sábado, agosto 20, 2011

Saadiyat, a ilha da cultura

Os planos para a ilha de Saadiyat são entusiasmantes e, como não podia deixar de ser, ambiciosos e milionários.
As maquetes e bonecos dos projectos mais importantes pensados pelos arquitectos mais importantes:


Museu Guggenheim, de Frank Gehry


Museu do Louvre, de Jean Nouvel


Performing Arts Centre, de Zaha Hadid


Zayed National Museum, de Norman Foster


Museu Marítimo, de Tadao Ando

Grande Mesquita de Abu Dhabi em Fotos

























Abu Dhabi



Abu Dhabi é a capital dos Emirados. O seu nome significa "pai das gazelas" e este é o Emirado com as maiores reservas de petróleo e gás e, por comparação ao vizinho Dubai, tem sido mais consciente, controlado e sustentado na loucura da construção de edifícios, parques temáticos e ideias estapafúrdias. Mas isso não quer dizer que também não tenham os seus instintos de petro ricos e não avancem megalomania afora. Exemplos: a maior Mesquita fora da Arábia Saudita, a criação de uma ilha artificial para albergar um circuito de Fórmula 1 e o parque Ferrari World, um hotel de não sei quantas estrelas tão luxuoso e distinto que é confundível com a residência oficial do sheik e, o que será a cereja no topo do bolo, previsão para os próximos anos de construir a ilha da cultura, com projectos dos maiores arquitectos do mundo para albergar o novo Guggenheim, o novo Louvre e mais um museu marítimo. Isto, faça saber-se, num país onde o maior museu não é maior do que qualquer museu de uma qualquer província de Portugal.
Abu Dhabi é mais conservadora do que o Dubai. Para nós, o tratamento especial que é dado às mulheres livrou-nos de ficar numa fila que nunca mais acabava na volta do autocarro à noite para o Dubai. Daqui até à capital é cerca de 1 hora e meia numa estrada sempre em excelentes condições e num autocarro confortável que está sempre a sair.



Em Abu Dhabi a imagem do sheik é omnipresente, com fotos por tudo o que é local. A devoção que lhe é prestada só é ultrapassada pela devoção a Alá. Comecemos então por dedicar umas linhas à Mesquita.





Como havia referido atrás, a Grande Mesquita de Abu Dhabi é a maior do mundo tirando a de Meca e Medina na Arábia Saudita. Aqui parece que entramos no reino do mármore e do ouro. Mas o branco intenso é o que domina esta imensa estrutura de minaretes, arcos e colunas, corredores, terraços e salas de oração, a uns quantos kms do centro da cidade, cerca de uma hora de autocarro. Aqui encontramos um mausoléu com o túmulo do sheik Zayed Bin Sultan Al Nahayan, onde um cântico de um grupo de 10 imans que vão lendo o Corão 24 horas por dia, todos os dias, o acompanha. Para além desta ser a maior Mesquita é também das poucas que os não muçulmanos podem visitar. As não muçulmanas, mesmo vestidas de uma forma bem comportada, observando as advertências do conservadorismo do Emirado, são obrigadas a usar uma veste que nos cobre da cabeça aos pés de um preto mais preto do que a minha avó viúva usa. E se o véu cai, como aconteceu insistentes vezes, e nos deixa uma ponta do cabelo à mostra, lá vem prontamente o senhor da Mesquita que zela pelos bons costumes avisar-nos para o compormos.



Para além do impressionante domínio do mármore e do ouro, encontramos ainda cristal de Murano e Swarovski usados para o maior candeeiro do mundo. Na grande sala de oração, com capacidade para 35000 fiéis, para alem dos deslumbrantes candeeiros, impera o tapete persa de uma soo peça que o cobre, feito por mais de 2000 mulheres no Irão, com o peso de 38 toneladas e que, como não podia deixar de ser, é o maior do mundo.







Não muito longe dali, na direcção contrária ao centro da cidade, fica a tal ilha artificial que acolhe um GP de F1, a Yas Island. O circuito está instalado numa marina, com vilas e um hotel no meio. Um hotel lindíssimo, há que acrescentar. Para quem gosta do desporto automobilístico, deve ser fantástico estar no deck de um barco, na varanda de uma vila ou no terraço do hotel a ver os carros passar em alta velocidade com o seu vruumm, vruumm característico.



Ali perto fica o Ferrari World, parque temático da marca do cavalinho rampante com atracções para todos os gostos, desde uma montanha russa à experiência de um test drive.





De volta à cidade, a sua corniche é linda e é uma maravilha caminhar ao seu longo, praias sempre bem arranjadinhas, com o mar de um azul tão intenso que só encontra rival na areia de um branco igualmente intenso. Este contraste dos elementos tem como resultado um postal irreal, sendo uma verdadeira surpresa que o Golfo Pérsico possa nos dar estas tonalidades que mais se espera encontrar nas Caraíbas ou na Polinésia.





No fim da corniche, que percorremos corajosamente durante uns kms sob um calor abrasador (ficamos com as camisolas tão coladinhas ao corpo que se fosse em Portugal de certeza que ganharíamos um convite especial para participar no concurso Miss t-shirt molhada do Correio da Manhã), fica o Emirates Palace, o tal que, se não estivéssemos em terra de petróleo em abundância, só podia ser a residência de um governante. Mas não, é um hotel cuja visita é atracção turística imperdível. Os seus salões são de um luxo só, os seus tectos hipnotizam e as suas casas de banho... bem, qualquer uma fica uma verdadeira bimba a olhar para aquelas torneiras e balcões acompanhados de ouro.





E por falar em companhia de ouro, podemos sair deste hotel com um bocado dele, uma vez que temos aqui uma espécie de ATM que em vez de nos dar notas dá-nos barras de ouro. Muito à frente...

E para o fim fica aquilo que me faz desejar voltar aos Emirados daqui a aproximadamente uma década para ver a evolução louca que não vai deixar de ter. Abu Dhabi tem como projecto fazer da ilha Saadiyat (http://www.saadiyat.ae/en) um espaço de cultura e, para isso, contratou os melhores arquitectos do mundo para projectarem as infra-estruturas que irão acolher as obras que o país não tem e que, faço ideia como €€€, irão passar a ter. Frank Ghery irá ficar com a nova filial do Guggenheim (à semelhança do que aconteceu com a de Bilbao), Jean Nouvel com o novo Louvre, Zaha Hadid com o performing arts center, Norman Foster com o museu nacional, Tadao Ando com o museu marítimo e mais, muito mais. Tudo isto já tinha ouvido sem crer muito. Mas agora vi as maquetas de sonho numa exposição no Emirates Palace (ah, esqueci de dizer que também tem um centro de exposições) e, não fosse a crise que se abateu um pouco por todo o mundo, não tendo os Emirados sido excepção, este projecto estaria para muito breve. Assim, dou-lhe a tal década.
Então ate lá.

quinta-feira, agosto 18, 2011

Sharjah

Sharjah é um emirado que fica pertíssimo do Dubai, com ele fazendo fronteira logo a seguir a Deira. É considerado um dos mais conservadores, sendo proibida a venda e o consumo de álcool. É ainda aconselhável que se tenha algum tento no vestuário, e isso não apenas para as mulheres, pois também as pernas ao léu dos homens não serão bem-vindas.



Como curiosidade, dizer que Sharjah tem alguns enclaves e olhando para o mapa é quase um passatempo ir descobrindo um pedacinho deste emirado aqui, mais um ali, costa para o Golfo Pérsico, depois costa para o Golfo de Oman – o que é único entre os emirados.



É ainda conhecido por possuir vários museus (embora numa escala nada comparada com aquilo que Abu Dhabi planeia para os próximos anos), mas pelos vistos os locais não sabem sequer onde eles se situam, senão, vejamos. Chegadas à cidade sem qualquer mapa connosco, demos logo de caras com o bonito souk com uma espécie de azulejos de várias tonalidades de azul. Olhando para a paisagem à frente não nos conseguíamos sintonizar. Fomos andando até que, seguindo o conselho de só pedir indicações a mulheres, perguntamos a uma senhora onde ficava o Sharjah Art Museum. Como não sabia pediu ao marido que estava no carro para nos dizer. Este também não sabia e vendo o número de telefone que tínhamos numa brochura ligou para lá para lhe indicarem a sua localização exacta. Como se não bastasse toda essa simpatia, ainda nos disse para entrarmos no carro que nos ia lá levar. O mais engraçado é que este casal que nos deixou mesmo no meio da cidade (e aí vimos que estávamos mesmo à deriva) era indiano, como não podia deixar de ser, mas indiano de Goa. Não dissemos ADEUS, mas thank you and goodbye, língua universal em qualquer emirado.

O Sharjag Art Museum é o maior museu de arte contemporânea de todos os Emirados. Mas está longe de ser grande. Todavia, as obras que acolhe valem a visita: quadros de David Roberts com as paisagens arábicas que foi pintando ao longo da vida, bem como de outros pintores que se dedicaram a pintar a mesma temática. O edifício é ainda muito acolhedor.





Num raio de poucos metros existe uma série de outros museus (ver em http://www.sharjahmuseums.ae/) e é possível observar como eram as habitações antigas por aqui. A torre característica, para controlo do calor, tem aqui vários exemplos ainda presentes.



Este emirado não é nada exuberante, ainda para mais se o compararmos com o Dubai ou com Abu Dhabi. É, no entanto, marcado na paisagem pelos prédios altos, e mantém igualmente um cuidado com o espaço público, sendo visíveis muitos jardins. A zona do porto não será formosa, mas é muito interessante ver a azáfama de uns e a preguiça de outros nos barcos que por lá passam ou que por lá estão atracados.

Instantes do Dubai


Isto também é Dubai


Os verdadeiros locais, ela de preto, ele de branco


O Creek


Todos usam o barquinho para atravessar o Creek


Fim de tarde junto ao Creek


As praias do Golfo: areia branquíssima com água azulíssima


O Burj al-Arab a brincar às escondidas


Não é só a água do mar com cores especiais


O Burj Khalifa com o lago. Parece cenário, não?


Construção em altura não é sinómino de sufoco - para além da água do lago, o Burj Khalifa ainda tem a companhia do verde das árvores


Tradição no pormenor do candeeiro, modernidade e tecnologia no prédio mais alto do mundo


Peixes, uma bóia, um túnel, uma senhora com véu. Será um aquário? Estamos mesmo dentro de água?