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sexta-feira, novembro 17, 2017

Piodão - Chãs d’ Égua - Foz de Égua - Piodão

Este é o maior e mais completo percurso pedestre que se pode fazer ao redor do Piodão. 

Em tempos havia percorrido o trilho de ida e volta até Foz de Égua, aqui descrito).

Agora, do Piodão até Chãs d’ Égua, passando pela praia fluvial de Foz de Égua e retornando ao Piodão são cerca de 10 intensos quilómetros, mais de quatro horas de uma soberba caminhada, pelo que é aconselhável sair bem cedo de manhã.




Logo pela manhã o Piodão recebe-nos vazio, sem as enchentes de turistas, ideal para deambularmos pelas suas sinuosas e declivosas ruazinhas conquistadas ao terreno em sossego. Os materiais usados nas suas típicas e pitorescas casas, já se sabe, são o xisto e a madeira, aqueles de que a região é pródiga. A tinta azul para pincelar as portas e os detalhes das frestas das janelas diz-se que era a única cor à disposição na povoação depois de lá ter sido deixada um lata de tinta dessa mesma cor. Lendas não faltam. 



Percorremos, então, o Piodão em direcção ao cemitério onde iniciamos o trilho até Chãs d’ Égua. 






A paisagem entusiasma desde o primeiro minuto. A Serra do Açor abre-se-nos em todo o seu esplendor e inunda-nos de felicidade. Enquanto que no topo vamos vendo os seus picos elevados recortando a paisagem e desenhando vales no horizonte, em baixo vemos desfilar os socalcos e as casinhas em xisto, forma artística do Homem adaptar esta natureza magnífica mas adversa às suas necessidades. 




Esta primeira parte do percurso é fácil. Quando descemos para a estrada e começamos a seguir no asfalto até à povoação com o curioso nome de Pés Escaldados e daí até Chãs d’ Égua é que tudo se torna mais cansativo por causa da subida e do calor. 


Pés Escaldados é um pequeno ponto na paisagem com as típicas casas de xisto da região e uma fonte branca a marcar a diferença. Já Chãs d’ Égua é um povoado maior de casas brancas encravado num vale  onde não faltam também as ditas casas de xisto com as telhas de lousa. 




Por esta zona foram encontradas algumas rochas com gravuras de arte rupestre, daí que há poucos anos tenha sido criado o Centro Interpretativo de Arte Rupestre de Chãs d’ Égua no edifício da antiga escola primária.



Deixando esta povoação para trás e todo este imenso e soberbo vale, iniciamos então a descida em direcção a Foz de Égua. Os ribeiros começam a acompanhar-nos e agora já não são apenas as casas e degraus em xisto a compor a paisagem: também as pontes de xisto a marcam para deixar as águas correr leve sob os seus arcos.





O caminho de Chãs d’ Égua até Foz de Égua não é especialmente difícil ou técnico, mas requer atenção e cuidados e bom calçado. Algo acidentado, tanto sobe como logo de seguida volta a descer, sendo estreito e escorregadio em alguns momentos. Sempre bem marcado, porém.





A chegada a Foz de Égua não engana. Avista-se ao longe o seu casario e, em especial, a sua ponte suspensa de estacas. Lá em baixo a praia fluvial boa para lavar os joelhos. Mas, também, sem chuva não se pode pedir muito mais.

Após uma breve banhoca e um curto descanso há que voltar ao Piodão, percurso fácil e belíssimo de uns meros 40 minutos.



Acontece que o acumulado e, sobretudo, o dia escolhido para esta caminhada tornaram a volta num quase tormento. Dia 17 de Junho de 2017, viríamos todos a saber nos dias seguintes, um dos dias mais trágicos no nosso país, dia de clima atípico, dia de calor extremo, dia sem humidade, dia irrespirável nas Beiras. 

Ainda a manhã não tinha chegado ao fim e já tinha bebido quase três litros de água e guardava ainda mais meio litro para o que desse e viesse (ia preparada). A uma meia-hora do Piodão vejo no caminho uma rapariga estendida no chão e o seu namorado pede-me algo com açúcar como ajuda. Dou e sigo o meu caminho pensando que tenho de chegar o mais rápido possível ao Piodão pois estou sozinha, algo que não apenas o cansaço começa a apoderar-se de mim e desato a imaginar coisas. Já não consigo aproveitar a paisagem do vale que cai para a minha direita e que sei que é belíssimo, já só penso em chegar.


E chego. Ainda com força para tirar a última foto. 
O silêncio impera. Como se antecipasse o que estaria para vir nas próximas horas.

sexta-feira, julho 08, 2016

Piodão - Foz de Égua - Piodão

Este percurso circular tem cerca de 7 km. 


Bem sinalizado no Piodão através de placas, subimos até ao cemitério para iniciar o percurso que nos levará a Foz de Égua. O caminho é fácil fisicamente e gratificante visualmente. Rapidamente nos sentimos esmagadas pela paisagem da Serra do Açor, montes com vegetação a envolverem-nos no vale. 




Do lado contrário onde seguimos caminho - e aquele por onde retornaremos - vamos vendo desfilar pela encosta uma série de casas em xisto abandonadas. Perguntamo-nos se alguém alguma vez terá vivido naquele isolamento ainda maior, ou se apenas foram em tempos casas de arrumos de material ou de animais. 




Os socalcos marcam presença e observando bem conseguimos destrinçar neles casas em fila. 
Lá bem em baixo segue o rio.









Apesar da alegre caminhada, saudamos a chegada ao lugar de Foz de Égua. Uma vez mais, casas em xisto debruçadas na paisagem. E uma praia fluvial para refrescar. Sobre as ribeiras do Piodão e de Chãs de Égua temos uma ponte de madeira em U que balança sem parar e parece poder ceder a qualquer momento. Não me aventuro a atravessá-la e faz-me impressão só de ver tremelicar nos ares quem o faz. 
O momento kitsch do passeio acontece num plano mais elevado na paisagem, onde foram construídas umas indescritíveis capelas.







Adiante que é hora de regressar.



Seguindo pela outra margem do rio, o percurso é menos frequentado e menos fácil. Mas só o seu início, pois há que subir a bom subir por terreno pedregoso e algo instável. Depois de seguir um pouco pelo asfalto voltamos ao caminho e ficamos com os socalcos mesmo à mão de semear. Ainda se vêem pessoas a trabalhar a terra. Grande parte do caminho é percorrido junto a uma levada e em todo o percurso o som da água é uma companhia constante e amiga, embora mais profunda nesta parte. 



Passamos mais uma pequena ponte com um fiozinho de água a correr nas paredes que lhe protegem as costas e logo começamos a sentir o anfiteatro do Piodão mesmo à nossa frente. Deve haver poucos lugares melhores do que este para se ficar face a face com o maior conjunto de casas de xisto e telhado de lousa. Ainda para mais, pronto a ser contemplado em plena solitude, como manda a tradição.