sábado, junho 14, 2008

Navegando Pelo Douro

O passeio pelo Douro estava previsto para a Páscoa, mas a chuva e o temporal que se previa – e aconteceu – para essa altura, fizeram-nos adiá-lo para o semana do feriado de 1 de Maio, bem mais seguro no que ao clima diz respeito, afinal, chuva e mau tempo em Maio? Só por um grande azar.
Pois, azares acontecem.
A chegada à Régua não deu para mais do que uma fotozita com o senhor da capa.



Optámos por navegar as águas do Alto Douro Vinhateiro apenas desde a Régua ao Pinhão.
Ida em barco, sem almoço ou quaisquer outros extras para além do verde bucólico e deslumbrante da paisagem.
São socalcos e mais socalcos moldados pelo Homem por entre montes onde a Natureza é ainda o elemento mais forte. Tudo aqui faz sentido. As quintas dos grandes nomes do vinho do Porto, as aldeias perdidas por entre as serras, os edifícios a cair, o abandono da linha do comboio. O isolamento, enfim.
A volta fez-se em comboio, saindo da pitoresca estação do Pinhão.




Mas o Douro vai seguindo até Espanha (ou, melhor, vem seguindo desde lá).
Para o acompanhar, optámos pelo carro, por entre subidas e curvas, com as suas águas azuis sempre à espreita por entre o verde que o rodeia.



E, depois, muitos kms adiante, à medida que nos aproximamos de Espanha, temos o outro Douro, o Douro Internacional.
Aqui apresenta-se-nos um lado mais selvagem do Douro que corre apertado por entre penhascos. De um lado Portugal, do outro Espanha. Uniram-se os dois para um projecto de cooperação transfronteiriça (Estação Biológica Internacional Douro), com início em Miranda do Douro, que nos leva por paisagens que chegam a ser asfixiantes de tão dramáticas. Este é um daqueles segredos ainda bem guardados que, quando nos deparamos com imagens suas, nos fazem crer que estamos perante um daqueles locais de sonho bem distantes, tipo fiordes da Noruega. Afinal, não. É mesmo em Portugal. Em comum com o Douro Vinhateiro, a calma e o sossego naturais, mas que nos são igualmente impostos para bem da protecção do ecossistema – flora e fauna endémicas, designadamente das espécies raras que aqui nidificam, como é o caso da Águia Real (que não vimos) e do Abutre do Egipto (que não se cansou de sobrevoar as nossas cabeças).





Dois aspectos em comum, porém entre estes dois passeios de barco: a ausência de jovens portugueses. Se no passeio de barco do Douro Vinhateiro encontramos apenas sexagenários aproveitando o convívio de uma excursão de uma qualquer junta de freguesia do país, no passeio de barco do Douro Internacional apenas encontramos espanhóis.
Porquê?

sexta-feira, maio 16, 2008

Bebel em Lisboa

Esta semana na Aula Magna apresentou-se uma Bebel Gilberto imparável.
O objectivo era apresentar Momento, o novo álbum, mas obviamente intervalar com os maiores sucessos.
O concerto caminhava para o fim e nada de tocar a música que mais esperava. Mas a Bebel não me desiludiu e fechou em beleza. E assim fiquei Mais Feliz. Sem o Cazuza mas com a Bebel.
Delicioso!

quarta-feira, maio 14, 2008

terça-feira, maio 06, 2008

Caminhando Sobre o Glaciar



A família reunida.
O Pai sempre quisera visitar a Islândia. Não deu.
Mas no Verão de 1999 escolheu – de comum acordo com as filhas – a Noruega.
A Sofia estava completamente desesperada por ao pior tempo (nublado e chuvoso) que já apanhámos em viagem estar a ver que teria de dizer adeus à tão sonhada e ansiada caminhada sobre um glaciar. Mas o Pai fez panelinha com a filha mais nova e insistiu e continuou a conduzir pelo infinito deserto rural e montanhoso do ocidente norueguês. Deu-se então um quase milagre: o clima por ali não só estava limpo como ainda chegámos a tempo de apanhar a última excursão ao Briksdalsbreen, um dos braços do Jostedalsbreen, o maior glaciar na Europa continental.
A mãe com o capacete e a tentar equilibrar-se no gelo com aqueles pitons foi o outro milagre do dia.

domingo, maio 04, 2008

Igreja de Brincar em Borgund

O que não falta em Portugal são igrejas.
E, nisso, a arquitectura religiosa no nosso país tem mostrado ser bastante eclética e diversificada. Desde a igreja da aldeia perdida no mapa mas que lá continua imperiosa, com os sinos a grande altura; passando pelas maiores e imponentes igrejas das grandes cidades, sés, basílicas; pela estética arrojada, que a uma 1.ª, 2.ª e até 3.ª vista ninguém reconhece como pronta a desempenhar a função de igreja (caso da igreja do meu bairro – Portela); terminando na modernidade trazida por arquitectos de renome, transpondo o seu traço para estes equipamentos.



No entanto, pese embora toda a monumentalidade que as igrejas podem alcançar, em Portugal e pelo mundo afora, foi numa terra nos confins da Noruega que observei aquela que mais me marcou até hoje.
Foi em Borgund, Laerdal.
Numa Noruega rural e com escassa população, longe do desenvolvimento que no nosso imaginário nos acostumámos a atribuir aos nórdicos, pelo contrário, rodeada de provincianismo, surge um grande número de “Stave Churches”, pequenas igrejas medievais de madeira.
Esta, a tal de Borgund, será uma das mais pitorescas e bem conservadas e chegou praticamente intacta até aos nossos dias desde o século XII.

Até parece, mas, não, não é uma casinha a imitar igrejas para os meninos e meninas brincarem.

quinta-feira, abril 17, 2008

Filmes para Sonhar Viajar

Nos últimos meses dois filmes passaram que nos fazem desejar viajar para longe - a muitos km de distância, a uma cultura bem diversa.

À India:

The Darjeeling Limited

Ao Irão:
Persepolis
Neste último, aliás, baseado no livro de BD de Marjane Satrapi, vemos que os iranianos urbanos nossos contemporâneos lêem o mesmo que nós, vêem o mesmo que nós e ouvem o mesmo que nós. Alguns pensam o mesmo que nós.
Hilariante a cena da já adulta Marjane a ter uma epifania sob a imagem de Rocky e o seu "Eye of the Tiger".

sábado, abril 05, 2008

Forte de Santa Luzia e Forte da Graça

Quando chegamos a Elvas pela auto-estrada, para além de encontrarmos bem delineada na paisagem a cidade dentro da fortaleza das muralhas, vemos também bem evidente o Forte de Santa Luzia, a norte, e o Forte da Graça, a sul, imponente lá no cimo.



O Forte de Santa Luzia, construído em 1648 e hoje museu militar, está bem acessível logo ao virar à esquerda, amarelinho, vale a pena circundá-lo a pé e admirar Elvas velha e Elvas nova, os arcos do Aqueduto da Amoreira e a planície alentejana.





Mas o melhor fica guardado para o Forte da Graça.
Implantado na maior elevação da zona, dali a nossa vista alcança tudo, tudo e mais o que é possível imaginar. No entanto, o que nos deixa esmagados não é a vista mas o Forte em si.
Considerado uma obra-prima da reorganização militar pombalina, o Forte mandado construir (1763-1792) por D. José I e arquitectado pelo Conde de Lippe ganhou o nome do monte onde hoje se encontra abandonado.



De facto, o que fazer com esta maravilha monumental onde provavelmente caberia uma cidade inteira? São três linhas de defesa, separadas por fossos, a mais exterior facilmente percorrível a pé, apenas nos dando ao trabalho de desviar das ervas daninhas que por ali pululam. Lá no meio vemos, pitoresca, a casa apalaçada do Governador.



Surpreendente encontrar aqui, quase que perdido no Alentejo português a caminho da Extremadura espanhola, este exemplo a nível mundial de poderio e originalidade numa fortificação.
Agora requer-se ainda mais originalidade para se lhe dar um uso condizente com tanta grandiosidade.

sexta-feira, abril 04, 2008

Aqueduto da Amoreira



O Aqueduto da Amoreira será, ao lado do Aqueduto das Águas Livres que segue sobre o Vale de Alcântara, em Lisboa, e o Aqueduto dos Pegões, que liga ao Convento de Cristo, em Tomar, um dos mais pitorescos do nosso país, resultando numa imagem de tirar o fôlego a qualquer um.
É, está visto, um dos postais de Elvas.



A população de Elvas vinha aumentando e, com isso, aumentava igualmente a necessidade de abastecimento de água à povoação.
D. João III escolheu o arquitecto Francisco Arruda e determinou, em 1537, a construção do Aqueduto.
Todavia, dada a enormidade da obra, cerca de 8 km, com uma arcaria de 4 andares e 843 arcos na zona central que chega a atingir os 31 metros de altura (estando aqui no vale de São Francisco o pedaço deste Aqueduto que se presta mais à dita foto de postal), as obras da sua construção estiveram paradas por alguns anos por falta de verbas; depois de se juntar mais uns trocos prosseguiram; com a tomada de Filipe I da coroa portuguesa voltaram a parar; depois arrancaram novamente; mas logo se chegou à conclusão de que era necessária uma alteração ao projecto; até que em 1622 estava finalmente pronta a obra, permitindo que as águas passassem sobre o Aqueduto da Amoreira a caminho do destino traçado quase um século antes.
As “obras de Santa Engrácia” ainda estavam para acontecer, mas parecerá esta história rocambolesca o bastante?
Nem por isso – falta dizer que já depois da Restauração a defesa de Elvas foi ficando cada vez mais exigente dada a sua posição geográfica raiana e, assim, seria necessária a construção de mais e mais fortalezas, pelo que se pensou demolir o aqueduto para aí se construir as ditas fortalezas. Acontece que, visionários e já com preocupações culturais no que à preservação do património diz respeito (ou talvez estivessem apenas preocupados com o abastecimento de água, concedo), os populares não permitiram que aquela ideia fosse adiante.
Quem não conheça a forma de gerir as cidades nos nossos dias poderia pensar que toda esta história é treta, brincadeira de Abril, mas não: ide ver na página do IPPAR (hoje IGESPAR) em
http://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=70195

quarta-feira, abril 02, 2008

Elvas



Oh Elvas oh Elvas, Badajoz à vista, sou contrabandista, trá lá lá…
Como poucas, Elvas ganhou direito a constar do cancioneiro nacional.
Como muitas, eu sou uma daquelas que, previsivelmente, quando ouve a palavra “Elvas” é quase incapaz de instintivamente não soltar aquela musiquinha do muito estimado (a sério) Paco Bandeira.
Aqui vai a letra completa:

«Eu nasci no Alentejo
À beira do Guadiana
Sinto orgulho quando vejo
A paisagem Alentejana!

Ó Elvas, ó Elvas
Badajoz à vista.
Sou contrabandista
De amor e saudade
Transporto no peito
A minha cidade.

Uma malta da cidade
Chamou-me de provinciano
Eu tenho grande vaidade
De ter nascido alentejano!»

Elvas continua no Alentejo, à beira do Guadiana.
Badajoz está cada vez mais à vista e mais perto, graças às estradas milagrosas que nos põem de Lisboa a Espanha em menos de 2 horas.
Os contrabandistas, esses, perderam a vez.
E, hoje, os caramelos não têm mais graça e são os espanhóis que invadem Elvas. Elvas e não só, ainda para mais em se tratando da semana santa.
Quanto ao provincianismo, e apesar da muito discutida caracterização deste termo, poderá algum cidadão elvense que cresça numa cidade com o extenso – em quantidade e qualidade – património monumental que Elvas possui ser provinciano?
E nem vale a pena argumentar que o melhor desse património teve a sua glória entre os séculos XVI e XVIII, que o recente Museu Arte Contemporânea de Elvas (MACE), com a colecção de António Cachola, está aí para comprovar mais um esforço de colocar o Alentejo na rota da modernidade no que ao património cultural diz respeito.

E, depois, temos o seu centro histórico, que, segundo o mais do que autorizado José Hermano Saraiva, “poucas cidades portuguesas têm um centro histórico tão antigo e tão autêntico”.
E cuidado, acrescento eu.


Se tivesse que escolher uma cor para identificar este centro de Elvas escolheria o amarelo – branco à parte, pois esse domina todo o Alentejo. O casario parece encontrar-se bem conservado, por entre as ruas estreitas, e pelo menos uma risca amarela, um friso amarelo que seja, está presente em muitos dos edifícios.



O desenvolvimento de Elvas aconteceu muito por culpa da sua posição geográfica, bem junto à fronteira com Espanha. Foi a 2.ª no Alentejo a ser elevada a cidade, logo em 1513 (a 1.ª foi Évora, ainda hoje a mais importante cidade alentejana). Antes disso, porém, já havia sido ocupada pelos romanos, árabes e, em 1228, sob a batuta de D. Sancho II, pelos cristãos do Reino de Portugal.

A presença romana e árabe são, aliás, ainda hoje notadas pelas influências que deixaram no Castelo, instalado lá no alto, como não podia deixar de ser, proporcionando hoje uma vista fantástica da planície alentejana e do emaranhado confuso de telhados das casas elvenses.



Elvas é conhecida como a cidade fortaleza.
As muralhas foram-se estendendo do castelo e da alcáçova de forma a abranger grande parte da urbe que chegou aos nossos dias. Para além desta fortificação urbana, e mais uma vez motivada pela posição geográfica da cidade e no sentido de a proteger, Elvas viu crescer na entrada sul o Forte de Santa Luzia (construído entre 1641 – logo a seguir à restauração – e 1687) e na entrada norte o soberbo Forte da Graça (cuja construção teve inicio em 1763).



Vale a pena um passeio sem demoras pelo centro dentro das muralhas de Elvas, fazendo paragens mais atentas pelo MACE (instalado num bonito edifício que foi outrora o Hospital da Misericórdia, acolhe hoje obras de alguns dos nossos grandes nomes da arte contemporânea, incluindo Joana Vasconcelos com o seu Wash and Go, meias e mais meias a imitarem os rolos para lavar os automóveis, mais uma prova da sua imaginação e boa disposição) e pela Igreja de Nossa Senhora dos Aflitos ou da Consolação ou das Domínicas (tantos nomes pela qual é conhecida podem servir para nos baralhar, mas não há nada que enganar: um pouco acima da Sé, damos de caras com uma pequena capela do século XVI com um interior surpreendente – uma bonita cúpula sobre o altar e ricos azulejos decorativos).

E depois, já fora das muralhas, ficam então os grandes ex-libris de Elvas: o Aqueduto da Amoreira, o Forte de Santa Luzia e o Forte de Nossa Senhora da Graça, a merecerem post autónomo.

sábado, março 29, 2008

10 Anos







A Ponte Vasco da Gama faz hoje 10 anos.

sábado, março 22, 2008

Serra Nevada

Serra Nevada… Nunca, em meia dúzia de presenças, esteve tão pouco nevada. Sinais dos tempos meteorológicos.


Ainda que a paisagem não estivesse plena do branco diáfano e as condições da neve não estivessem no seu melhor não nos arrependemos de rumar à estância de ski mais a Sul da Europa. Assim, acompanhada dos meus comparsas Pedro, António “Capi”, Zofia e Alex instalamo-nos na estratégica Plaza Andaluzia e durante 5 dias estivemos a estraçalhar a neve da Serra Andaluza pertencente à Cordilheira Penibética.
O domínio esquiável comporta 86 km, divididos em 86 pistas de todos os níveis. E a estação está dividida em seis zonas: Veleta, Laguna de las Yeguas, Borreguiles, Loma Dilar, Parador e Rio Monachil. Cerca de 70% esteve disponível para o nosso bel-prazer.

Exceptuando o primeiro dia, os restantes estiveram sempre cheios de sol e com temperaturas impróprias para um local de neve.
Enquanto os paparucos estreantes, Capi e Alex, e a “professora” Zofia se mantiveram nos primeiros dias pelas pistas verdes de Borreguiles a iniciarem-se ao snowboard, eu e o Pedro (o único de ski) fomos andando um pouco por todo o lado, mas essencialmente pelas pistas azuis e vermelhas de Borreguiles e por Loma Dilar.

Os rapazes estreantes não utilizaram Borreguiles - que para além de ser o nome do sector é sobretudo um tipo de vegetação que se consegue desenvolver nas zonas mais altas e com condições climáticas adversas e que historicamente no Verão é utilizada pelos pastores como zona de pastoreio - para pastar mas sim para ganharem perícia e confiança. Assim foi e, sobretudo o Capi, pois o Alex foi-se dividindo entre a neve e os estudos, evoluíram e no ano de estreia desceram umas pistas de um nível médio.

Nos últimos dias não resistimos ir ao sector da Laguna, que é o mais bonito da estância e o que tem maior concentração de pistas vermelhas. As pistas deste sector começam quase no topo do pico Veleta, que é o terceiro mais elevado da Espanha Continental, com 3398 metros. Dizem que deste pico e do Mulhacém, que com 3481 metros é o ponto mais elevado da Espanha Continental, nos dias mais limpos vislumbra-se o Mediterrâneo e Marrocos. Nunca pude comprovar porém as paisagens tangíveis aos meus olhos são suficientemente impressionantes.
Muita actividade, bom visual, boa companhia e disposição era o que se queria. E foi o que houve.
Ver mais reportagem, sobretudo fotográfica, na página do Capi.

sábado, março 01, 2008

London, London

A música de Caetano Veloso “London, London”, também cantada por Gal Costa e, mais recentemente, por Cibelle e Devendra Banhart, foi escrita em 1971 enquanto Caetano vivia exilado na cidade. Relata a estranha (para um brasuca) andança pelas ruas sem conhecer ninguém, sem ninguém a quem dizer olá, no mundo solitário da grande metrópole que, no entanto, a todos acolhia (acolhe?) sem medo.
Melancolia é a palavra que melhor descreve a música e letra, e eu gosto da melancolia.
E gosto também de Londres, ainda que a capital inglesa seja tudo menos melancólica e ainda que muitos possam não gostar da cidade precisamente por se cruzarem diariamente com milhões de pessoas que não se lembram sequer de dizer um “hello”.

«London, London
Caetano Veloso


I’m wandering round and round nowhere to go
I’m lonely in London London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know, I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here nowhere to go

While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky

Oh Sunday, Monday, Autumm pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to pleace them
It’s good at least to live and I agree
He seems so pleased at least
And it’s so good to live in peace and
Sunday, Monday, years and I agree

While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky

I choose no face to look at
Choose no way
I just happen to be here
And it’s ok
Green grass, blue eyes, gray sky, God bless
Silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say

But my eyes
Go looking for flying saucers in the sky»

Comer em Londres

Em Londres tudo é caro.
Isto inclui a comida, é claro.
Tirando o Soho, com restaurantes chineses e indianos – um para cada dia do ano -, e à parte os mercados, como o de Camden, com as banquinhas de comes para todos os estômagos e paladares, não é muito fácil gastar pouco dinheiro com as refeições.
Existem, todavia, algumas excepções em conta mesmo para nós portugueses. Falarei do recorrente MacDonalds? Não, nem por isso. Desta vez conseguimos não usar esta opção tão corriqueira, prática e poupadinha (poupadinha deveria aqui levar aspas – estamos em Londres e tudo deve ser encaixado nas devidas proporções).
E as opções / sugestões de restaurantes com preços acessíveis são: Bella Itália, Wagamama e Yo Sushi
À sempre prática comida italiana no Bella Itália junta-se o Wagamama com comida asiática e o Yo Sushi japonês. A propósito deste último, um bocadinho à tonta deslumbradinha fiquei, isso mesmo, deslumbrada com o conceito de passadeira rolante no balcão com os pratinhos às cores, a cada um correspondendo um preço (sai mais barato do que sentar à mesa e pedir um prato de comida japonesa). E porquê tonta deslumbradinha? Porque o nosso Japa, no novo Campo Pequeno, também tem esse conceito e eu só o vim a saber depois de experimentar o Yo Sushi. Resultado? Virei freguesa. Dos 2, espero.


Descubra as diferenças - Japa e Yo Sushi

E a triste conclusão das refeições que fizemos em Londres é: qual é a comida típica londrina?
Não sei.
Eis a prova de que sou uma mera turista, longe dos viajantes que se integram a fundo na cultura, costumes e hábitos dos países e cidades que visitam. Ou será que esta panóplia de restaurantes com refeições de todo o mundo é mais uma prova do multiculturalismo de Londres? Fico-me com esta e, assim, serei novamente uma viajante aberta a todas as experiências.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Pelo Hyde Park à Chuva



Faça sol ou faça chuva (mais esta, está bom de ver), um passeio pelo Hyde Park é obrigatório. Este foi, aliás, o programa escolhido para começo de manhã do primeiro dia do ano de 2008.
Nem os persistentes e nunca desistentes chuviscos perturbaram a doce caminhada pelo verde junto ao lago, sem deixar escapar um olhar demorado pelas brincadeiras dos patos e esquilos. Aliás, existirá alguém no mundo que tenha ido a Londres e ao Hyde Park e não volte de lá com relatos das traquinices dos esquilinhos nada ariscos que nos sobem pelo corpo acima em busca de um rebuçado?



No meio desta confusão sucessiva de parques com áreas bastante generosas, é fácil ficarmos sem saber que relva pisamos: se a de Kensington Gardens, se a do Hyde Park em si, se a dos jardins do Buckingham Palace, se a do St James´s Park ou se a do Green Park.
São kms e mais kms bem no coração de Londres onde a única agitação que se vive é a dos desportistas e a dos animadores de espaços públicos, sem que, no entanto, se perca um certo ar bucólico.

sábado, fevereiro 09, 2008

Into The Wild



Não sou rigorosamente nada virada para buscas interiores, daí que duvidasse um pouco se ia gostar do filme Into The Wild.
Acontece que este filme, baseado numa história real da vida de um rapaz americano que acabou por morrer em viagem aos 24 anos, passa longe de qualquer conceito de busca do eu interior. É antes um constante procurar da (sua) verdade e da felicidade, sem conceitos espirituais a isso associados, longe de hipocrisias familiares ou materiais que dominam a nossa sociedade. Christopher McCandless, o retratado no filme, tentou – e talvez conseguiu – viver a vida que pretendia. Eddie Vedder, o líder dos Pearl Jam que ao longo da sua carreira tem procurado – e talvez conseguido – viver a sua música à parte do sistema imposto pela sociedade foi o escolhido para a banda sonora do filme. Sean Penn, o outro inconformado no meio deste projecto, é o realizador de Into The Wild.
Serve isto para dizer que, sim, senti-me tocada pelo filme, emocionada e comovida com a história de quem procurou seguir o seu caminho, deixando para trás família (pais com quem não tinha uma boa relação, mas irmã que era companheira) e, ao longo das paisagens marcantes por onde ia passando, amigos que foi criando. Sempre sem qualquer peso pela ruptura, de um sentimento que nos habituámos a chamar saudade. Todos à sua volta iam sentindo um aperto no coração pela sua debandada rumo ao objectivo supremo – o Alasca junto aos livros e à natureza – sem que deixassem de o aconselhar a ser mais cauteloso, mais atento aos pais, a, enfim, perdoar e amar.
Depois de 3 solitários meses de dura sobrevivência no Alasca veio a revelação final: “a felicidade só é real quando partilhada”. Mas pelo sorriso na morte de Alexander Super Tramp / Chris podemos concluir que a sua felicidade foi efectivamente partilhada com todos nós.
Para mim, depois de assistir a toda aquela intensidade da natureza americana, a mensagem é viajar. Sejamos novos ou velhos, levantar os nossos rabos e subir a pequena ou a grande montanha, ir ao virar da esquina ou ao Alasca, mas sobretudo mostrar para nós próprios que estamos por cá a fazer algo, sermos felizes nos nossos passos.

London Eye




Um sucesso absoluto.
Se assim não fosse, como explicar que depois de pelo menos 30 minutos para comprar o bilhete ainda haveríamos – nós e todos os demais – de esperar pelo menos mais 1 hora e meia pela entrada na nossa cabine?
Por incrível que possa parecer, esta roda gigante a lembrar uma feira popular tornou-se um ponto obrigatório numa viagem a Londres. Pela paisagem abarcadora e esmagadora de Londres que nos proporciona, pela meia hora que passamos rodando lentamente pelos céus dominadores a 135 metros sobre o Tamisa, tentando identificar todos os landmarks que nos vão aparecendo sob os nossos corpos, e, por que não dizê-lo, pela bonita e elegante estrutura das cápsulas da roda gigante.





Acabamos por ter sorte com o horário da viagem: começamos com o entardecer e terminámos com o anoitecer, aproveitando assim as várias cores do céu.
O London Eye abriu em 2000 tendo, inicialmente, planos para apenas 5 anos. No entanto, as voltinhas no ar duram até hoje, até aqui patrocinadas pela British Airways. Notícias recentes dizem que a BA vai deixar de o patrocinar e Richard Branson da Virgin já terá mostrado interesse em substitui-la. Apesar de a despesa com esta estrutura não dever ser coisa de crianças, não admira que muitos se venham a posicionar para o seu patrocínio. Para além dos milhões que todos os anos fazem questão de entrar nas suas cabines para rodar os céus de Londres, há que não esquecer que desde 2005 o London Eye é o ponto das celebrações do Ano Novo, aí acorrendo à volta de 1 milhão de pessoas só nessa noite a olhar especados para os fogos de artificio que saem da roda.
O curioso desta situação, resumindo, é verificar como as cidades se reinventam não apenas na construção de novos edifícios mas também na criação de novas estruturas que, apesar de polémicas, são imediatamente adoptadas pelos cidadãos e logo integradas na cultura popular.
Sem preconceitos, vale mesmo a pena a viagem.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Museus à Borla em Londres

Os museus em Londres são gratuitos. Ou melhor dito, as exposições permanentes dos museus londrinos são de graça.
E isso é bom?
Depende. Do quê? Do trabalho de casa – neste caso é obrigatório escolher-se previamente o que se querer ver.
O nosso trabalho de casa, está mesmo a ver-se, não foi para nota 20. Na verdade, pese embora todas as boas intenções de se conhecer o mais que poderíamos em 2 ou 3 dias, nem ao bom chegámos.
Postas as exposições temporárias de lado, ficámos, ainda assim, com um bom dilema entre braços: com o anoitecer em Londres a chegar pelas 16:00 (não é à toa que os bifes se fartam de elogiar a nossa quantidade de raios de sol) e com os museus a encerrarem pelas 17:30 – 18:00 (ainda que com 1 dia da semana com horários mais prolongados), a escolha colocava-se ainda entre caminhar entre o pulsar das ruas enquanto era dia ou enfiarmo-nos durante esse mesmo dia nos museus.



Acabámos por aproveitar o dia / noite em que a Tate Modern fechava mais tarde e conseguimos ver as suas exposições gratuitas decentemente.
Logo à entrada da colecção de arte contemporânea internacional desta Tate (a de arte nacional fica com a Tate Britain) deparamo-nos com Maman, a aranha gigante de Louise Bourgeois (que tem uma réplica também no Guggheinheim de Bilbao), bem junto ao Rio Tamisa a olhar olhos nos olhos a St Paul´s Cathedral.



O edifício da Tate Modern era anteriormente uma central eléctrica e foi excelentemente reconvertido em museu pelos arquitectos Herzog & de Meuron. A sua localização é fantástica, seja qual for a perspectiva em que nos encontramos: venhamos de caminhar de qualquer um dos lados (do Eye ou da Tower Bridge) deste lado sul do Tamisa, venhamos de atravessar a Millennium Bridge desde a St Paul´s Cathedral ou venhamos até ao 7.º piso do edifício onde fica instalado o restaurante do museu com uma vista soberba de Londres.
A Tate Modern tem vindo a ser considerada não apenas um museu mas também como que uma espécie de parque de diversões.
Vindo até cá entende-se bem.
E fica ainda a entender-se como foi possível que no ano de 2006 tivesse estado aqui em exibição uma instalação de um tobogã que fez com que as crianças desejassem visitar o museu (“Test Site” de Carsten Holler). Afinal de contas, a Turbine Hall, um espaço de 35 metros de altura e 152 metros de comprimento, presta-se a isto e muito mais.
Desta vez a ocupação desde mega espaço foi entregue a Doris Salcedo que aqui trouxe “Shibboleth” e à entrada avisa-se qualquer coisa do género “cuidado onde põe os pés, não caia no buraco”. A artista resolveu apresentar um trabalho que se inicia com uma estreita fenda no chão que se prolonga pela dita centena e meia de metros e que a meio do caminho se vai alargando tanto que se torna mesmo possível que um pé inteiro (ou os dois) lá caiba dentro. Salcedo, colombiana, diz que pretendeu representar as fronteiras, a experiência dos emigrantes e sua segregação, a visão de uma pessoa do 3.º mundo que vem até ao coração da Europa (afirmou ao Sunday Times “It represents borders, the experience of immigrants, the experience of segregation, the experience of racial hatred. It is the experience of a Third World person coming into the heart of Europe. For example, the space which illegal immigrants occupy is a negative space. And so this piece is a negative space. http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/visual_arts/article2617536.ece)
Não sei é se terá muito cabimento para mim apresentar a mesma explicação para o que se passa na garagem do meu prédio, com fendas que mais parecem cópias destas de Salcedo na Tate Modern. Terá Doris andado em instalações no piso -2 da minha garagem? Serão os emigrantes do 3.º mundo? Ou será só uma coincidência?



Feliz coincidência é poder ver obras de Juan Muñoz num qualquer lugar pelo mundo.
Está bem que em Lisboa tal será possível (Berardo tem pelo menos uma obra do espanhol) e no Porto é no minuto que quisermos (basta ir ao Jardim da Cordoaria).
Mas foi muito bonito que ao final do dia, e inesperadamente, tenha ficado a saber que a Tate Modern tem algumas delas expostas, para além de lhe dedicar neste momento uma retrospectiva (desde o fim de Janeiro e até ao fim de Abril). Ao lado deste artista espanhol estão também representados na Tate, como não podia deixar de ser pela pujança da cultura de nuestros hermanos, mais umas duas mãos cheias de seus compatriotas com Picasso à cabeça.
Ainda, como piada e como forma de mostrar que a arte pode ser banal, uma réplica do famoso “Fountain”, vulgo Urinol, de Marcel Duchamp está aqui presente numa sala a poucos metros de uma série de máquinas com variados jogos sempre ocupadas pelos visitantes que se entretêm a distrair os olhos e a mente de tanta contemporaneidade.


Quanto ao British Museum não é exagerado dizer que quase não passámos do Great Court – a tal praça que com a intervenção de Norman Foster em 2000 se tornou a maior coberta da Europa. E ainda que valha a pena vir aqui só para ver esta obra arquitectónica (todo o edifício e não apenas o seu Great Court), é uma pena que não dediquemos nem 1/10 da nossa atenção à colecção deste museu que é, tão somente, um dos maiores do mundo, quer na extensão das suas peças como na sua importância artística e cultural.
A sua colecção abarca verdadeiros tesouros trazidos para Inglaterra pelos Indiana Jones da vida (que, há que dizê-lo com frontalidade, não trouxeram tudo para aqui, deixando muito mais para outras grandes potências – não consigo esquecer que há uma década vi a cidade de Pergamon em Berlim mas nem em fotografias a consigo ver na Turquia).
Dado o pouco tempo que nos restava optámos por nos dirigir directamente aos “highlights” que o próprio museu escolhera. Ou seja, esculturas monumentais quase intactas dos faraós e suas múmias, no que à arte egípcia diz respeito; grandes pedaços da Acrópole de Atenas, incluindo imensos mármores retirados (e agora reclamados pelas autoridades gregas) quase por inteiro ao Parthenon, com esculturas suficientes para que sozinhas resultem num bom museu, no que à arte da antiga Grécia diz respeito.
E foi tudo o que vimos. O elenco do que não vimos não cabe sequer nestas páginas. Mas cabe, sim, uma lágrima derramada por termos perdido a exposição temporária do exército chinês em terracota – desta é que não se pode dizer que fica para a próxima.



No 1.º dia do ano tivemos ainda uns minutos para uma olhadela à National Portrait Gallery, junto à National Gallery. Uma colecção imensa de retratos de várias épocas e em vários suportes, por onde caminhámos rapidamente até chegarmos à sala nossa contemporânea. Aqui reconhecemos diversos personagens desde Winston Churcilll, Doris Lessing, Paul McCartney, os Blur de Julian Opie ou a omnipresente Diana.
Mais um a ver com a máxima atenção e, de preferência, a não repetir num pacote juntamente com o vizinho National Gallery – para não cansar de tanta cultura gratuita.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Os Novos Edifícios de Londres

Dos novos edifícios de Londres, os que mais gostei de admirar, circular e sentir o seu carisma foram o City Hall e, mais que tudo, o “30 St Mary Axe” – ambos projectos de Sir Norman Foster.



O City Hall está instalado desde 2002 na margem sul do Tamisa, a pouquíssimos metros da Tower Bridge.
Tomou uma forma curiosa, uma espécie de Torre de Pisa do século XXI pela sua inclinação propositada, ao que alguns chamam “ovo de vidro” e outros, designadamente o próprio Mayor de Londres, Ken Livingstone, preferem chamar “testículo de vidro”.



Aproveitando ainda a sua localização agradavelmente privilegiada, no exterior do edifício existe uma área “The Scoop” que serve de anfiteatro onde se realizam diversos programas de entretenimento. Ou seja, apenas mais uma animação para a margem Sul do Tamisa que para além da Tower Bridge tem ainda como chamariz a pouca distância a Tate Modern, o Southbank Centre (mega complexo de artes e espectáculos), o National Theatre e o Eye.


E quanto ao “30 St Mary Axe” – nome da rua onde está instalado (ou “The Gherkin” – pela sua forma de pepino – ou “Swiss Re Tower” – nome da seguradora que primeiro o ocupou)?
Bom, este foi uma agradável surpresa.
A sua construção terminou em 2004 mas desde aí que tem vindo a firmar todo seu carisma, seja por ser um dos edifícios mais altos de Londres (180 metros), seja por ser projecto de Norman Foster, seja por ter aparecido nos filmes Instinto Fatal 2, com Sharon Stone, ou Match Point, de Woody Allen.
Ou seja, simplesmente, por ser bonito, todo de vidro, parecendo um pepino, um foguetão ou qualquer coisa com forma fálica.
Talvez seja isso – um edifício que pode representar muitas coisas ao mesmo tempo, que se presta a dar largas à nossa imaginação, que fica registado na nossa mente e que ainda para mais é amiguinho do ambiente.



E na minha admiração pelo “The Gherkin” pareço não estar sozinha. Afinal, este foi eleito em 2006 pelo povo de Londres o melhor novo edifício e é actualmente um dos mais amados de todos os que compõem o seu skyline.



E a sua forma alongada de foguetão pronto a ser disparado rumo ao céu é visível quase que de toda a parte (diz-se até que se vislumbra a sua silhueta a cerca de 20 milhas de distância), tornando-se ainda mais facilmente identificável e simpático à noite, quando as luzes dos seus 41 andares se mantém acesas e o efeito destas sobre o vidro escuro redondo nos dá uma imagem ainda mais futuristica.



O mais curioso é que sendo este um dos edifícios mais altos de toda a Londres, está implantado numa área da City, bem no meio do seu distrito financeiro, entre ruas estreitas com uma só faixa de circulação automóvel. Aparece-nos, assim, quase que entalado entre ruelas e outros edifícios bem mais baixos, deixando-nos tão pouco espaço para o circundarmos que quase que os nossos pescoços não conseguem alcançar toda a sua extensão vertical.
As fotos, essas, é garantido: com uma máquina com um zoom banal (como é o nosso caso) é impossível caber lá todo o edifício. Ficam, todavia, algumas panorâmicas interessantes.




Outro ponto de interesse perto do “The Gherkin” é o “Lloyd´s Building” de Richard Rogers, o arquitecto (juntamente com Renzo Piano) do Centro Pompidou de Paris e que, à semelhança deste, tem como atractivo ter determinados equipamentos como as escadas e os canos de electricidade e água no exterior do edifício, daí resultando uma imagem mais própria de filmes de ficção científica.
Sem fotos, todavia, as quais ficarão para uma próxima, quando a construção do edifício “122 Leadenhall Street”, uma torre de 225 metros de altura do mesmo Richard Rogers, estiver completa.

domingo, janeiro 27, 2008

Voltar a Londres


2 símbolos de Londres: o underground e o Harrods

Londres será, provavelmente a par do Rio de Janeiro, a cidade para onde mais vezes viajei.
Não retornava desde 2000 e, apesar do que escrevi na linha acima, levava muitas dificuldades para me orientar pelos seus caminhos. Quero dizer, olhar para o mapa de Londres, com a sua City em grande plano, não me era – e continua a não ser – um exercício muito fácil e imediato.
Quando procuro uma explicação para tal – ainda que sabendo que a orientação não é o meu forte e que conto sempre com a ajuda da mana para esta tarefa, ela sim barra nestas coisas de não ter que virar mapas de cabeça para baixo e, muitas das vezes, até deles prescindir – a explicação busco-a, dizia, no facto de em Londres se recorrer muito ao metro para as deslocações. Com isso, as ligações entre os boroughs e a direcção que deveremos tomar é nos apresentada e fica na nossa memória quase em exclusivo sob a forma do mítico diagrama do underground londrino.
Desta vez tentei esforçar-me mais e prometi para mim mesma que não demorarei outros 7 anos para voltar. Pretextos e projectos para o futuro? Para o ano de 2009 irei em meados de Abril para participar na Maratona de Londres e, quanto muito, para o ano de 2012 irei pela primeira vez assistir a uns Jogos Olímpicos.


Londres em obras

Voltando aos dias de hoje e ao real, havia lido que esta é uma boa altura para visitar Londres. Para além de ser cada vez mais a capital mais cosmopolita da Europa, os novos projectos arquitectónicos não vêm parando desde o início do novo milénio (já tinha tido oportunidade de conhecer o controverso e falhado Millennium Dome de Richard Rogers) e hoje têm o seu lugar lado a lado com alguns dos mais históricos edifícios da cidade.
Exemplos?
Para além do ainda em expansão super vigiado distrito de negócios que é Canary Wharf, a nova Londres ganhou recentemente como símbolos o “30 St Mary Axe” ou “The Gherkin” (pepino que se vê quase de qualquer canto da cidade), o City Wall (bem juntinho à muito fotografada Tower Bridge), a nova cúpula do Great Court do British Museum (que assim se tornou a maior praça coberta de toda a Europa), a Millennium Footbridge (ligando a Catedral de St Paul à Tate Modern) e, entre outros, o novo estádio de Wembley.
Característica em comum? Todos estes são projectos do atelier de Sir Norman Foster.
Será, então, que não existirá mais nenhum arquitecto que possa vir aqui deixar a sua marca? Calma, muitos mais terão a sua oportunidade, que os Jogos Olímpicos de 2012 são apenas mais um mero pretexto para que Londres continue a sua reconversão rumo à modernidade.
Está confirmado: estes e os próximos são tempos ideais para se revisitar Londres.


Ponte para o novo milénio

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Eye no 2008



A passagem do ano 2007 para o ano 2008 foi aqui.
Pela foto não dá para descortinar grande coisa, a não ser o ambiente de festa e a ânsia de todos o documentarem fotograficamente.
Vislumbra-se um género de roda gigante e logo se pressente algo pindérico.
Pois. Acontece que o London Eye tornou-se um símbolo da cidade de Londres, comparado ao que a Torre Eiffel é para Paris, não um objecto num parque de diversões mas antes um miradouro onde a nossa vista alcança todos os contornos da cidade que se desenvolve abaixo dos nossos corpos.
E mais.
Desde o princípio do milénio que “a” passagem de ano em Londres é feita vendo os fogos de artifício a voarem desde a gigantesca roda e a mergulharem nas águas do Tamisa, logo após as 12 badaladas do mítico Big Ben ali mesmo em frente.
Há quem diga que esta é a melhor festa de passagem de ano e que o seu show pirotécnico se vê até desde o Parque de Hampstead e Primrose Hill.
Não o sei.
Sei apenas que a festa foi bonita e, ao contrário do que pudesse ser de imaginar, quer pela fama de beberolas dos bifes quer pela multidão à nossa volta (falou-se em cerca de 700 mil pessoas), tudo aconteceu de uma forma muito ordeira. Incrivelmente ordeira, até, a ver pelas centenas de pessoas na fila de uns 200 metros para o último chichi do ano nas casas de banho portáteis junto ao Tamisa. Apesar de se ouvirem e verem muitos estrangeiros, incluindo portugueses, de certeza que os nossos compatriotas não estavam na bicha. Afinal, qual o macho que é macho que espera na fila para verter águas? E afinal, também, fazer fila e nela esperar não é o desporto favorito dos ingleses?
Ok, tudo bate certo.
Incluindo as 2 horas que se demorou a voltar para casa, num percurso que não demoraria mais de 30 minutos. Tivéssemos ido a pé. Ou esperávamos que as estações de metro estivessem todas abertas e apenas ao nosso serviço? 700 mil pessoas, não esquecer.
Bom 2008 para elas e para todas as outras.