domingo, setembro 23, 2012

Óbidos

De volta da Golegã, uma paragem em Óbidos para uma ginginha com chocolate e um passeio muralhado à chuva.




Casa Estúdio de Carlos Relvas

Este passeio já tem uns meses largos (Janeiro), tantos que na altura era este o Relvas mais famoso do país (optimismo meu, a bem do património).

A Golegã não é só cavalos. É também a lezíria, que não conseguimos ver, tanta era a chuva e a nebulosidade, boa comida (restaurante Lusitanus, na praça que acolhe a Feira do Cavalo) e o auto denominado "o segredo mais bem guardado do Ribatejo", o Hotel Lusitano. E, sobretudo, a Golegã é a terra onde o fotógrafo amador Carlos Relvas decidiu construir a sua belíssima casa estúdio.

 
Parte integrante do nosso património cultural, houve um esforço enorme para recuperar o edifício e seus jardins, que albergam algumas espécies exóticas.
O chalet, metade residencial metade estúdio, é um exemplo deslumbrante da arquitectura do ferro oitocentista. A sua construção foi iniciada em 1872 para servir de estúdio e laboratório de fotografia, mas em 1887 viria a ser adaptado a residência após a morte da primeira mulher de Relvas.
Em avançado estado de degradação, nos anos 80 do último século foi doado à Câmara Municipal da Golegã e posteriormente recuperado por esta em parceria com o então IPPAR.



Graças a isso, hoje podemos visitar o conjunto, não só a sua arquitectura exterior, mas também o seu interior composto por distinto mobiliário, profusamente decorado com fotografias, belos tectos, o arquivo fotográfico e a biblioteca particular do fotógrafo. Para acesso ao piso superior encontramos uma linda escada em caracol. Neste piso superior fica, precisamente o estúdio, ainda com equipamento fotográfico, antigo, claro, e uma cortina movida por umas roldanas para melhor controle da luz. Este piso é todo em vidro, todo exposto à luz natural.


Mas é a sua arquitectura exterior que encanta. Fachada cheia de decorações e bem trabalhada, com espaço para dois bustos de fotógrafos da época, encontramos ainda aqui também umas outras belas escadarias em ferro de acesso ao segundo piso. Aliás, o ferro domina o edifício, num estilo que pode ser caracterizado como neo-manuelino e neo-gótico, com uma arquitectura romântica e revivalista, em muito bom tempo superiormente recuperado.

sexta-feira, setembro 21, 2012

Serpentine


Desde o ano 2000 que os maiores arquitectos têm sido convidados a desenhar um pavilhão junto à Serpentine Gallery, uma estrutura temporária para ocupar os meses do verão.

A Serpentine foi construída em 1934 como uma sala de chá e em 1970 redefiniu-se como galeria para exibição de arte moderna e contemporânea. Fica no Hyde Park e leva o nome do maravilhoso lago que aqui encontramos no meio dos imensos jardins. Por esta altura apresentava uma exposição de Yoko Ono, para sempre mulher de John Lennon.
Nunca tinha tido oportunidade de visitar Londres no verão desde 2000 para cá, logo, nunca tinha dado de caras com um destes pavilhões que já foram desenhados por nomes como Zaha Hadid, Frank Gehry, Jean Nouvel, Oscar Niemeyer ou os nossos Siza Vieira e Souto Moura.



Até este verão olímpico. Neste ano de 2012 as figuras convidadas foram a dupla de arquitectos suíça Herzog & de Meuron e o artista chinês Ai Weiwei, os quais já tinham colaborado na criação do Estádio Olímpico de Pequim. O espaço, sempre certeiramente integrado com a envolvente, consiste num género de anfiteatro coberto, a que não faltam uns banquinhos em forma de rolha feitos, precisamente, de cortiça. E portuguesa. O pavilhão está construído num plano inferior, dai que quando lá entremos nos sintamos  como que encaixados numa concha. Mas aconchegados. O tecto redondo, de uma placa que se torna translúcida com o efeito da água que a ocupa, reflecte as inúmeras arvores que marcam presença no espaço. Aqui, com este tecto / espelho ao nível da nossa cintura, damos connosco a flutuar. Boa introdução aos Pavilhões da Serpentine.

quarta-feira, setembro 05, 2012

Mercado Borough


Nesta ida a Londres visitámos pela primeira vez o Mercado Borough.
Fizémos então cumprir o lema "Food, Glorious Food".

Antes tarde do que nunca.
Reportagem completa no blogue da mana em

http://cantinadossabores.blogspot.pt/2012/08/borough-market.html

Brick Lane



Brick Lane é o nome de uma rua de Shoreditch, ali para os lados do Old Spitafields Market e da Witechapell Gallery, tudo coisas trendy, mas acaba por significar muito mais do que isso, dando o nome a uma zona mais extensa.
A antiga indústria de tijolos dominou em tempos esta zona do East End londrino, dai o "brick", mas foi sobretudo a cervejeira que deixou marcas até hoje. A Old Truman Brewery, instalada em finais do século XVII, só na última década do último século é que foi definitivamente desactivada. Hoje, o amplo edifício é um centro que acolhe uma miscelânea de actividades entre os negócios e o lazer, desde mercados, restaurantes e bares, workshops, lojas, galerias. Tudo com muita criatividade. Pertinho fica ainda o Brick Lane Market e a Rough Trade East, uma instituição na música indie.

Apesar de ser um local da movida londrina, centro de arte, moda, com diversas galerias e clubes nocturnos, são as casas de curry que dominam. Esta é a Banglatown, com direito a Mesquita e tudo. Por isso que aos meus olhos tudo se torna tão pitoresco. Esta gentrificação, esta mescla de culturas de gentes vindas de tantos lados do mundo diferentes, sim, mas também e sobretudo, uma diversidade na cultura urbana torna esta zona pujante em termos culturais e sociais.



E, depois, há que não hesitarmos em metermo-nos pelas ruas adentro e descobrir num baldio ou numa fachada de um edifício partido a metade os inúmeros grafitis dos artistas mais famosos do género. Seja o carro bomba de D* Face, seja Bolt por Jimmy C., ou desenhos anónimos a recordar-nos que também vivemos nos anos 80 e até foi bom.


Não faltou sequer mais um Wenlock, desta vez desenhado numa parede e a provar que até os cães não lhe ficaram indiferentes.


Para a próxima já tenho programa: explorar melhor e mais intensamente a zona para descobrir os desenhos de Banksy, que também os há por aqui.

Oh! There's another Wenlock!


Wenlock e Mandeville foram escolhidas como mascotes para estes Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres 2012, respectivamente. Foram acusadas de pouco carisma por alguns quantos. São, de facto, algo estranhos estes bonecos. De um só olho, têm semelhanças com os Teletubbies, outros bonecos duvidosos. Quanto a mim, não deixei de trazer para casa um peluche Wenlock dourado, como a medalha mais desejada pelos atletas.



E o encanto por estes bonecos acaba por se fazer simpático ao passearmos pelas ruas de Londres e ao encontrarmo-los um pouco por cada canto, incluindo, e sobretudo, pelos maiores cartões postais da cidade. Não bastassem, assim, os Wenlocks / Mandevilles à frente do Parlamento ou à frente de um barco de piratas vestidos a rigor, ou a desejar-nos as boas-vindas à beira da Catedral de St Paul's ou da Tate, encontramos ainda um bonequinho vestido da tradicional cabine telefónica londrina ou com motivos alusivos a Charles Dickens, de quem, aliás, se está agora a celebrar o bicentenário do seu nascimento. E mais, muitos mais se encontram espalhados por lá.



sexta-feira, agosto 31, 2012

As Águas Abertas



Para a prova de águas abertas, ou maratona aquática, foi escolhido como palco o Hyde Park. Beleza garantida, assistência idem, ambiente fantástico ibidem. Até o sol ajudou e mostrou que em Londres também pode haver verão.
Depois de passear pela Serpentine Gallery e ver pela primeira vez um dos pavilhões arquitectados pelos grandes exclusivamente para a temporada de verão (desta vez a obra de arte ficou a cargo da dupla suíça Herzog & de Meuron e o chinês Ai Weiwei, onde foi utilizada cortiça portuguesa), cheguei ao lago de mesmo nome com uma hora de antecedência em relação ao meio-dia, hora da partida da prova. Ai fiquei logo completamente stressada porque a multidão era mais do que muita. Junto ao Lido, o pessoal mais previdente já tinha tomado de assalto todas as cadeirinhas com vista para o lago. Mais adiante, toalhas estendidas no chão marcavam o território para mais uns quantos. Era assim ao longo de todo o lago. Não tive outra solução se não a de ir furando aos poucos por entre uns ocupantes na fila dianteira até conseguir debruçar-me confortavelmente sobre o separador que dava para a água. E depois da partida foi só esperar sob um sol inclemente que os nadadores passassem bem juntinho a mim. Cabeças levantadas, uma diferença em relação à natação em piscina, os rapazes lá iam controlando o caminho e os adversários de uma ponta à outra do lado, com os anéis olímpicos estrategicamente colocados na Ponte Serpentine.

  

O tunisino Oussama Mellouli, campeão olímpico nos 1500 livres em Pequim 2008 e medalha de bronze na mesma prova uns dias antes em Londres 2012, só podia ser o favorito. Só podia, não porque nadar em piscina e ser nela campeão olímpico faça alguém favorito para as águas abertas, mas porque dar-se ao trabalho de treinar para duas situações tão distintas merece ter como prémio a vitória. E ele teve-a. O nosso Arsénio lá foi no grupo intermédio, cabelos loiros russos à solta, um dos poucos a nadar sem touca.
Copacabana irá ser o palco desta prova no Rio 2012, por sinal um local onde me orgulho de ter nadado também numa prova. Pese embora todo o carisma da "princesinha do mar" não vai ser fácil bater o Hyde Park em ambiente, moldura humana e boa disposição, quer junto à água quer nos imensos jardins deste que é um dos maiores e mais históricos parques de Londres.

O Voleibol


As partidas de voleibol destes Jogos Olímpicos tiveram lugar no Earls Court Exhibition Centre. Pena que não tenha sido numa infra-estrutura situada no Parque Olímpico. Pena que não tenha sido num pavilhão construído de propósito para o evento. Mas isso é o que valoriza também a organização de um grande evento, o saber aliar a criação de novos equipamentos com a adaptação de outros já existentes.
Este centro de conferências e espectáculos abriu as suas portas em 1937 e já tinha acolhido eventos nos Jogos Olímpicos de Londres de 1948.

O bom da sua localização é que, no nosso caso, bastou-nos uma curta caminhada desde o nosso apartamento para ir e voltar. Não tivemos, pois, sujeitas a qualquer confusão no metro, mais uma vez.


O pavilhão é enorme, não especialmente bonito na sua arquitectura, quer exterior quer interior. Mas engalanado para o voleibol estava bonito. E nós tivemos sorte com as partidas que nos calharam nesta jornada dupla de quartos de final. Primeiro um Brasil x Argentina, com uma vitória clara dos zucas, embora eu puxasse pelos das pampas. Depois um Itália x Estados Unidos, mais equilibrado, mas também claramente vencido pelos italianos. Surpreendente a quantidade de brasileiros que por lá passaram. Viverão em Londres? Ou os brasucas realmente estão podendo?