quinta-feira, agosto 25, 2011

3.º Dia em Lanzarote



Iniciamos o dia na “Casa” de José Saramago, cujo relato da visita deixo para post autónomo. Depois de sairmos de Tias seguimos para a Fundação de César Manrique em Taro Tahíche. Curiosamente, quando Saramago chegou a Lanzarote para lá se instalar, o grande nome da ilha havia falecido há pouco e, por isso, não se chegaram a cruzar. Saramago como que veio assim a preencher o lugar vazio de guardião do bom urbanismo e equilíbrio com a natureza no desenvolvimento da ilha, sucedendo de alguma forma a Manrique (e na "Casa" de Saramago podemos mesmo ver um quadro de Manrique).



Esta Fundação está instalada no que foi a própria casa do artista e abriu portas em 1992, meses antes da sua morte. O lugar, no seguimento das anteriores obras que lhe vimos, é pleno de aproveitamento dos contrastes da ilha. Construída num campo de lava, o edifício branco é muitas vezes invadido pela lava, com as janelas a mediarem o combate. Se o houvesse, porque tudo aqui é extremamente pacífico e equilibrado.



No piso inferior vemos o aproveitamento dos buracos criados na terra pela lava, as "borbulhas", umas decoradas com mobiliário, designadamente sofás e mesas, brancos, outros vermelhos, outro ainda com as paredes em preto. Tudo espaços para serem vividos, seja a confraternizar com amigos, seja sozinhos com nós mesmos (ou Manrique sozinho, que parece que já estou a fazer da sua casa minha), com um buraco natural no tecto que deixa entrar a luz suficiente mas, incrivelmente, mantém a área fresca.





Ainda neste piso baixo encontramos um espaço para o barbecue e uma piscina luminosa, aproveitando o contraste do branco branquíssimo e do azul azulíssimo. Nas demais salas, uma no piso inferior e outras no superior (onde ficava a sala, dormitório e cozinha) encontramos pinturas de Manrique e outros artistas pertencentes à sua colecção privada. À parte os quadros, impossível não nos deixarmos deslumbrar com os cortes nas paredes com a introdução de janelas que criam um prolongamento do espaço rumo à montanha e à terra de lava.






Se não tivéssemos tido já provas bastantes de que a arte do homem e a arte da natureza podem conviver lado a lado nesta ilha, teria-mo-la na costa de Famara, a poucos minutos de carro desde a obra arquitectónica do grande artista da terra.
Aqui nesta praia no lado noroeste existe um montão de lojas e escolas de surf, mesmo se as condições neste dia não estavam grande coisa. Mas existe também uma simpática pequena vila, Caleta de Famara, com casas de pescadores ou de veraneio mesmo junto ao mar, onde se come umas boas lapas e mexilhões. Tivesse um dia de sol sem nuvens e a vista para o Risco de Famara, uma espécie de montanha em precipício, e para o braço El Rio seriam soberbas.



De volta para o centro da ilha passamos pelo Museu do Campesino e seguimos para as praia da muito sem graça turistica Costa Teguise, a não ser pelas boas condições para o windsurf.






Para o fim da tarde ficou a visita a Arrecife, capital de Lanzarote. Para ver, o Forte de San José, onde está instalado o Centro Internacional de Arte Contemporáneo, com poucos quadros em exposição, mas com um bar / restaurante com mobiliário e vistas bonitas para o porto. Mais uma vez, o impulso desta adaptação do forte a museu foi de César Manrique.





Arrecife é pequena e a zona central fica junto ao Charco de San Ginés, reentrância do mar na cidade, com os barquinhos pequeninos dos pescadores a colorirem esta espécie de baia. Existe ainda um outro forte, o de San Gabriel e, um pouco mais à frente, a praia citadina de Reducto.

quarta-feira, agosto 24, 2011

César Manrique



Apenas dia e meio em Lanzarote e é já imediata a conclusão da importância de um homem para o equilíbrio que se vê e sente aqui entre a natureza e a arte.
César Manrique nasceu e viveu em Lanzarote, com um interregno em Nova Iorque, até ao final da sua vida, o que aconteceu em 1992, com 73 anos. Este pintor, escultor, arquitecto, urbanista e ecologista foi o grande impulsionador do desenvolvimento sustentável e equilibrado da ilha, não se vendo os tamanhos disparates e atentados que existem em tantos outros pedaços virados maioritariamente para o turismo. Para além disso deixou a sua arte um pouco por todos os cantos e faz com que seja mais fácil encantarmo-nos por Lanzarote.
Exemplos de intervenções arquitectónicas e urbanísticas de César Manrique em Lanzarote:
1968 – Jameos del Agua
1968 – Taro de Tahíche
1969 – Casa del Campesino
1970 – Restaurante el Diablo (Parque Nacional Timanfaya)
1973 – Mirador del Rio
1974 – Castillo San José – Museo Internacional de Arte Contemporáneo
1990 – Jardin de Cactus



Para além disso criou ainda uma imagem marcante para estas atracções turisticas

Jardin de Cactus



Alguns exemplares desta ora selva, ora deserto











2.º Dia em Lanzarote

No segundo dia, já com o carro alugado na véspera, saímos rumo a norte para conhecer a ilha. Fomos em direcção aos Jameos del Agua, talvez a maior atracção de Lanzarote juntamente com o Timanfaya.



Os Jameos são consequência da erupção do Vulcão de la Corona, a qual criou um túnel que formou várias aberturas na terra - os Jameos, aberturas derivadas do desprendimento parcial do tecto deste túnel. O nome Jameos del Agua deve-se a um inesperado lago que se encontra dentro do túnel. Depois de ao nível da terra descermos para uma espécie de cova onde se encontra instalado um restaurante, descemos mais um pouco e aparece-nos uma massa de água numa outra espécie de cova com aberturas no tecto. A cor da água já é fantástica, mas com a luz do céu a entrar pelas estreitas fissuras, então, incandesce-nos de tão sobrenatural que se torna o cenário.



Luminoso é talvez a palavra mais acertada para descrever o fenómeno que toma este lago pejado de pequeníssimos caranguejos cegos e albinos. Depois de o atravessarmos por um caminho lateral, subimos até à superfície e ficamos frente a frente com uma piscina azul, pintada de um branco vivíssimo a toda a volta e rodeada de um jardim luxuriante de cactos, palmeiras - com destaque para a palmeira deitada - e outra vegetação, num projecto arquitectónico e paisagístico de César Manrique. Falta dizer que esta piscina e esta floresta estão encravadas na rocha escura vulcânica, o que, uma vez mais, trás ao de cima os contrastes na paisagem de que Lanzarote é pródiga, ou não estivesse ainda o mar do Atlântico mesmo ali à espreita.
Para além deste plateau da piscina há um auditório deslumbrante no interior de uma gruta, onde graças à sua especial acústica se apresentam concertos e peças de teatro e ballet. Não é fácil deixar este local, onde a natureza e a arte humana andam de mãos dadas.







Mesmo ali ao lado fica a Cueva de los Verdes, também consequência da erupção do La Corona e do túnel então formado. São seis kms que correm em direcção ao mar, mas a visita ao sítio resume-se a uma caminhada de cerca de um km pelas entranhas da terra. Ao contrário das outras grutas de lava, esta não é húmida nem aqui se formaram estalactites ou estalagmites. Apesar das várias cores que a rocha aqui toma, o verde é uma das que não encontramos. O nome da cova deriva de uma família de pastores que para ali costumava ir pastar o seu rebanho, família esta que era conhecida por “os verdes”. E assim ficou o nome da cova, que já foi em tempos refúgio dos habitantes de Lanzarote para se protegerem dos piratas no século XVII. Mas o mais surpreendente aqui é quando nos acercamos do que só pode ser um altíssimo buraco / precipício, onde discernimos claramente lá para baixo as várias formas e tonalidades das rochas; até que o guia lança uma pedra em sua direcção e, em vez de esperarmos uma eternidade até que a dita pedra caia no fundo imenso do dito buraco, ela esbarra imediatamente na água de um, afinal, laguinho. Uma ilusão óptica perfeita que é uma surpresa perfeita para terminar esta aventura pelo interior da terra.







O almoço aconteceu tardiamente no vilarejo de Orzola, onde se come bom peixe. Antes desta terriola fica a praia Charca de la Laja, mais uma surpresa pela água de um azul claríssimo a contrastar com os pedaços escuros de rocha que ali substituem a areia.



De Orzola saem os barcos para a pequena ilha da Graciosa, a tão curta distância de Lanzarote que me pus logo a imaginar que seria um bom lugar para se tentar alcançar a nado.



Não fomos à ilha mas vimo-la cá de cima desde o Mirador del Rio, que deve o nome ao braço de água que separa Lanzarote da Graciosa e outras ilhotas – o El Rio. Para além destas ilhas este miradouro permite vistas fantásticas do Risco de Famara a 475 metros de altitude. O interessante é apercebermo-nos que a uma praia com areia escuríssima e pedra de lava segue-se de imediato uma praia com areia clara. Este miradouro fabuloso tem ainda uma vista a pique da montanha em que está instalado e um restaurante com janelas largas com uma vista panorâmica soberba. Como não podia deixar de ser, este local é também um projecto de César Manrique.





Daqui seguimos calmamente, primeiro pela estrada junto à costa, com uns pontos panorâmicos muito bonitos para a costa ocidental, depois pela estrada interior, onde observamos os terrenos agrícolas de terra preta de lava com plantações verdejantes, como vinha. A ilha na sua parte norte é estreitíssima e, ora num momento se admira a costa ocidental, ora logo em seguida damos de caras com a costa oriental, com Arrieta mesmo à nossa frente.







Neste dia de muitas voltas arranjamos ainda tempo para, mesmo à justa, conseguir entrar para conhecer o Jardin de Cactus. Esta é outra intervenção de César Manrique, com uma diversificada, luxuosa e exuberante colecção de cactos originários um pouco de todo o mundo. Mais uma vez os elementos da natureza conseguem aqui uma plena integração, com a aridez e desolação dos cactos a jogarem um mano a mano com a paisagem escura e dura.



Mas para atenuar quaisquer efeitos mais pesados, Manrique criou uns laguinhos com nenúfares e um idílico moinho, que fazem companhia aos cactos de todas as formas e feitios distribuídos por um caminho intrincado e em vários níveis. Observamos cactos altíssimos e outros tão pequenos que quase nos arriscaríamos a pisá-los. Uns com flores pretas, outros brancas, outros vermelhas, outros ainda sem flor. Uns com espinhos que nos atemorizam e outros que parecem tão fofos que quase nos convidam a neles sentar para descansar da jornada e melhor realizar o quão diversa acaba por ser esta ilha de contrastes e surpresas.

terça-feira, agosto 23, 2011

Lanzarote



A primeira impressão da chegada a Lanzarote por avião é a do aeroporto mesmo ali juntinho à água, num voo razante que nos faz pensar que vamos ter ali a primeira experiência náutica naquele pedaço de Atlântico da ilha do arquipélago das Canárias, juntamente com a ilha Fuerteventura, mais perto de África.
A segunda impressão, que não demorou muito a seguir-se, é a de que vou gostar da ilha, muito. Vêem-se cones vulcânicos a destacarem-se da paisagem árida, inóspita mas acolhedora, o escuro da terra, umas vezes castanho, outras mesmo preto, a contrastar com as casas brancas. Todas. Vislumbram-se os vilarejos, Puerto del Carmen aqui, Tias ali, Arrecife além. Ponto em comum? Todos povoados brancos. De Arrecife observa-se ao longe o único edifício alto da ilha, será um mamarracho à beira mar.



À volta de Puerto del Carmen, a estância turística mais concorrida, com a sua Playa Grande com os chapéus de sol azul e laranja, fica a marina de Puerto Calero (onde se comem umas boas lapas e uns bons mexilhões) e as praias de Pocillos e Matagorda, onde assentamos arraiais. Lugares sem muita história, mas que deixaram muita expectativa para o que veríamos nos próximos dias.

sábado, agosto 20, 2011

Mundo Árabe



Antes de conhecer in loco algo do mundo árabe, se tivesse que escolher uma foto que o mostrasse seria exactamente esta, tirada em Amman. É mesmo igual àquelas imagens que aparecem nos filmes palestinianos / israelitas, não?

Saadiyat, a ilha da cultura

Os planos para a ilha de Saadiyat são entusiasmantes e, como não podia deixar de ser, ambiciosos e milionários.
As maquetes e bonecos dos projectos mais importantes pensados pelos arquitectos mais importantes:


Museu Guggenheim, de Frank Gehry


Museu do Louvre, de Jean Nouvel


Performing Arts Centre, de Zaha Hadid


Zayed National Museum, de Norman Foster


Museu Marítimo, de Tadao Ando

Grande Mesquita de Abu Dhabi em Fotos