem pronunciada que nos espera logo à entrada. Mas porque que é que não tinha claro na memória aquela transparência intensa das suas águas?
Um dia nas Berlengas dá apenas para caminhar um pouco até ao pitoresco forte (mais água de cores de sonho), apanhar um barquinho conduzido por um daqueles artolas que se gaba de só trabalhar nos meses de Verão e que nos conta umas histórias muito duvidosas acerca das grutas por onde vamos passando e, por fim, tentar estender a toalha na praia mínima junto ao porto. Aqui, debaixo do sol, vamos ganhando coragem para entrar na água gélida e, após a missão ser superada, ganhamos ainda mais coragem para imitar os miúdos e saltarmos como eles da prancha rumo à água transparente.





Um fim-de-semana nas Berlengas será talvez o ideal. Mas, agora que a residencial no Forte São João Baptista foi fechada pela ASAE (diz que devido à pouca qualidade da água doce) a única solução para passar a noite é acampar no parque de campismo. E a ver pela sujidade das tendas que por lá estavam e os berros esganiçados das gaivotas, acredito que seja isso mesmo: passar a noite, porque dormir deve ser difícil.
Mas, pensando bem, quem quererá dormir numa ilhota quase exclusiva, com uma fauna e flora apelativas, com aquela imensidão de céu bem estrelado (assim o imagino) a rodear aquele pedacinho de terra cravado no imenso Oceano Atlântico?

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Geysir

Algo do género no nosso país só mesmo isto


Vulcões de água - Parque das Nações

É engraçado. Mesmo surpreendente. Tem encanto. É até uma delícia observá-lo. No entanto é uma obra, ainda que notável, meramente humana.
Em contraponto, na Islândia, existe um fenómeno que pouco tem origem na acção antrópica. Aí estão concentrados muitas das manifestações naturais existentes no planeta, responsabilidade da sua imensa actividade vulcânica e sísmica, ou não fosse o país situar-se entre a placa americana e a euroasiática.
Um dos fenómenos mais espectaculares, estrondosos, surpreendentes e viciantes de admirar é o geysir. O nome Geysir, vem do mais antigo registo de erupção de águas quentes, que ocorreu no vale de Haukadalur, na Islândia. Desde aí a palavra geysir caracteriza todos os fenómenos de jorramento de águas quentes.
O Geysir (o original) deixou de funcionar mas felizmente ao lado, igualmente no campo geotérmico de Haukadalur, funciona o Strokkur, o geysir, actualmente, mais espectacular em actividade na Islândia. De 4 a 8 minutos dá-se uma erupção de água a ferver a uma altura que pode chegar aos 23 metros.



O Strokkur está em actividade desde 1789, depois de um terramoto que desbloqueou o sistema do geysir. Esteve em actividade até 1896, quando um novo terramoto bloqueou o geysir. Desde 1963 até actualmente foi de novo desbloqueado e encontra-se em actividade.
Observar o Strokkur é um espectáculo. Desde a expectativa do momento de explosão, que é vivido ansiosamente a olhar para o buraco por onde a água é expelida e que no tempo que intermedeia a explosões é um borbulhar constante;


o inicio da erupção que tem um efeito magnifico, em que a água ganha uma tonalidade mágica;


a erupção que, ainda que seja o momento mais esperado, é surpreendente e causa mesmo emoção; até, por fim, o efeito de bruma que fica na atmosfera devido à diferença de temperaturas da água, que chega a atingir os 120º C, e a temperatura atmosférica.



Quando se está a fotografar o fenómeno a ansiedade da espera é ainda mais vivida porque cada etapa tem o seu momento, que tem tanto de lindo como de fugaz. Mas quem resiste a documentar este momento?Já sem máquina fotográfica em punho, observei mais descansadamente, mas sempre com uma pontinha de ansiedade, o geysir Strokkur diversas vezes e de vários ângulos, sem haver qualquer enfado. Tudo é tão deslumbrante e inusitado que consegue-se ficar horas a fio a observar esta magia da natureza.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Mývatn e Krafla



Esta é uma das zonas mais nobres do país, no nordeste, perto de Akureyri e do Parque Jókulsárgljúfur (com a sua Dettifoss e o Canyon de Ásbyrgi), daí que 10 em cada 10 turistas caiam lá. Se o “Círculo Dourado” da Gullfoss, do Geysir e de Pingvellir, bem juntinhos da capital Reykjavik levam quase todas as atenções com o título de maiores atracções da Islândia, depois de conhecer estes dois circuitos ficamos com a certeza do tanto que vale a pena percorrer uma imensidão de kms até este nordeste para ver quem deveria levar a taça (já deu para ver que Gullfoss e Pingvellir – o Geysir é outra história – não nos encheu as medidas).
Mývatn é o nome do lago, mas toda a zona que o circunda é conhecida pelo mesmo nome. É como um grande parque de diversões. Aqui parecem existir quase todos os fenómenos naturais, e nem se sente a falta das omnipresentes quedas de água e glaciares pois esses há-os por quase toda a Islândia.
Lagos, pseudo-crateras, crateras reais – tanto de areia preta como de água azul –, vulcões ainda activos, campos de lava com formas esquisitas, montanhas de cor pastel, vapores emergindo da terra e, para concorrer com a grande estrela do sul, a sua muito própria lagoa azul.


Tudo o que vemos hoje, com estas características muito especiais, deve-se a uma série de acontecimentos vulcânicos. Mesmo hoje, com o Krafla ainda em actividade, a paisagem arrisca-se a mudar uma vez mais, e a possibilidade de a lava tudo invadir é bem real.

Voltando ao Myvatn, a melhor opção é usar o carro para dar a volta ao lago – cerca de 36km de estrada – e ir parando para umas caminhadas nas inúmeras atracções que vão aparecendo.


Primeira paragem para quem vem de Akureyri: Skútustadagígar e as suas pseudo-crateras que aparecem no meio do lago e vão formando elegantes ilhotas. Este fenómeno natural surgiu após a lava ter escorrido para a água e daí terem sucedido explosões donde resultaram estas pequenas crateras. É um bonito passeio de cerca de uma hora, contornando umas crateras e subindo sem esforço a outras.


Um pouco mais adiante encontramos o campo de lava de Dimmuborgir com as suas estranhas formações, arcos, caves e várias opções de trilhos, um dos quais leva-nos até à cratera do Hverfell.


A subida a esta cratera é um pouco mais cansativa, afinal fica a 463m de altura e depois de chegarmos ao topo é imprescindível fazer todo o seu percurso circular de cerca de 1000m, olhando para dentro e vendo a aridez da sua areia escuríssima, um interessante contraste com a paisagem fabulosa de 360º que nos é dada a ver de todo o lago.




Saindo do Mývatn em direcção ao Krafla e após passarmos por algumas fissuras na terra com água quentíssima, uma delas numa cave, e pela Lagoa Azul aqui do sítio – sem nunca nos esquecermos que esta é uma área geotermal natural – chegamos a Námafjall.
A montanha Námafjall e sua encosta Hverir, que aparecem de surpresa após uma curva em descida na Ring Road (o Námaskaro Pass), provocam-nos mais um espanto e encanto com os seus tons pastel. Mais uma boa caminhada (e será dura se se subir ao Námafjall) onde o único incómodo é o cheirete a enxofre da actividade sulfurosa das fumarolas que vão produzindo bolinhas desde a terra, deixando uma nuvem intensa e húmida à nossa passagem.





Chegando ao Krafla, a verdadeira atracção não é a montanha de mesmo nome, de 818m, ainda em actividade. Muito menos a estação de energia geotermal e suas turbinas. O que surpreende é vermos mais um campo de lava, imenso e passível de crescer ainda mais com novas erupções que, teme-se, poderão estar para breve. O contraste da lava seca e negra com as montanhas e o chão colorido de Leirhnjúkur, com mais bolinhas e bolinhas a saírem da terra a escaldar, e as ovelhas que por ali vão pastando faz-nos duvidar se estaremos a sonhar.




Um pouco mais à frente, a cratera Stóra-Viti dá-nos a certeza de que estas não são paisagens reais. Com a subida ao topo, não muito cansativa, para além de ficarmos com uma noção clara da região do Krafla e da destruição que este foi provocando ao longo do tempo, surpreendemo-nos – uma vez mais – com a água de um azul intenso dentro da cratera. Provavelmente a sua água será quente, mas dará para nadar? Diz quem sabe que a cratera do Viti, no interior da ilha, também tem água azul e quente e é uma das maiores experiências que se pode ter na vida – nadar nesse vulcão. Não confundir, no entanto, a cratera Viti com a cratera Stóra Viti, no Krafla.
Pronto, lá teremos de voltar à Islândia para completar os trabalhos que não chegaram a ser realizados.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Glaciares e Mais Glaciares



Mýrdalsjokull, Sólheimajokull, Svinafellsjokull, Skaftafellsjokull, Vatnajokull.
O que liga todas estas palavras? Para além da dificuldade em pronunciá-las (e decorá-las), é mesmo a sua parte final “jokull”, ou seja, e para facilitar a coisa, simplesmente “glaciar”. Estes ficam todos no sul da Islândia, mas podemos ainda acrescentar à lista o Snaefellsjokull (o da Viagem ao Centro da Terra de Júlio Verne), no leste, o Langjokull (no vale de Kaldidalur), mais ou menos no centro e o mais perto de Reykjavik, ou o Drangajokull (o único que não vislumbrámos), bem a norte, nos Fiordes Orientais.
Traçado o cenário, é bom de ver que o difícil é não depararmos com um glaciar na Islândia, afinal de contas eles cobrem cerca de 15% do país e têm influência na paisagem islandesa que nos chegou até hoje, nomeadamente na criação dos vales glaciares e dos fiordes. Numa viagem pelo sul, então, eles vão-nos acompanhando na nossa jornada de carro ao longo da Ring Road, muitas vezes a poucos metros de distância. Mesmo com toda esta familiaridade com o branco vivo do gelo, não nos cansamos de os ver e, pode dizer-se, o auge é a chegada à Jokulsárlón (lón=lagoa).





Nesta lagoa vão boiando calmamente os icebergs que se vão desprendendo a todo o momento dos glaciares ali por perto, para depois de derreterem seguirem a sua viagem rumo ao mar. Estes pedaços de gelo, por entre os quais vão nadando deliciosas focas, tomam formas únicas, custa até a acreditar que alguns não tenham sido propositadamente esculpidos por mãos humanas. A lagoa é verdadeiramente fotogénica, só assim se justifica que com o dia horroroso que se vivia quando por lá passámos as fotos ainda consigam mostrar a beleza do lugar. As cores claríssimas dos icebergs ajudam, é certo.

Quanto ao Vatnajokull é que não houve ajuda possível. Mal dava para ver qualquer pessoa a mais de um metro do nosso nariz, mas ainda assim insistimos em metermo-nos numa viagem organizada e subimos até ao centro de apoio (só os jipes passam nesta estrada) para um passeio de skidoo (a mota que anda nos glaciares). Justificação: marcar presença no maior glaciar da Islândia (e o 2.º maior em área da Europa), o 3.º maior ”ice cap” do mundo ou o 1.º maior sem contar com os existentes nos pólos (um “ice cap” é uma massa de gelo perpétua no topo de uma montanha).
Para se compreender melhor a dimensão deste glaciar resuma-se a coisa ao seguinte: ocupa 8% de todo o território islandês, distribuído por belos 8100 km2 – assim o imaginamos porque o nevoeiro não permitiu confirmar. Logo, o passeio de mota pelo topo do Vatnajokull serviu apenas para gastar um bom dinheirão para andar numa mota sem rodas, antes com um género de esquis (o skidoo).









Melhor empregue foi o $ e o tempo pela aventura no glaciar Svinafellsjokull. Depois de devidamente equipadas, com crapons e martelinho para agarrar bem o gelo, partimos em excursão organizada por uma caminhada naquele glaciar, melhor opção do que o Sólheimajokull (uma língua do Mýrdalsjokull) por este último ser mais escuro, isto é, “sujo”, conforme conselho da portuguesinha da Icelandic Mountain Guides. (Curioso como pode não se encontrar turistas portugueses nos cantos mais remotos do mundo, mas pelo menos um trabalhador encontra-se sempre)
Ainda assim, o Svinafellsjokull também é escuro em muitas das partes onde os iniciantes fazem a sua caminhada. Apesar de retirar algum encanto ao azul intenso que normalmente nos vem à ideia quando pensamos em glaciar, esta situação é absolutamente normal e deve-se aos sedimentos que se vão soltando da terra quando o glaciar a invade. Ao retrair-se traz consigo estes sedimentos. Todavia, encontramos ainda muitas crevasses (fendas naturais que são abertas nos glaciares), mais ou menos largas, mais ou menos profundas, mais ou menos de um azul cristalino que nos faz sonhar. Ao mesmo tempo, este é um dos grandes perigos para quem se aventura em andar por cima do glaciar, poder escorregar e cair num buraco do qual se poderá não conseguir sair. E com tantos glaciares mesmo ali juntinho à estrada, sem esforço de maior para os alcançar, há que ter cuidados redobrados com as aventuras. Sair da estrada rumo à beira do glaciar, sim, mas não cair na tentação de o subir sem equipamento e acompanhamento adequado. O que até nem é muito difícil pois só vê-los ali de perto já nos enche as medidas.


Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Blue Lagoon

Quando nos aproximamos é difícil acreditar no cenário que se vislumbra. Tem tanto de irreal como de espectacular.
Falamos da Blue Lagoon, um spa geotermal, que é uma das maiores atracções da Islândia e fica localizado em Grindavik, na Península de Reykjanes, a cerca de 40 km da capital.
A lagoa foi criada por um acidente em 1970, quando a vizinha instalação geotermal Svartsengi começou a descarregar águas ricas em sal, algas e sílica. Essas águas, de um azul inacreditável, ocuparam os campos de lava preta da envolvente. O resultado é um cenário de outro planeta, composto por um spa de água azul esbranquiçada, alimentada pela vizinha instalação geotermal, donde saem nuvens de vapor, ao qual se junta o vapor que resulta da diferença da temperatura da água, que é muito quente, à volta dos 38º C, e a temperatura ambiente, que é sempre inferior.





A isto junta-se ainda um ambiente natural rodeado de lava preta que contrasta fortemente com o azul da água, assim como um equilíbrio arquitectónico de todo o espaço, que para além da lagoa - que tem à sua volta elegantes decks de madeira, uma queda de água quente artificial, que proprorciona massagens revigorante, dois espaços de vapor e uma sauna-, tem uma série de edifícios de apoio, que incluem alojamento, restaurante, clínica, salas de conferências, loja.
Impressionante.





Igualmente relaxante e terapêutico. As águas quentes são ricas em minerais como a sílica, o que faz com que a Blue Lagoon para além da vertente de lazer, tenha reputação terapêutica para pessoas que sofrem de doenças de pele, nomeadamente a psoríase.
E também romântico. Pois é... 75% das mulheres inglesas que visitam a Blue Lagoon consideram que este é o local perfeito para serem pedidas em casamento...
Ainda que não seja económico desfrutar deste espaço, recomenda-se vivamente uma visita à Blue Lagoon. Depois de dias a percorrer o país de lés a lés e antes de nos despedirmos da Islândia é de aproveitar - a Blue Lagoon fica nas proximidade do aeroporto de Keflavik - para retemperar energias e oferecermo-nos esta experiência única e relaxante, que fecha com chave de ouro a viagem.

Landmannalaugar

Landmannalaugar ficará na nossa memória como uma das viagens de carro mais caras de sempre. A história conta-se rapidamente e em poucas palavras. Na Islândia há estradas de montanha, as F-Roads, nas quais somos avisadas por um autocolante no veículo que o seguro exclui-se a qualquer responsabilidade por danos aí existentes, sem dizer que a condução em veículos sem ser 4x4 é proibida nestes locais. Na entrega do carro nos escritórios somos depois informadas de que há uma multa de cerca de 500 Euros para pagar por o carro ter sido apanhado naquelas estradas pelo “rescue team do 112” e ficamos a pensar se no norte bem formado e incorruptível também não haverão fulanos supostamente a trabalhar para o Estado e paralelamente a fazer reports para as companhias privadas de rent a car. O certo é que o pagamento da multa já lá vai (cartão de crédito assim o permite) e a contestação mantém-se a caminho.
Por isso, a pergunta que se impõe: ao menos valeu a pena a multa? SIM.
E um conselho a qualquer viajante na Islândia: não deixe de alugar um veículo 4x4 para ir até Landmannalaugar, sim, para ir ao vale de Kaldidalur (neste ninguém nos apanhou), e para ir a todos os locais remotos que nos aproximam dos cenários mais incríveis e irreais.
Um esclarecimento e uma justificação, porém. As F-Roads por onde andámos eram todas perfeitamente transitáveis pelo nosso Suzuki Swift nesta altura do ano. Acreditamos que com neve e chuva se tornem difíceis e perigosas de conduzir – não era manifestamente o caso, e estradas ditas normais há que se encontram em muito piores condições do que os troços por nós utilizados. Apenas uma experiência lamentável que consideramos abusiva por parte da National Rent a Car.









Voltando a Landmannalaugar, a jornada é demorada, mas o cenário que vai sendo atravessado mantém-nos bem despertos. O preto da terra – terra de lava – com os vulcões, crateras e montanhas nevadas à sua volta não nos prepara para os coloridos que veremos mais à frente. Lagos de um azul idílico, montanhas pintalgadas aqui e ali do branco da neve e do verde da escassa vegetação, mas onde a cor dominante parece ser o arco-íris inteiro, tantas são as cores aqui representadas.









O riolito, um mineral, é o responsável por toda esta paleta de cores.
Do centro de Landmannalaugar, que pouco mais tem do que um apoio ao camping, saem inúmeras possibilidades de trekkings. Inclusive aquele que nos leva até Pórsmork – são cerca de 55 km a percorrer em 4 dias num trek que é considerado um dos melhores do mundo.
Infelizmente não passamos mais do que umas três / quatro horas por aqui, daí que apenas tenhamos caminhado junto aos montes Bláhnúkur e Brennisteinsalda, sem ter subido a este último. Pudemos, no entanto, admirar toda a beleza multicolorida deste cenário que mais parece um quadro tornado obra de arte. Junto às montanhas coloridas encontramos cavalinhos islandeses, pequenos riachos que vão passando entre a lava petrificada, vapores a sair da terra com cheiro a enxofre.
Esta é também uma zona geotermal e para tornar ainda mais apelativo todo este ambiente não faltam sequer umas piscinas naturais com água bem quente, a contrastar com o frio que se fazia sentir cá fora. Escusado será dizer que a Sofia não perdeu a oportunidade de picar o ponto nesta actividade, e ainda mais escusado será dizer que aproveitei a desculpa de ter de lhe segurar as roupinhas e tirar as fotos da praxe para me baldar à banhoca. Mais uma experiência vivida pela metade à conta da sempre presente preguiça (velhice?).



Ásbyrgi

Outro Canyon, outra deslumbrante e inesperada surpresa. Como se já não bastasse o Parque Nacional Jókulsárgljúfur acolher quedas de água poderosíssimas (Dettifoss à cabeça), inacreditáveis formações rochosas de basalto (Hljodaklettar) e infindáveis trilhos para caminhar, também este luxuriante Canyon marca presença, tornando obrigatória uma visita a este Parque Nacional. No entanto, verdadeiramente remoto e com acessos nada simpáticos, não se vêem assim tantos turistas por aqui.
Este Canyon de Ásbyrgi tem várias teorias sobre a sua criação, umas influenciadas pela mitologia norse, outras mais terrenas dos cientistas que defendem que foi após uma erupção de um vulcão donde resultou a inundação do rio JoKulsá á Fjollum que surgiu esta maravilha, em forma de U, de cerca de 3,5 km de extensão por 1 km de largura de vegetação intensa rodeada por um muro natural que chega a atingir 100 metros de altura.



Da estrada a caminho de Ásbyrgi já se consegue perceber a imponência do Canyon e espera-se mais deslumbre quando lá entramos. Mas, mais uma vez, a surpresa marca presença e não se previa, ainda que usando de toda a imaginação, que junto às brutais paredes de rocha do Canyon houvesse um recanto de tranquilidade, cortesia de todo o bom gosto da mãe Natureza, com um laguinho de água transparente. Desta vez não há fotografias que façam justiça ao lugar. Teremos que nos ficar pela saúde das nossas mentes.

Fjarðrárgljúfur

Conhecido como “a garganta da Islândia”, este Canyon perdido no sul da ilha entre o Skaftafell e Landmannalaugar – o que não quer dizer que fique a curta distância quer de um quer de outro – alcança-se através da Laki Road.
Na minha modestíssima opinião este Canyon leva o prémio nada modesto da mais surpreendente paisagem da Islândia (e são tantas!). Talvez por isso mesmo, por ser uma surpresa encontrar-se perto de um campo de lava uma fenda na terra de cerca de 2km de comprimento e uns bons 50 metros de altura nos pontos mais altos, numa combinação do verde mais vivo com o preto mais forte da rocha, sem esquecer a água cristalina lá bem em baixo. É preciso alguma coragem para nos aproximarmos dos penhascos enormes que nos fazem contemplar o Rio Fjadra como se estivéssemos num verdadeiro precipício. Mas vale a pena um passinho mais, assim como valeu a pena percorrermos toda a parte superior do Canyon, nós que tínhamos como objectivo inicial ver só como era a coisa. Se o nome é praticamente impossível de pronunciar e de memorizar, a lembrança da imagem essa ficará para sempre nas nossas mentes, com a feliz ajuda das fotos.

Top 3 Islandês

Curiosamente ou não, os lugares que mais me encantaram na Islândia não vêm em todos os guias ou brochuras com os destinos a não perder. A grande razão é, certamente, o facto de nem sempre serem muito acessíveis. Ou, pelo menos, com um acesso minimamente confortável.

Para Landmannalaugar tem de ser utilizada uma de duas F-roads – uma péssima e outra desaconselhada a veículos que não sejam 4x4. Para além de serem cerca de duas horas de caminho desde o sítio mais vagamente parecido com qualquer coisa como lugar com casas. E pessoas.

Ásbyrgi, no Parque Nacional Jókulsárgljúfur fica no nordeste islandês, quase quase no Círculo Árctico, lá para perto do fim do mundo. Para se lá chegar tem de se ultrapassar um verdadeiro tormento com uma estrada cheia de gravilha com o carro aos saltos e repelões durante cerca de uma hora e meia. Isto na estrada que não é F-Road, a que fica no lado leste do Canyon, porque a outra é exclusiva para os 4x4, o que, tendo visto a “nossa estrada” torna inacreditável que a outra, sendo pior, possa permitir a passagem de qualquer coisa para além de carneiros e elfos.

Resta, então, neste muito pessoal top 3, Fjarðrárgljúfur o único destes locais facilmente acessível, mas nem por isso muito documentado e recomendado. Não sei se isso será uma sorte ou um azar. Para nós, que estávamos fartas de olhar para o mapa dos locais de montanha e do interior da ilha e depararmo-nos invariavelmente com as estúpidas das F-Roads para 4x4, acabou por ser um quase milagre virmos dar aqui, ao paraíso mesmo à mão se semear. E o paraíso é fácil de descobrir – este Canyon de Fjarðrárgljúfur esta mesmo no começo da estrada rumo ao Laki, para não variar outro destino que razões técnicas nos impediram de alcançar.

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Icelandic Foss - Quedas de Água

Na Islândia há sempre uma queda de água por perto. De tal forma que muitas delas, a maioria mesmo, ignoradas pelo escaparate turístico local, noutro país, sem a quantidade e diversidade ali presente, teriam potencial para serem uma grande atracção turística.
Um clima marcado por chuva e neve frequente, assim como uma geografia influenciada pela proximidade do Árctico, onde se verifica uma forte presença de glaciares, que com o degelo do Verão dão origem a diversos rios, que associados a uma topografia irregular originam a forte presença destas formações geológicas espectaculares.
Das muitas, sem nenhuma ordem especial, pois todas têm um encanto especial, destacam-se as seguintes:

Dettifoss. No nordeste da ilha, inserida no Parque Nacional Jökulsárgljúfur e situada no rio Jökulsá á Fjöllum, o segundo maior da Islândia e que nasce no glaciar Vatnajökull, encontra-se a maior queda de água da Europa em termos de volume de água (cerca de 200 m3). É brutal a potência ali presente, de tal forma que a um quilómetro de distância consegue-se visualizar o vapor emanado. Tem 44m de altura e 100 m de largura e condensa todo o poder, por vezes assustador, da natureza.


A montante do mesmo rio encontra-se Selfoss. Estas quedas, com 11 m de altura, desenvolvem-se ao longo da parede oeste do canyon do rio Jökulsá á Fjöllum. A longa extensão desta queda é o que a mais caracteriza.


A jusante da Dettifoss o rio passa através de uma garganta apertada até chegar a um forte abismo de 27 m, que originou a Hafragilsfoss. Esta queda tem ao seu redor uma lage de basalto lisa assim como um pedaço de água de um azul inacreditável, resultado da grande concentração de minerais, o que faz com que o seu enquadramento seja espectacular.


Gullfoss, em português queda de ouro. Situada no sudoeste da Islândia, no curso do rio Hvítá, é uma das maiores atracções do país. Esta dupla queda de água tem dois níveis e cai para uma assustadora e abrupta fenda de 32 m. A espectularidade da Gullfoss depende das condições meteorológicas. Dizem que nos dias de sol ao seu redor são criados inúmeros arco-íris e no inverno a água congela, o que cria um cenário único. Não pudemos comprovar, pois quando a visitámos estava um dia feio e chuvoso, talvez por isso não tenha impressionado sobremaneira. É, no entanto, indesmentível a sua espectacularidade.


Skógafoss. Na ponta oeste da povoação Skógar, no sul da Islândia, é uma das mais altas e bonitas quedas de água. Cai de um penhasco, com 60 m, de origem costeira, que depois do recuo da costa ficou a 5 km do mar. Na parte de cima da queda, onde se tem uma vista magnífica, que felizmente não é apenas privilégio das múltiplas aves que a circundam, inicia-se um trekking até Landmannalaugar. No inicio do percurso deparamo-nos com outra queda de efeito belíssimo.


Seljalandsfoss, igualmente no sul, esta queda do rio Seljalandsá cai de um penhasco, de formação costeira, de 60 metros. Pela descrição quase parece uma cópia da Skógafoss mas é bem distintiva em relação a esta, assim como a todas as outras, pois é possível percorrê-la por trás. Com banho incluído, claro. Muito, muito bonita.


Svartifoss. Esta queda localiza-se no Parque Nacional Skafrafell e é altamente distintiva. É composta por múltiplas colunas hexagonais de basalto, que parecem que foram esculpidas de propósito. Mas não. Aqui só há mão da mãe natureza. A sua forma é obtida pela cristalização através do arrefecimento do fluxo de lava. O efeito é único e fabuloso.


Na parte oeste da ilha situam-se as intrincadas quedas de água de Barnafossar. Tal como a Gullfoss, fica ao longo do rio Hvítá.


Ainda que não tão grande nem potente como outras quedas, Godafoss, é muito bonita e tem uma componente histórica importante. Foi aqui que no ano 1000 a Islândia foi declarada como uma nação cristã.

Domingo, Agosto 09, 2009

Fauna Islandesa

A Islândia é quase sinónimo de natureza, logo, a sua fauna também se inclui nos seus highlights.


A observação das baleias é uma actividade a não perder. No barco somos avisados dos sinais em código que o capitão vai anunciando para as podermos encontrar no mar: meio-dia quando estão em frente da proa, meio-dia e um quarto quando estão à sua direita, um quarto para a uma quando estão à sua esquerda.
Nesta visita ficámos a saber, não sem algum desalento, de que há várias espécies de baleias. Não que esperássemos encontrar a Moby Dick (felizmente não apareceu). Mas esperávamos ver uma baleia a furiosamente emergir das águas escuras do mar, lançando determinadamente as suas barbatanas rumo ao céu enquanto torpedeava um jacto de água das suas entranhas. Tivemos que nos contentar com uma simpática amiga armada em golfinho, ziguezagueando para cima e para baixo, deixando apenas uma pequena barbatana à vista e soltando tímidos repuxos.


Ainda no mar, abundam os puffins (talvez a tradução seja papagaio do mar). São pequenos passarinhos irrequietos com grandes (proporcionalmente) bicos coloridos. Não contámos, mas deve andar lá perto, dizem que conseguem bater as suas asas umas 400 vezes por minuto, voar a cerca de 80km por hora e viver mais de 20 anos.


A nadar junto à lagoa Jokulsárlón, um olhar atento da mana permitiu-nos gritinhos histéricos ao vermos uma deliciosa foquinha com o pescocinho fora de água a pavonear-se por entre os icebergs que se desprenderam do glaciar.


Já fora do mar, ovelhas há-as por todos os lados.



Mas a estrela da companhia acaba por ser o Icelandic Horse, uma raça de cavalos trazida para a Islândia pelos vikings e admirada no mundo inteiro. Aliás, graças à sua exportação ao longo dos anos, hoje há mais cavalinhos desta espécie espalhados pelo mundo no que na própria Islândia. E há-os de diversas cores, mas o mais belo são as suas extensas melenas, quer na cabeça como na cauda. Como se fosse preciso mais esta beleza para enquadrar as já de si belas paisagens da ilha.

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Como Andar Pela Islândia



A melhor forma de conhecer a Islândia, já que os seus encantos não estão, de todo, nas poucas cidades dignas desse título, é alugar um carro e percorrer a ilha de uma forma autónoma, com tempo (9 dias pelo menos), já que os transportes públicos não são uma opção para se chegar aos locais que mais (nos) interessam.
Claro que se vêem viajantes de bicicleta, como o holandês cinquentão que encontrámos pronto para pedalar um desvio de 6 km para lá e mais 6 km para cá de uma estrada em terra batida só para ver uma igrejinha de madeira que o Lonely Planet dizia valer a pena a visita (e valeu).




E claro que também se vêem viajantes (loucos?) a caminhar pelas estradas com a mochilona às costas, sem problemas de a encostar no apoio do parque de estacionamento do início do trilho (mais um) que se propõe executar para lá e para cá, mas desta vez com as costas mais aliviadas. A Islândia é um país seguríssimo (andámos sempre com tudo no carro, incluindo documentos e dinheiro), mas, pois é, ninguém nos contou, nós vimos o rapazinho de mochila às costas a caminho do Krafla e, umas 3 horas depois, quando já estávamos de volta dos nossos passeios, o mesmo rapazinho sem a mochila às costas – estacionada no dito parque – pronto para uma caminhada de mais de 1 hora para assistir ao fenómeno das borbulhinhas do Leirhnjúkur.
Mas, reafirmando, a melhor opção não deixa de ser o carro. E de preferência um jipe 4x4 para chegar a todo o lado e não se estar sujeito às multas do rent a car abusivamente cobradas – dizemos nós, que nos tocou essa fava – por se conduzir em estradas que eles não gostam. Porque a verdade é que tirando a Ring Road, a única “auto-estrada” de uma faixa para cada sentido, e com troços de gravilha, as estradas ainda não são de país mais rico do mundo. O que não se pode criticar, uma vez que as distâncias chegam a ser enormes, ainda que olhando para o mapa o possam não parecer. Mas basta lembrar que há que contornar o fiorde, há que subir para logo descer a montanha, há que evitar o glaciar.



Por outro lado, com o carro e com o dia longo de luz, fica mais fácil estender a jornada e procurar alojamento. O ideal é ir reservando de um dia para o outro, pelo menos. Mas, assim, acaba por não haver surpresas como a que tivemos para os lados de Akureri (a segunda cidade da Islândia) quando não encontrámos alojamento vago numa extensão de uns bons 50 km e fomos ter a um hotel à beira de um lago onde nos foi respondido que já não havia quartos disponíveis, mas que tinham salas de aula caso tivéssemos sacos cama. Sorry? Class Rooms? Sim, com quadro e carteiras e tudo. E inteirinhas só para nós duas. E num outro “hotel” calhou-nos um ginásio inteirinho com cestos de basquete de cada um dos lados, incluindo uma bola, mas incluindo também mais uma solitária mochileira. Apesar de anteriormente ter lido sobre a ideia, já a tinha esquecido. É o seguinte: como as povoações que vão aparecendo fora das poucas cidades têm escassa população (a esmagadora maioria não passa dos 100 habitantes), os miúdos têm de se concentrar em escolas e aí permanecer internos pelo menos durante a semana. Logo, as escolas têm salas de aula e ginásio, sim, mas têm também quartos, salas de estar, cozinhas, piscinas. E se no Inverno o seu uso é exclusivo dos alunos (e professores), no Verão, quando estes vão de férias, as escolas são transformadas em hotéis e aproveitadas para os turistas. Com quartos para os remediados e espaços comuns para os pelintras. A somar às pousadas da juventude que existem espalhadas um pouco por todos os cantos, estes hotéis escola são, assim, uma boa forma de se tentar poupar dinheiro num país caríssimo.


Outra forma de poupar algum dinheiro é comprar umas comidinhas simples e rápidas no supermercado, parar ao almoço para fazer um piquenique e aproveitar a cozinha do hostel para preparar o jantar. Mas esta forma de poupança é quase obrigatória, pois se o jantar para dois num restaurante sai praticamente ao mesmo preço de um quarto duplo, ao almoço pura e simplesmente não se encontram locais para o fazer. No meio do caminho escasseiam os supermercados, normalmente sempre junto a bombas de gasolina, daí que também seja boa ideia ir abastecendo de combustível com frequência para não se correr o risco de ficar parado, literalmente, no meio do nada.



A paisagem da Islândia é variada, mas os desertos abundam. Seja o deserto de mar, junto aos fiordes, seja o verdejante, com os carneiros e cavalos a brincar à vez, seja o de lava, seja o de gelo, seja o de sedimentos – o sandur, palavra islandesa que entrou para o léxico mundial. Será uma terra inóspita no Inverno, nem consigo imaginar tamanha desolação, mas bastante agradável no Verão (que não passa de um Inverno encapotado para nós, portugueses). Há sempre alguma novidade geológica ou paisagística ao virar da curva. Uma igreja a descobrir, sejam as de madeira de séculos passados, seja as de poucas décadas, de arquitectura futurista que jamais se esperariam encontrar perdidas no meio dos fiordes. As montanhas têm cores tão lindas e variadas que é impossível deixar de as admirar ou cansarmo-nos da sua presença. Os glaciares são tantos e tão extensos que se pode viajar um dia inteirinho de carro com aquelas massas de gelo sempre ao nosso lado. As quedas de água sucedem-se, de todas as formas e feitios. Há-as em todos os cantos da Islândia. E assim como não consigo escolher a minha preferida, também não consigo dizer qual das regiões da ilha mais gostei.

Um lamento, apenas: não termos ido ao interior da ilha, aquele que é descrito como o mais aterrador local, por conjugar todos os adjectivos que descrevem o isolamento e a desolação. Não foi por isso que não chegamos até lá, mas antes por falta de condições técnicas, digamos. Com isso deixamos de viver e sentir, certamente, uma experiência apaixonante. Em todos os sentidos, pois há quem diga, e no que toca aos islandeses são a maioria, que este é o local para se encontrar com os elfos e criaturas afins. Uma curiosidade para o fim, muitos islandeses não só afirmam ter visto estes seres como garantem ter mantido com eles relações sexuais. Suspeito bem que esta é a única publicidade enganosa acerca da Islândia.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Reykjavik

O único momento em que pude ver a noite da Islândia foi à chegada tardia a Reykjavik. E mesmo assim, apenas uma espécie de noite vivida no começo da madrugada.
E os edifícios baixos da capital, de 2 ou 3 pisos, bem que merecem dias soalheiros que realcem o seu colorido para que a paisagem possa ficar mais pitoresca.





Reykjavik está situada à beira do Atlântico Norte e é uma cidade que claramente foi crescendo para e pelo porto, mantendo a linha dos seus edifícios antigos, com as casas de madeira.
Mas se o espaço no mar é dominante, o espaço na cidade não o é menos. Crescendo em comprimento e não em altura, as habitações com os jardins mostram que se preocupam com a qualidade de vida, e os prédios foram deixados para o que se pode chamar de subúrbios, numa série de cidades que foram sendo criadas à volta de Reykjavik e que com ela hoje se confundem. São cerca de 270 mil habitantes (a esmagadora maioria de todos os habitantes da ilha estão aqui concentrados) que vivem numa cidade agradável, sem ser linda de morrer, com parques à medida, uma oferta de restaurantes cosmopolita e, dizem, com uma animação nocturna das mais loucas do mundo. O lago Tjornin marca uma presença forte em toda a cidade, mais evidente ainda quando observado da torre da igreja Hallgrimskirkja.
Desta vez deixámos os museus de lado e apenas dedicámos um dia para caminhar pela cidade. Dá para ficar com uma ideia, mas, óbvio, não dá para dizer que a conhecemos ou, talvez, a entendemos. Aqui fica, no entanto, um possível best of do que não deve ser perdido:


- uma voltinha idílica pelo Lago Tjornin


- caminhar pelo porto, junto ao Atlântico Norte, e parar para observar a original escultura de um barco viking, o Sólfar


- aproveitar um passeio pelo jardim de esculturas na casa estúdio de Ásmundur Sveinsson


- deambular pelo centro descobrindo as casas de madeira, cada uma da sua cor
- olhar para o céu e tentar imaginar que horas serão… ops… 21:00? Hora de jantar no restaurante Fish Market e provar a carne de baleia como entrada.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

O Centro da Terra

Não é fácil imaginar como apenas cerca de 320 mil habitantes, distribuídos por um pedaço de terreno um pouco maior do que o de Portugal Continental, conseguem constituir, sustentar e incrementar uma economia auto-suficiente e autónoma (faz de conta que escrevi isto há uns meses). Mais desafiante ainda para a imaginação: não só o conseguem como ainda fazem do seu país um dos mais ricos e desenvolvidos do mundo. E vivem do quê? Cada vez mais do turismo, mas, essencialmente da pesca, da carne de cordeiro, de um pouco de leite. Quanto a recursos naturais estamos praticamente conversados – tirando magotes de energia hidroeléctrica e geotérmica, que fazem com que os islandeses tenham água quente e aquecimento das suas casas praticamente à borla.
À parte isto, o forte da Islândia são mesmo os seus fenómenos naturais – fiordes, lagos, glaciares, quedas de água de todas as formas e feitios, piscinas naturais com água naturalmente (mais do que bem) aquecida, praias de areia preta, vulcões e suas crateras, lava, sandurs (desertos de sedimentos), montanhas coloridas, géisers, canyons, parques naturais com infindáveis oportunidades de caminhadas. Terei esquecido de alguma coisa neste rol dos fenómenos da natureza que mais encantam? Então acrescento-lhe ainda as baleias, os puffins e os cavalos islandeses, belos de morrer. Só não tivemos direito a aurora boreal, mas isso a culpa é da época do ano.
Apenas umas curiosidades mais. Apesar de geologicamente a Islândia ser parte tanto da placa continental europeia como americana, pertence à Europa, mas não se livra de ter como pedaço de terra mais perto de si a Gronelândia, a 287 km, sendo a Noruega, a 970 km, o mais perto que consegue alcançar do continente europeu. É também com o idioma norueguês, segundo uma portuguesa que encontrámos por lá a trabalhar, que a sua língua é mais parecida, não tendo evoluído muito desde o tempo dos Vikings. Será por isso que não entendemos nada do que falam e escrevem? Mas se por aqui não podemos falar em movimento e juventude, que dizer da ilha de Surtsey, parte do arquipélago das Vestmannaeyjar, uma das mais recentes ilhas do mundo, cortesia de uma série de erupções havidas em 1963? Pois, pura energia e emoção, a reviver em próximos posts.



falei das fumarolas fazendo bolhinhas na terra colorida? mais um fenómeno para acrescentar à lista

Brevíssima Introdução à Viagem ao Centro da Terra



Para a Islândia, projecto antigo, só havia uma solução: reservar parte do mês de Julho, de preferência o seu início para ganhar o maior número de horas de luz em cada um dos dias. Na parte que me toca, objectivo plenamente cumprido. Como sou – e lá me mantive – uma menina bem comportadinha, não cheguei a ver mais do que um leve lusco fusco nos 12 dias que passei na ilha com vista (quase) para o Árctico.
Se a Islândia é reconhecida pelas suas paisagens naturais fantásticas, porquê começar por aqui?
Porque é mesmo esquisito andar-se um dia inteirinho sem se notar que a terra quer anoitecer, que são horas de parar a jornada de carro e ir procurar lugar para dormir. E, então, dormir de dia, por vezes com uma claridade que não se via durante o dia propriamente dito. Sim, o sol da meia-noite existe mesmo.
Quanto ao mais, e cumprindo a tradição nórdica, a Islândia é mesmo um lugar civilizado, onde tudo corre pela certa, descontando, é claro, o facto de o país ter ido à bancarrota há meses. Resultado? Menos turistas islandeses pelas praias algarvias neste Verão. E um singelo comentário: se a moeda deles desvalorizou horrores e a economia veio por aí abaixo, continuando os preços lá bem em cima (do ponto de vista desta portuguesa, é claro), como imaginar o custo de vida anterior? A viagem de avião não é barata, o aluguer de carro é estratosférico (vá que a gasolina está ao mesmo preço de Portugal, mas aí parece que o preço das nossas gasolineiras é que é abusivo), as dormidas em saco de cama nos hostels toleram-se, os piqueniques feitos dias a fio ficam por uma pechincha apenas quando comparados com o que se paga em um (qualquer) restaurante da ilha.
Mas, lá está, é aquela viagem que todos temos (devemos) de fazer. A Viagem ao Centro da Terra, como já Júlio Verne tinha escrito.

Terça-feira, Maio 12, 2009

São Torpes - Sines

Uma manhã de surf nas águas quase tropicais de São Torpes, a praia nacional com o cenário mais industrial.

Vestígios de um duck dive


Chuveirinho


Onde está o button turn?

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Emerita Augusta



Já na Estremadura, mas ainda (mais) pertinho de Portugal, Mérida, ou melhor, Emerita Augusta, faz-nos parar para uma curta visita. Pretexto? O seu Teatro Romano, construído por volta do ano 16 A.C.. Segundo se diz, o facto de estar localizado na colina de San Albin proporciona uma boa acústica para os espectáculos que ainda hoje por lá se realizam para cerca de 3000 pessoas. Quando é o próximo show?

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Morfar em Córdoba

É comum ouvir os portugueses dizerem que em Espanha se come mal, que cá no burgo é que é. Não concordo. O que muitas vezes ocorre é que no nosso país sabemos com o que contar e não nos atrapalhamos na hora de fazer o pedido. Já quando estamos noutro país, com outros costumes, não é tão fácil. Mas é tudo uma questão de descontrair e ir à aventura sem dramas. Se correr mal, paciência. Se correr bem, pode ser uma experiência maravilhosa e um prazer que será recordado por anos. É tudo uma questão de adaptação e estar disponível para vivenciar os hábitos do país que estamos a visitar.
Uma das dimensões de viajar e conhecer a cultura de um país é precisamente experimentar a sua gastronomia. Muitas vezes fiquei frustada por não o fazer. Desta vez não foi o caso.
Ainda que vizinhos e com muitos pontos em comum, nuestros hermanos, neste caso os andaluzes, apresentam uma gastronomia distinta da nossa.
Durante a nossa estadia em Córdoba, que é considerada a capital gastronómica andaluza, pudemos experimentar alguns dos pratos tradicionais. Digladiámo-nos com as magníficas beringelas fritas em polme com mel de cana; com o flamenquín, que é uma fatia fina de carne guisada enrolada num pedaço de presunto, panada e frita; com o salmorejo, uma espécie de creme de tomate servido com ovo cozido picado e polvilhado por cima; com o rabo de toiro; as almôndegas, os revueltos e as tortillas, estes pratos comuns em toda a Espanha.


A nossa geografia gastronómica concentrou-se no centro histórico. Na Judería, localizada na Calle Romero nº 16, fomos à Casa Pepe, uma antiga adega e casa sefardita, com um ambiente simpático e mais requintado do que as outras opções.
Também na Judería, junto à porta de Almodóvar, e do mesmo proprietário, fica a Casa Rubio, com um interior mourisco e ambiente descontraído.


Quase vizinha, na calle Judios, fica a típica Taberna Guzman, boa para beber um copito e comer um chouriço. Tem um interior muito castiço e repleto de elementos alusivos às touradas.

Junto à catedral, numa ruela perpendicular, chamada Calle Medina Y Corella fica a Taberna la Bacalá.
Igualmente numa rua que ladeia a catedral, mas no lado oposto, fica o Bar Santos. Tem um ambiente típico mas muito pequeno, de tal forma que é comum fazer-se o pedido e sair-se para a rua para comer no muro da catedral. Foi o que nós fizemos. E tal como os locais comemos a célebre tortilla, chouriços e mais uns petiscos, tudo acompanhado com um copito de fifty fifty, que é uma mistura de vinho doce e vinho branco.


Para quem gosta de petiscar Córdoba é o local certo. Será que foi por isso que gostei tanto da cidade?

Segunda-feira, Abril 27, 2009

Instantes de Córdoba














Domingo, Abril 26, 2009

Las Cordobesas



Na Páscoa é costume vermos as cidades portuguesas serem invadidas pelos espanhóis. Desta vez resolvemos reagir a este facto enviando uma pequena armada de três moçoilas para Córdoba, a escassas 5 horitas de distância.
Aparentemente, não muitos outros portugueses se lembraram do mesmo. No entanto, a cidade estava cheia de gente – andaluzes, que celebravam a Semana Santa em infinitas e intermináveis procissões das várias confrarias compostas pela população que ocupavam a cidade inteira, e não ibéricos, estes vindos de todas as partes do mundo.


E não é à toa este interesse por Córdoba. Com uma das mais extensas áreas declarada património mundial pela Unesco, a História acompanha cada passo da nossa visita, principalmente aqueles que são dados pela parte velha da sua cidade, considerada uma das maiores e mais bem conservadas de toda a Espanha (logo, o mesmo é dizer, de toda a Península Ibérica). E o mais interessante de tudo, e o que mais agrada e conforta em Córdoba, é verificarmos que o nome que toma esta zona antiga é La Juderia, o bairro onde se encontrava a Medina muçulmana e onde hoje passam as procissões cristãs. Uma convivência pacífica, pelo menos nos dias de hoje, e talvez por isso Córdoba seja tão pujante e vibrante.


Acredita-se que no século X Córdoba tenha mesmo chegado a ser a maior cidade do mundo, quando se encontrava sob o domínio da dinastia dos Omíadas que ali fundaram o califado de Córdoba. E, a acompanhar a instituição deste califado, atestando todo o seu poder, iniciou-se nesse século a construção de um novo núcleo urbano, a Madinat al-Zahra, também conhecida como “Córdoba la Vieja”, a 6 km de Córdoba. Esquecida durante séculos, escavações arqueológicas em 1911 trouxeram à vista este extenso complexo no sopé da Sierra Morena. Os trabalhos entretanto executados deixam-nos uma ideia do que eram, principalmente, a basílica e os salões dos palácios da velha cidade.





Voltando a Córdoba em si, a visita não pode deixar de se iniciar no bairro La Juderia, com as suas ruelas estreitíssimas de casas branquinhas. Os estores debruçados nas janelas deixam adivinhar que o Verão inclemente já vem próximo. Por aqui fica a Sinagoga, uma das poucas conservadas na Península Ibérica (a propósito de sinagoga em Portugal, ver anterior post em http://andessemparar.blogspot.com/search?q=belmonte), com influências arquitectónicas árabes como o pátio e outros elementos mudéjares.

Os pátios de Córdoba abundam e são um encanto, sendo impossível controlarmos um pouco a nossa educação e não meter o nariz em cada porta por onde vamos passando. Mas é mesmo assim. Eles estão aqui para serem vistos. E sim, é mesmo para entrarmos casa adentro, principalmente se estivermos no bairro de San Basilio, famoso pelos seus pátios carregadinhos de vasos com flores. Ou será que os vasos com flores é que têm um pátio? Existe mesmo um concurso anual para eleger o pátio popular mais florido e por isso os cordobeses levam bem a sério a sua decoração.


Este um dos encantos de Córdoba, caminhar pelas suas ruas, pelos seus pátios, ser recebido pelos seus habitantes, como aquela senhora nonagenária pronta a acolher-nos e a um dedo de conversa, provar as suas tapas nos seus restaurantes cheios nestes dias festivos, propondo-nos reserva de mesa apenas lá para as 22:00, não dando abébias mesmo se argumentávamos ser sobrinhas de Manolete (a minha mana tem sempre lata, mas desta vez andava inspirada).




E quanto a património arquitectónico, não falta escolha – atravessar a Ponte Romana sobre o Rio Guadalquivir, caminhar lado a lado com as muralhas árabes, conhecer a Córdoba tradicional, com os seus conventos, igrejas e praças, a que não falta a “praça maior” cá do burgo, a qual neste caso toma o nome de Plaza Corredera, sempre animada e movimentada como todos as outras do país.


Mas o ponto alto de qualquer visita a Córdoba fica para o fim deste post. E são três: a Mesquita-Catedral, o Alcázar de los Reyes Cristianos e os Hammams de Medina Califal.





Começando pela Mesquita-Catedral, ela, por si só, vale qualquer visita a Córdoba, esteja ela ou não a dois passos de distância de Portugal. Este monstro arquitectónico é o resultado de uma mistura de influências ao longo dos séculos. Construída originalmente por volta do ano de 600 como uma igreja cristã visigótica, sob o domínio dos muçulmanos passou a ser usada como mesquita, tendo sido aumentada de tal forma (no século X) que chegou a ser considerada a 2.ª maior mesquita em todo o mundo. Após a reconquista cristã, no século XIII, voltou a ser usada como igreja. Até hoje. O seu interior é imediatamente reconhecível pelos seus arcos brancos e encarnados que encimam as quase 1000 colunas.



Ali perto fica o Alcázar de los Reyes Cristianos. Mais uma vez, a história da mesquita-catedral repete-se. Originalmente sítio de uma fortaleza visigótica, os muçulmanos começaram por reconstruir a estrutura e expandi-la, construindo palácios, jardins e banhos. Após a reconquista, sobre as ruínas da estrutura pré-existente, o Rei Afonso XI construiu (em 1386) o que vemos nos dias de hoje. Tudo parece muito fiel à arte muçulmana porque o estilo escolhido foi o mudéjar. No entanto, os lindíssimos jardins datam apenas dos séculos XVIII e XIX. Antes desta maravilha, uma história negra: o Alcázar foi utilizado como tribunal da Inquisição, tendo sido palco de interrogatórios e tortura. Hoje é uma atracção turística e a subida às suas torres dá-nos uma vista diferente e superior do Alcázar, embora daí não se aviste a cidade.



E para terminar em puro relaxe e deleite, nada melhor do que uma ida ao Hammam de Medina Califal, que se propõe recuperar o espírito dos banhos árabes. E consegue-o. Num edifício que passaria despercebido numa das ruas da zona velha da cidade, perto da mesquita-catedral, vive-se uma experiência que faz jus ao slogan oficial do turismo de Córdoba “emociona”. Historicamente, a cidade contava com mais de 600 banhos árabes públicos na época do domínio muçulmano. Hoje é possível visitar-se alguns deles, mais ou menos recuperados ou conservados, mais ou menos humildes ou luxuosos. Mas todos eles, obviamente, desactivados. Resta-nos, então, este Hammam de Medina Califal, que apesar de não ter sido erigido sobre nenhuma estrutura que antes tivesse a mesma função, nos permite banhar nas suas águas temperadas, quentes e frias, à vez, com direito a banho turco e massagem, num ambiente fiel ao que imaginamos ser a arquitectura árabe, com os mosaicos e os arcos coloridos sobre as colunas que já viramos na mesquita-catedral.
Apenas mais uma experiência para tornar o passeio a Córdoba inesquecível.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Esteve Assim o Céu em Córdoba


Terça-feira, Março 31, 2009

Panteão Nacional

Segundo a wikipédia, etimologicamente Panteão deriva de pan (todo) e théos (deus), significando assim o templo dedicado a todos os deuses. Porém, com o monoteísmo deixa de fazer sentido esta abrangência e a função dos panteões foi reformulada para servir de última morada aos que fizeram grandes feitos, de diversas naturezas (estadistas, artistas, intelectuais), pela pátria.
É essa a função, desde 1916, do Panteão Nacional de Portugal, localizado na Igreja de Santa Engrácia, na freguesia de São Vicente de Fora, em Lisboa. A construção primitiva do actual Panteão data de 1568, quando foi criada a antiga freguesia de Santa Engrácia. No final do século XVII a igreja inicial foi seriamente danificada por um temporal e desde esse momento sofreu constantes alterações, ao ponto de actualmente nada restar. A obra do novo edifício – o actual, iniciou-se em 1682, mas perdurou durante séculos, só sendo concluída em 1966. É daqui que resulta a expressão “obras de Santa Engrácia” quando algo não tem fim.

Estão sepultados no Panteão várias figuras da História de Portugal (Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Infante D. Henrique, Nuno Álvares Pereira, Afonso de Albuquerque), presidentes da República (Manuel de Arriaga, Teófilo de Braga, Óscar Carmona, Sidónio Pais), escritores (Luís de Camões, Almeida Garrett, Guerra Junqueiro, Aquilino Ribeiro) e artistas (Amália Rodrigues, cujo túmulo é sempre o mais florido).
O edifício, de estilo barroco, é uma presença forte na cidade.

No interior destaca-se o pavimento em mármore colorido e o zimbório gigante, pelo qual se acede a um terraço exterior que possibilita uma vista sobre a

zona oriental de Lisboa,


do estuário e margem sul do Tejo,

Cristo Rei e ponte 25 de Abril.

Segunda-feira, Março 30, 2009

Béjar - Neve na Primavera

O tempo estava mais para uma ida à praia do que à neve, mas aproveitando os frutos do último nevão no início de Março, decidimos dar um saltinho à vizinha Espanha. Não fomos aos caramelos mas sim à neve. Depois de várias tentativas abortadas de idas à neve para snowboardar/esquiar, lá se concretizou finalmente o desígnio no fim-de-semana em que se iniciou a Primavera.
A escolha recaiu sobre Serra de Béjar – La Covatilla, na província de Salamanca e Comunidade Autónoma de Castilla e León. A opção por esta estância, até há bem pouco tempo desconhecida por nós, deveu-se à proximidade a Portugal e às boas condições que apresenta para um fim-de-semana de snowboard/ski. Ainda que pequena, cerca de 20 Km esquiáveis divididos por 19 pistas (7 azuis e 9 vermelhas) mais um pequeno snowpark, apresenta condições superiores à nossa Serra da Estrela, o que justifica a procura cada vez maior por portugueses apaixonados pela “branquinha”.

Situada a sul de Salamanca, a cerca de 70 km, e na parte mais a oeste do Sistema Central de Montanhas, a estância de ski da Serra de Béjar – La Covatilla, tem uma exposição a norte e uma altitude que varia entre os 1990 e os 2369 metros, o que faz com que tenha boa quantidade e qualidade de neve durante o inverno. Pareceu-nos que se cheia de neve tem uns bons foras de pista. Mesmo sem estar repleta de neve os foras de pista mereceram uma atenção especial pelos meus compinchas que, ainda arriscando-se a uma superfície gelada, não resistiam a sair das pistas balizadas. E eu lá os acompanhava, ainda que sem grande entusiasmo.

Para além da oferta de desportos de neve, na Serra de Béjar, declarada reserva da biosfera pela Unesco , e arredores é possível percorrer diversos itinerários pedestres, trilhos de btt, fazer voos de parapente e visitar aldeias históricas, ao que parece de grande beleza. Descobrir a região através destas actividades fica para um próximo momento. Voltaremos.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Até Bassano



Por incrível que possa parecer, a maioria dos visitantes de Veneza não fazem mais do que isso mesmo, visitam Veneza. Ficam apenas um dia e, por isso, certamente não a chegam a conhecer, entender, viver.
Não que tivéssemos conseguido tudo isso nos (sempre escassos) dias que por lá ficámos. Mas tivemos ainda algum tempo para uma saltada à lindíssima e pitoresca Bassano del Grappa, a cerca de 1h 30m de Veneza, numa viagem de comboio com a paisagem que o rodeava completamente coberta de neve.

Bassano sofreu com as duas Grandes Guerras, mas a sua simbólica ponte de madeira sobre o Rio Brenta sobreviveu para continuar a servir de postal. Desenhada pelo arquitecto Andrea Palladio (nascido em Padúa e autor de inúmeras “villas” e palácios um pouco por toda a região do Veneto) em 1569, é um prazer caminhar sobre a ponte, com as montanhas e os edifícios amarelos e rosa da cidade como cenário. Caminhando pelas suas ruas, o prazer não esmorece, encontrando-se praças, cafezinhos e “bottegas” encantadoras.
Uma boa opção para fugir aos canais de Veneza.

Domingo, Fevereiro 08, 2009

Instantes de Veneza







Postais de Veneza


Desde o Campanário da Praça de São Marcos


Isola de San Giorgio Maggiore



Fondaco dei Turchi


Ca´ D´Oro


Palazzo Contarini del Bovolo

Por Veneza

Veneza faz-nos lembrar Lisboa. Pode parecer pretensiosismo dizê-lo assim, e logo de começo, da cidade de todos os elogios, de todos os superlativos, considerada por muitos como a mais bonita do mundo.
E pode parecer falta de abertura em conhecer e reconhecer as diferenças e novidade dos sítios para onde fugimos do nosso lar.
Mas não. Quer apenas dizer que nos sentimos bem em Veneza, “La Serenissima”, bem com a multidão (não era assim tanta) e bem com o cheiro (se estava lá não chegou ao nosso olfacto).
E porquê a conversa de Lisboa?
Porque se sente pelas estreitas ruas de Veneza, aninhadas nos incontáveis canais, a intimidade que se vive nas ruas dos bairros históricos e mais pitorescos de Lisboa, Alfama à cabeça, claro. É deveras familiar esta roupa estendida à janela. Mas com a corda a unir dois edifícios divididos por um canal, só em Veneza.



E porquê mais? Esta serve como desculpa: porque foi do país donde Lisboa é capital que veio parte do contributo para o começo da “decadência” do monopólio de Veneza como cidade mercantil, ao descobrirmos o caminho marítimo para a Índia. “Decadência” relativa, pois pode uma cidade que viu nascer nomes como Marco Polo, Casanova, Vivaldi, Titian, Tintoretto, Tiepolo e Canaletto jamais ser afectada pela decadência?
A cidade do Tadzio, o rapazinho dumas férias de Verão no Lido que elevou Morte em Veneza de Thomas Mann a livro obrigatório?
A cidade onde decorrem hoje eventos como a Bienal e o Festival de Cinema?
E que dizer a nomes encantadores como Ponte dos Suspiros? Talvez que foi uma pena que a dita estivesse em restauro, ficando-nos assim apenas pela poesia da sua designação.

E, depois, bem, depois há tudo aquilo que já se sabia.


A Praça de São Marcos, com a Basilica de São Marcos, o Palácio dos Doges, o Campanário, a Torre do Relógio e Café Florian. Tudo peças de arquitectura que deslumbram, que permanecerão definitivamente na memória depois de as termos visitado in loco.

Os bairros para lá dos canais – os Sestieri – Cannaregio, San Polo, Dorsoduro e Guidecca, Santa Croce, San Marco e Castello.
Tentámos caminhar por todos eles, fazendo um esforço para não nos perdermos – sim, confesso, perde metade da piada de uma experiência em Veneza.
Giudecca de uma placidez rigorosa, mesmo se hoje lugar dos grandes hotéis como o Cipriani ou o Hilton que vieram substituir as estruturas industriais de outrora.
Cannaregio profundo, bairro onde se sente que vive mesmo gente.
San Polo das igrejas e da incontornável Ponte de Rialto e do seu mercado.
Santa Croce o único bairro onde são permitidos carros – na estação de autocarros e no parque de estacionamento.
Castello mais castiço e popular, casa do Arsenal da Marinha.
Dorsoduro dos palácios e museus.
San Marco dos turistas.



E para o fim fica o Grande Canal. A avenida mais movimentada de Veneza é um constante vai e vem de barcos e gôndolas que vão navegando bem junto aos lindíssimos palácios que os ricos de outros tempos foram erguendo ao longo dos cerca de 3km de comprimento do maior canal de Veneza. São edifícios em estilo bizantino, gótico, barroco, renascentista, moderno. O difícil aqui é não nos acotovelarmos para ganhar a melhor posição aos outros turistas no barco público.

A escapada até Veneza fez-se nesta passagem de ano. Felizmente que as tão proclamadas e esperadas multidões de turistas não marcaram presença. Deu para caminhar sem empurrões e visitar atracções sem esperar eternidades. Em compensação, uma surpresa – a neve. Levantar no dia 1 de Janeiro de 2009 e ver os telhados todos branquinhos foi um mimo.

Domingo, Janeiro 11, 2009

Agustina

Ontem acabei de ler pela primeira vez Agustina (que vergonha ter sido só ontem!).
E ocorreu-me que quem tem o Douro à sua beira, tem inspiração para nos fazer amar a Sibila.

Entre Muñoz



E ainda dizem que o Porto perdeu pujança, que Lisboa é que fica com tudo…
Como se não bastasse terem à sua disposição em parque público a obra “Treze a Rir Uns dos Outros” no Jardim da Cordoaria (ainda que em estado de desleixo), Serralves apresenta os últimos dias de uma retrospectiva do escultor espanhol Juan Muñoz.



Em tempos de crise, sisudos, vem mesmo a calhar este sorriso de satisfação e de emoção com que ficamos ao passear pelas obras de Muñoz, pelas suas figuras quase humanas, aqueles anões com traços chineses, sempre sorridentes. E, assim, tornamo-nos mais uma das suas esculturas, ali perdidos no meio da multidão, sozinhos no meio de tanta gente, admirando Muñoz.



Terça-feira, Dezembro 23, 2008

Olha Quem Estava Na Miguel Bombarda

Na última visita ao Porto encontrei na rua simultaneamente mais improvável e criativa da cidade, a Miguel Bombarda, o Ghandi


e a Mona.


O que será que andavam por ali a fazer?

Domingo, Dezembro 14, 2008

Jantar Por Uma Causa

Uma das experiências mais enriquecedoras da nossa viagem pelo Vietname e pelo Camboja foi a possibilidade de chegar ao conhecimento da existência de uma realidade de que nunca tínhamos ouvido falar. Estávamos, obviamente, cientes das dificuldades nestes dois países, nomeadamente das suas populações poderem atingir um presente e um futuro melhores.
E existe quem se preocupe verdadeiramente com isso e coloque mãos à obra para tentar dar um novo rumo às vidas dos jovens nestes países.
O que ficámos a conhecer foi uma das formas para atingir esse objectivo: o projecto “jantar por uma causa”.
Em Hanoi com o restaurante KOTO (“know one, teach one”), em Phnom Penh com o restaurante Friends (“a non-profit restaurant run by former street youths in training”).
O programa que está muito para além destes dois restaurantes é o de pegar num grupo de jovens de rua carenciados e dar-lhes um ofício, educando-os e ensinando-os, com isso ajudando também as suas famílias e comunidades onde estão inseridos. A nós apenas nos é pedido que façamos a nossa refeição nos seus restaurantes (ainda por cima com um ambiente e decoração agradáveis e uma comida muito bem confeccionada) e que com isso possamos contribuir para esta causa.
Uma ideia simples que muda muitas vidas.

Os links
http://koto.com.au/
http://www.streetfriends.org/index.html