quarta-feira, abril 07, 2010

Alguns Jardins

Desde pequena que o nome “Via Rara” me é familiar por o ver inscrito em algumas camionetas que iam passando pelo meu bairro.
Santa Iria da Azóia, essa, parecia-me qualquer coisa assim lá para os confins de não sabia muito bem onde.
Até que há 3 anos fui enviada pelo trabalho para a dita Santa Iria da Azóia e descobri que ficava a menos de 10 minutos em linha recta de carro da minha casa. E que afinal iria passar a trabalhar, precisamente, em Via Rara. Fiquei, assim, a saber que Via Rara é nome de terra, mas ainda continua um nome estranho.
Toda esta zona do concelho de Loures é assim como que um verdadeiro paraíso dos clandestinos. A partir de São João da Talha segue-se Estacal, Portela da Azóia, Pirescouxe, Bairro da Primavera, Bairro da Areola, Bairro do Funchal, e por aí vai. Cada um com a sua quota de moradias construídas ao sabor e ao gosto da maré da época, com estradas sem saída ou que não se sabe muito bem aonde vão dar.
Mas este post pretende ser elogioso e dedicar-se às coisas boas à volta de Via Rara: os seus parques e jardins. E neste departamento não está nada mal servida. Aqui vão uns exemplos:

Jardim de Via Rara – com banquinhos para sentar e imaginar a vista fabulosa que teria aqui há uns anos, antes de os prédios taparem o rio. Mas ainda subsiste o lago com os patinhos, algo totalmente inesperado por estas paragens.



Jardim do Castelo de Pirescouxe – a circundar este imóvel classificado como de interesse público. Somos parte do património cultural português, não é pouca coisa, assim como não o é a vista para o rio, aqui totalmente desobstruída. E dentro das ruínas do Castelo, para além de um simpático cafezinho, podemos seguir aliando o relax do jardim à cultura, assistindo a uma das exposições que aí vão tendo lugar.





Parque Urbana de Santa Iria da Azóia – e, porque nunca é de mais repeti-lo, a vista para o rio aqui é soberana. Lá no alto, com o monte a dividir a natureza do Tejo da indústria do Homem, é possível caminhar por diversos trilhos, pedalar, andar de skate, brincar com as crianças, usar a pista de MotoCross, aprender com um dos projectos educativos ou, simplesmente, estender a toalha no verde da relva e deixar-se ficar ali, no topo de Santa Iria de Azóia.







quarta-feira, março 03, 2010

Castelos Para Crescidos

No fim da Romantic Road (caminho que vai ligando algumas das mais pitorescas vilas da Baviera) fica Fussen, a porta de entrada para dois dos inúmeros castelos que vamos encontrando por estas paragens.



Deixemos de lado o Schloss Hohenschwangau, bonito, sim senhor, mas visitado mais por cortesia ao seu vizinho. Tem no entanto direito a uma foto.





O que todos querem ver, chegar perto e tocar é o Schloss Neuschwanstein. Todas as frases feitas cabem aqui. Merecidas. Ainda por cima o castelo fica no topo de uma montanha. E tem outras montanhas com topos donde se pode alcançar uma vista quase de pássaro sobre ele (às quais não chegámos). E tem também uma ponte – a Marienbrucke – sobre uma altura muito respeitável e com uma queda de água num dos lados que confere ao cenário ainda mais fantasia. Por que é disso mesmo que se trata: fantasia.



O castelo que Ludwig II da Baviera mandou construir teve o seu início em 1869 e nunca chegou a ser terminado no seu reinado. Dedicado e inspirado pelas óperas de Richard Wagner, a sala do trono – acabada – é belíssima. Mas o mais deslumbrante é mesmo a sua arquitectura exterior, não nos deixando outra analogia senão com um castelo de lego ou um castelo de um filme de princesas da Disney. Ainda para mais, o cenário que o rodeia, de montanhas alpinas ora verdejantes ora cobertas de neve, convida de forma inescapável a um passeio. A não perder, pois, a caminhada de cerca de meia hora entre os dois castelos, Hohenschwangau e Neuschwanstein, e entre este último e a Marienbrucke.

Desporto em Munique

Em Munique é fácil dedicar um dia inteirinho ao desporto, variando as modalidades, integrando-nos na arquitectura e na paisagem da cidade e, ao mesmo tempo, sentir que estamos a fazê-lo em locais e equipamentos cheios de história.



A proposta é começar logo cedo o dia com uma improvável surfada no rio Ivar, em pleno Englischer Garten. Um aviso, porém: muita coragem será necessária para combater as temperaturas negativas do Inverno, vestir um fato com muitos milímetros e entrar nas certamente gélidas águas onde se forma esta curiosa onda, a incontáveis kms de qualquer costa.
Aproveitando que estamos num dos maiores parques urbanos da Europa, podemos prosseguir o dia com uma caminhada ou um jogging para aquecer ou, porque não, pedalar por um dos seus trilhos, tentando não atropelar nenhum nudista que nos apareça pela frente (convenhamos que, apesar do nudismo neste parque ser habitual, tal não deverá ser muito comum durante o inclemente Inverno, brrr…).





À boleia da excelente rede de metropolitano, a próxima paragem será o Parque Olímpico, onde decorreram os Jogos Olímpicos (de Verão) de 1972. Neste complexo, com muitos espaços verdes e com a omnipresente torre olímpica a dominar, bem como o quase idílico lago central (infelizmente sem água pela altura em que visitámos), é de espantar a contemporaneidade estética dos vários equipamentos desportivos. Quem diria que passaram já quase 40 anos e ainda têm utilização. Pública, o que é mais importante e impressionante, como é o caso da mítica piscina onde Mark Spitz alcançou “apenas” 7 medalhas de ouro (proeza só batida por Michael Phelps, com 8 medalhas de ouro ganhas em Beijing 2008).





O Estádio Olímpico, esse, não tem tido uma utilização tão frequente no que a eventos desportivos diz respeito, mas é também utilizado para concertos e outros espectáculos de diversão. A sua arquitectura é fantástica, parece uma gigantesca tenda (à semelhança da piscina) de vidros de acrílico sustentados por cabos de aço.



Segue-se, neste itinerário, o moderno e recente Allianz Arena, o novo estádio da cidade inaugurado em 2005. Mas, respeitando a história e os marcos dominantes, os seus arquitectos inspiraram-se no estádio olímpico e homenagearam-no utilizando uns painéis a cobrir todo o exterior do estádio que remetem directamente para os tais vidros em acrílico do anterior estádio. A novidade é que estes painéis são brancos, mas mudam de cor conforme lá joga uma das duas equipas da cidade: vermelho para o FC Bayern Munchen ou azul para o TSV 1860 Munchen.
Depois deste extenuante dia, tempo ainda para ir de compras ao imenso armazém Schuster, bem no centro de Munique, para escolher num dos seus 5 andares o material para a jornada nas montanhas dos Alpes do dia seguinte: ski ou snowboard se for Inverno; hikking se for Primavera ou Verão.



E, qual a melhor forma de terminar um dia se não relaxando com estilo e ambiente? Mullersches Volksbad é a resposta. Parece mesmo anúncio publicitário mas quaisquer elogios não serão publicidade enganosa. Num edifício construído entre 1897 e 1901 em Art Noveau – não só o seu exterior como também o seu interior – a imponência e elegância dos seus espaços impera. São saunas e duas piscinas rodeadas de colunas e estátuas, com rostos de Neptunos a jorrarem água directamente para piscina mais pequena, rivalizando este barulho com o das braçadas dos utentes, tudo num clima de perfeita calmaria

domingo, fevereiro 28, 2010

Chile Está Temblando

"Puerto Montt está temblando"
de Violeta Parra

Puerto Montt está temblando
con un encono profundo
es un acabo de mundo
lo que yo estoy presenciando
a Dios le voy preguntando
con voz que es como un bramido
por qué mandó este castigo
responde con elocuencia
se me acabó la paciencia
y hay que limpiar este trigo.

Se me borró el pensamiento
mis ojos no son los míos
puedo perder el sentido
de un momento a otro momento
mi confusión va en aumento
soy una pobre alma en pena
ni la más dura cadena
me hubiera afligido tanto
ni el mayor de los espantos
congela así las venas.

Estaba en el dormitorio
de un alto segundo piso
cuando principia el granizo
de aquel feroz purgatorio
espejos y lavatorios
descienden por las paredes.
Señor, acaso no puedes
calmarte por un segundo
y me responde iracundo:
pa'l tiburón son las redes.

No hay palabras en el mundo
para explicar la verdad
ni talento en realidad
pa penetrar en profundo
qué viento más iracundo
qué lluvia tan alarmante
qué pena tan abundante
quién me da la explicación
sólo el sabio Salomón
pero se halla tan distante.

Del centro salté a la puerta
con gran espanto en el alma
rogando por una calma
pero el temblor va en aumenta.
Todo a mis ojos revienta
se me nubla la cabeza
del ver brincar en la pieza
la estampa de San Antonio
diciendo: muera el demonio
que se anda haciendo el que reza.

La mar está enfurecida
la tierra está temblorosa
qué vida tan rencorosa
lo trajo la atardecida
con una angustia crecida
le estoy pidiendo al señor
que detenga su rencor
tan sólo por un minuto
es un peligro este luto
pal alma y el corazón.

Así fue señores míos
la triste conversación
que en medio de aquel temblor
sostuve con el divino
cuando pasó el torbellino
de la advertencia final
bajito empezó a llorar
mi cuerpo resucitado
diciendo Dios'tá indignado
con la culpa terrenal.

Me aferro con las dos manos
en una fuerte manilla
flotando cual campanilla
o péndulo disparado
qué es esto mi Dios amado
dije apretando los dientes
pero él me responde hiriente
pa'hacer mayor el castigo
para el mortal enemigo
del pobre y del inocente.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Manas Aus Munchen

Começando por uma constatação.
Estranha cidade esta em que não se vêem indivíduos a exibir os telemóveis pelas ruas, não obstante os omnipresentes néons a anunciar as grandes marcas de telecomunicações e as correspondentes lojas. Que num McDonald cheio do centro da cidade não se veja mais do que um, dois miúdos agarrados a esta peça que na sociedade do meu país é absolutamente indispensável em qualquer lugar, em qualquer situação, em qualquer faixa etária.
Estranha cidade esta em que com um frio a raiar o insuportável as pessoas teimam em caminhar pelas ruas, seja neve ou chuva o que vai caindo dos céus, entrando aqui e ali nas lojas aquecidas e de bom gosto.
Munique é, dizem, uma cidade modelo quer ao nível da eficiente e versátil rede de transportes, quer ao nível da limpeza que apresenta. Não conhecendo todas as cidades do mundo, não custa, no entanto, acreditar que assim seja, tão fácil que é adaptar-se à capital da Baviera e sentir-se logo confortável pelos seus caminhos e cantos.
A zona da estação dos comboios, por exemplo, que costuma ser sempre uma das menos simpáticas, senão mesmo repulsivas, das grandes cidades, encontra-se limpa, com montras cuidadas e fica a dois passos do centro.





A dominar o centro do centro fica a Marienplatz, com o Neues Rathaus e seu carrilhão com os bonequinhos que teimam em dançar ao bater das horas, o Altes Rathaus e, um pouco mais a trás, a igreja St Peter e a imperdível subida à sua torre para nos dedicarmos a um dos desportos mais esperados de todas as viagens – entrar na pele dos pássaros e admirar tudo o que a vista alcança, Alpes incluídos, tentando identificar aqui e ali um dos símbolos da cidade, seja a torre olímpica, o Allianz Arena, o edifício da Mercedes ou da BMW ou as Pinacotecas.



Lá em baixo, bem juntinho, fica o Virtualienmarkt, um mercado de rua diferente de todos aqueles a que estava acostumada. Dizer que é limpo é apenas uma repetição dos primeiros parágrafos, dizer que é chique será apenas uma constatação lógica daquilo que se espera da cidade mais rica da Alemanha. Mas, não, não é exactamente isso que se pensa quando se imagina um mercado de rua com comida para todos os gostos. Aqui os gostos serão os mais apurados, os olhares os mais delicados e os cheiros ficam para outras paragens. Não obstante, nesta praça há um dos muitos biergarten com mais uma das suas inconfundíveis torrezinhas toda rococó.



Depois, Munique é ainda as ruas pedonais Neuhauser e Kaufingerstrasse para as compras. Na Maximilianstrasse ficam as lojas de 10 entre cada 10 marcas de vestuário mais fashion do planeta. O Englisher Garten é reconhecido como sendo um dos mais extensos parques urbanos da Europa, uma espécie de Central Park ou Hyde Park a que não falta sequer uma onda para o surf.







Às já famosas Pinacotecas (Alte Pinakothek para a pintura anterior ao século XVIII, Neue Pinakothek para a pintura do século XVIII e XIX e a Pinakothek der Moderne para a arte do século XX) junta-se agora, fresquinho, o Museu Brandhorst com a sua arquitectura colorida (depende do ponto por donde observamos o edifício) que vem trazer uma jovialidade a todo este quarteirão, contrastando com a dureza do edifício da primeira Pinacoteca e a elegância das outras duas.





Aliás, esta zona perto da Konigsplatz é um bom exemplo da arquitectura de princípios do século XVIII, de largos espaços e edifícios imensos e monumentais, tudo em larga escala, que o Partido Nazi, no terceiro Reich pensou adequada para lá fazer os seus comícios.
E, para algo totalmente oposto, Munique é ainda caminhar pelos bairros que vão lançando as tendências ao longo das últimas décadas como Schwabing, Haidhausen ou Glockenbachviertel ou Gartnerplatzviertel.

Um lamento de Munique, apenas. Uma cidade cosmopolita, atraente e acolhedora não se cria sem regras firmes. Mas será que tem de se levar mesmo tão à risca os horários? Por que é que o senhor da bilheteira do Residenz não pensou e agiu assim de uma forma mais sulista e menos elitista e abriu uma excepção para me deixar entrar às 16:05 (quando a última entrada era às 16:00 para o museu fechar às 17:00) no meu último dia em Munique só para eu poder apreciar o tão admirado Antiquarium, diz quem sabe uma sala lindíssima? Está visto, terei de voltar em breve.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Munique é...

... os Jogos Olímpicos de 1972,


a fábrica da BMW,



a Oktoberfest e os Biergarten,



o Allianz Arena,



o Eisbach no Englischer Garten,



a cidade plana com os Alpes no horizonte,



cultura,



a cidade dos mercados gourmet.



É…muito mais!

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Essaouira

A incursão por Essaouira foi atribulada, por conta de uma gastroenterite valente. Não sendo coisa rara por estes lados é sempre uma experiência a esquecer. De qualquer das formas, o organismo, no meu caso, demorou a dar sinais e ainda consegui aproveitar um dia, que deu para conhecer a cidade.
A primeira coisa que se nota quando se chega a Essaouira é que o clima é bem diferente. Depois de alguns dias na tórrida Marrakech e de uma passagem escaldante pelo Atlas, chegámos pelo fresco da noite a Essaouira. Apesar de o clima bem mais ameno, não deixa de ser igualmente desconfortável, devido à alta humidade que aqui se sente, ou não estivéssemos à beira do Atlântico.
Outro aspecto bem distinto em relação a Marrakech – cidade vermelha - é que aqui a cor predominante é o branco, já que os edifícios são caiados.



No século XVI os portugueses construíram aqui um forte, ficando a cidade conhecida como Mogador. Pela sua geografia, a cidade, sempre teve potencial portuário, mantendo actualmente essa vertente. Assistir a azáfama do porto é um espectáculo imperdível, pela sua cor, dinâmica, odor. Tal como toda a cidade, o porto é de uma grande fotogenia.



Um espectáculo a não perder é o sobrevoar constante das gaivotas com o skyline da Medina ao fundo. Apetece ficar ali a observar e a sentir aquela liberdade.

A Medina, toda ela fortificada, tal como a conhecemos actualmente, foi apenas construída no século XVIII por um arquitecto francês. Pelas suas características singulares é património mundial da UNESCO.


Explorar as ruazinhas, os becos e os pátios é essencial. Assim como admirar o colorido e as diferentes configurações das portas e janelas. Bem como, sentir o forte odor e colorido das especiarias que estão expostas ao longo das ruas.

A cidade não deixa de ter o frenesim típico das cidades marroquinas. Aqui os mercados são igualmente uma constante, porém, o ambiente é descontraído e os autóctones são bem mais tranquilos que os primos de Marrakech.
Um aspecto bem exótico é a roupa dos locais. Tanto as mulheres como os homens andam com o tradicional djellaba, que é uma veste longa, larga e de mangas compridas. Sendo que elas, maioritariamente, seguindo a tradição islâmica, cobrem o rosto com um véu, e eles cobrem a cabeça com um tarbouch.


A sul do porto estende-se uma praia urbana, que é seguida de uma longa faixa de outras praias. Ficou por conhecer esta componente, ainda que tenhamos percorrido uma parte da costa atlântica entre Agadir e Essaouira. Sabemos, porém, que a costa de Essaouira tem grande potencial para a prática de windsurf, kitesurf e surf , o que faz que ultimamente seja muito procurada pelos praticantes destas modalidades.

sábado, novembro 07, 2009

Essaouira pelo Atlas

Quinta-feira decidimos alugar um carro para ir de Marraquexe a Essaouira, mas escolhendo um percurso bem longo de forma a poder percorrer parte das montanhas do Atlas até desaguarmos, finalmente, nas águas do também nosso Altântico.
Tirando o abusador calor, viagem linda, as cores das montanhas dão azo à flutuação da imaginação, mais a mais porque vão tendo a ajuda das imagens de uns Casbás. Sobe-se, sobe-se, sobe-se, para depois descer-se, descer-se, descer-se. Uh,uh, estamos no deserto e momentos depois estaremos junto ao oceano.
Essaouira, pois.
Como sexta-feira amanheci com uma má disposição incrível (talvez uma quase gastroenterite), a única coisa que conheci de Essaouira foi os bancos de pedra que iam surgindo pelo caminho e que eu rapidamente ocupava para me deitar um pouco. Como ao fim da manhã as tonturas persistiam, desisti dos meus intentos turísticos e recolhi-me à caminha do meu riad para apenas dela sair para ver o por do sol no mar junto aos canhões da fortaleza.



Esperava que no sábado pudesse recuperar o tempo perdido e conhecer tudo o que havia a conhecer. Mas logo a madrugada e dia seguinte haviam de ser passadas a tratar das outras duas que, essas sim, tiveram direito a gastroenterite a sério.
Por isso, mana Sofia, desta não te escapas, e sobre Essaouira, a antiga Mogador, tens de te debruçar tu.

Interlúdio Paisagístico Pelo Atlas



Os Jardins de Marraquexe

Por entre o ocre dos seus edifícios, existem pelo menos dois jardins imperdíveis que rompem esta cor rotineira.
Um mais plácido e discreto, com um edifício à beira de um lago com as montanhas do Atlas a servir de cenário nas suas costas; outro verdadeiramente exuberante nas suas cores e, por isso, inesperado.



Os Jardins de la Menara, apesar da sua imagem ser um postal obrigatório da cidade, estiveram longe de me encher as medidas. À parte uns camelos à entrada para turista montar ou fotografar, parece algo abandonado. Seria bom que pudéssemos ser teletransportados para o local exacto da foto da praxe.

Já o Jardim Majorelle é outra história. Uma história que não se espera encontrar em Marrocos e, talvez, um pouco deslocada, mas uma grata história. Ou talvez não, se pensarmos que Marraquexe – e Marrocos – não estão na moda apenas hoje, mas pelo menos desde a década de 60 e 70 do século passado quando um rol quase infindável de peças da nossa cultura a adoptaram como sua. Daí que criatividade e surpresa não sejam em absoluto de excluir em Marraquexe. Porque é disso que se trata, de um jardim inventado em pleno norte de África. As cores azul e amarelo berrantes ficam, assim, como cores oficiais de Marraquexe no nosso imaginário, a par do omnipresente ocre.