quinta-feira, agosto 23, 2012

Os 100 Vistos dum Pub


No mesmo dia da maratona feminina, domingo, a noite seria dedicado à, provavelmente, prova mais esperada de 4 em 4 anos: os 100 metros masculinos. O nosso objectivo seria assistir a Usain Bolt e jamaicanos lda num pub. Conseguimo-lo. E a experiência foi fantástica, de agradar até a quem nunca sequer se apercebera de que este evento existira. Durante o dia foram mais do que muitas as pessoas que já trajavam a rigor com as cores da bandeira jamaicana, fossem brancos ou pretos, crianças ou adultos, homens ou mulheres.

Quanto a nós, fizemos o nosso papel prestando tributo a Bolt fazendo questão de dar umas quantas voltas a Bricklane em busca do mural fresquinho que lhe foi dedicado pelo artista Jimmy C.


Em Bricklane ficava também o Puma Yard, espaço dedicado pela marca a eventos relacionados com os Jogos. E Usain fez mesmo questão de por lá aparecer no fim dos Jogos para uma sessão de dj. A loucura por Bolt, um velocista que sonha em jogar futebol no Manchester Utd, é irreal para um pobre país como Portugal que só pensa em heróis desportistas do ramo futebolístico. Mais irreal ainda é que à hora marcada para as provas de Bolt, sejam os 100 ou os 200, os pubs se encham de gente, numa experiência mais parecida com a sardinha em lata, e os berros e urros de incentivo sejam abissais. Parecia que estávamos a vê-lo ao vivo. Mas a verdade é que estávamos o mais próximo que alguma vez conseguiríamos. Afinal de contas estávamos na mesma cidade, ainda que no lado oposto ao East End londrino, mas era como se fizéssemos nós próprias parte da história, vendo Bolt dobrar os 100 e os 200, duplamente campeão olímpico individual, o primeiro na história a também dobrar em dois Jogos consecutivos.
Imperdível ainda ouvir após a prova a entrevista de Blake, o segundo jamaicano, junto dos ingleses e descobrir que afinal a culpa de não percebermos uma palavra não é dos nossos ouvidos nem do nosso pífio entendimento da língua. O rapaz fala mesmo enrolado, uma espécie de reggae cantado por o equivalente a açoreanos, e a risota foi geral. Depois do sofrimento desportivo maratonistico pela manhã, o divertimento caribenho pela noite.

A Maratona Feminina


A maratona feminina estava marcada para domingo, dia 5 de Agosto, 11:00 horas. Antes das 10:00 já estava onde planeara, perto do Big Ben e do Parlamento, quase em frente à London Eye, entre um grupo de peruanas e um de italianos a que se juntaram mais tarde dois escoceses. Rapidamente, por uma daquelas coisas que às vezes penso que só acontecem com a minha cabeça, vi-me debaixo de uma chuvada incrível sem qualquer impermeável, apenas com um pulóverzinho e com uma mochila onde estavam a máquina fotográfica e o iPad. Há que acrescentar que os dois impermeáveis que trouxe para Londres ficaram comodamente instalados no apartamento da mesma cidade. E há que acrescentar também que não tive outra saída senão desocupar o meu lugar planeado com antecedência e recuar para debaixo de uns edifícios abrigados da chuva. O que me valeu foi que quase todos os meus companheiros de assistência da maratona foram também eles uns mariquinhas com medo da chuva e, já apenas sob uns pingos, pude voltar para o meu lugar, ainda que um pouco mais apertadinha.

A maratona começou em ponto às 11 badaladas do Big Ben. E pouco menos de 5 minutos depois as atletas correram até mim. Se já estava ansiosa e a preparar os gritos de apoio às nossas três portuguesas, logo fiquei louca por ver a Marisa Barros na linha da frente e a Dulce Felix no mesmo grupo, com a Jéssica Augusto um pouco mais atrás. Um amigo que fez este ano pela primeira vez a sua primeira maratona disse-me depois que nos primeiros quilómetros os maratonistas nem respiram. Não entendo muito disso, limito-me a constatar as minhas dificuldades em respirar que são quase extremas em correr míseros 10 km. Mas o que me pareceu foi que a Jéssica já estava de rastos àqueles 5 minutos. Devia ser da chuva ou daquelas meias altas que a faziam parecer uma calmeirona no meio das outras pequenas. O certo é que a Jéssica veio a terminar num brilhante sétimo lugar. Isso teve qualquer coisa a ver com os meus berros pelo seu nome, estou segura. E pelo das outras das nossas. O meu entusiasmo pela maratona veio em crescendo depois de ver que as três estavam no grupo da frente até meio da corrida. Para não esperar os cerca de 45 minutos que levariam a passar pelo sítio original onde me encontrava (havia uma volta pequena de cerca de 2 milhas a principio e depois três maiores de cerca de 7 milhas), fui caminhando Tamisa acima. Por entre a multidão. Todo o percurso estava acompanhado por milhares de pessoas. Simplesmente fantástico e grandioso.
 

 
À passagem da última volta já eu estava perto da Catedral de St Paul's e já as africanas e ex-soviéticas lideravam. Mas não foi preciso esperar muito para ver passar a correr as nossas três e aproveitar para mandar mais uns berros de incentivo. Se as incentivou, não o sei. O que sei é que para mim esta maratona será uma das melhores recordações da minha carreira de espectadora ao vivo de desporto.

London 2012 Olympic Games


O pretexto para voltar a Londres neste verão de 2012, se é que são necessários pretextos para Londres, foi os Jogos Olímpicos. Candidatei-me aos bilhetes com cerca de um ano e meio de antecedência e há um ano foram-me atribuídos bilhetes para os quartos de final do basquete feminino e do volei masculino. Dai em diante ainda tentei um contacto no COP que me chutou rapidamente para a Cosmos e esta, como agência  oficialmente escolhida para comercializar os bilhetes para os Jogos, ainda mais rapidamente me comunicou, primeiro, que tinha de adquirir ou uma viagem de avião ou alojamento com eles também, segundo, que eram muito poucos os bilhetes e apenas para eliminatórias, por último, que não tinha bilhetes de todo.
Obrigadinha, que da minha vidinha trato eu. Foram, assim, e em resumo, praticamente 365 dias para me conformar de não ir ver nenhuma prova de natação, de  não ir por sequer um pé dentro do Estádio Olímpico, de não aprender in loco com a nata do triatlo como se fazem as transições, de não tentar compreender como os ginastas se contorcem todos, de tentar compreender como é possível andar às voltas em plano inclinado numa bicicleta dentro de um velódromo e não cair assim tantas vezes. Era mais ou menos isto que queria fazer em Londres 2012 e que vou ter de deixar para o Rio 2016.

Odores de desilusão por aqui? Nem um pouco. O deixar para o Rio 2016 não é uma promessa, é uma certeza. Gostei tanto do que me tocou em Londres 2012 que a partir daqui penso acompanhar todos os próximos Jogos na própria cidade onde decorrerão. 
O que me tocou desta vez assistir foi pouco, mas o suficiente para me deixar encantada. Aliás, já estava tão excitada e ansiosa pela minha primeira participação nuns Jogos que de qualquer aquecimento faria uma final. Vi, por ordem de acontecimentos, a maratona feminina pelas ruas de Londres, dois jogos dos quartos de final de meninas do basquete em pleno Parque Olímpico, dois jogos dos quartos de final de meninos do volei no pavilhão de Earls Court e as águas abertas de rapagões a nadarem no Hyde Park.

Segue-se a história dos quatro eventos presenciados.

quarta-feira, agosto 15, 2012

The Shard by Piano


Nova aquisição do skyline londrino.
O The Shard, de Renzo Piano, é o edifício mais alto da Europa.
Obviamente, vê-se por toda a cidade, mas fica no Southbank londrino, junto ao mercado do Borough, e parece assim uma espécie de Sagrada Família a rasgar o céu em eterna construção.

Praia em Londres


O sol apareceu e logo houve quem se lembrasse de fazer uma prainha à beira do Tamisa, com a Catedral de St Paul´s como guarda costas e o Pepino à espreita

Kid Robot



A minha loja preferida, aquela com a qual sonho sempre mas só tenho direito a tê-la para aí de 2 em 2 anos, é a Kid Robot. Fica a norte de Convent Garden e tem os bonecos mais estilosos de todo o sempre. Os dunnys são os meus preferidos.

terça-feira, agosto 14, 2012

Desta vez, Richmond e Hampton

A uma visita a Londres não pode faltar a volta a alguns locais que se tornaram meus preferidos.
Convent Garden, não tanto pela animação, mas mais por algumas lojas.
O Soho, pelos restaurantes do mundo.
Bricklane para ver os murais e o pessoal estranho.
Este, que nos anos 80 andava por Carnaby Street, agora vem ocupando a zona este de Londres. Como novidade para 2012, esta zona ganhou ainda o Parque Olímpico.
E, depois, há que voltar sempre à Tate Modern, atravessar o Tamisa pela Millennium Bridge e dar uma volta à Catedral St Paul's.
O meu Tamisa preferido, no entanto, fica para lá da Tower Bridge, na zona de Wapping, a caminho de Canary Warf. Gosto de admirar os prédios de arquitectura moderna junto ao rio e às marinas, com o Pepino sempre à espreita. E gosto destes bairros sossegados à beira do canal. Mais uma vez, isto é East End London.
Com tanta coisa que gosto de rever, e ainda não falei em nenhum parque, já o tempo fica todo ocupado, quase sem espaço para conhecer zonas novas.
Nesta visita esse quase não se cumpriu e fui até Richmond e Hampton. Parques, é do que se trata. E vilarejos simpáticos e pitorescos à beira do Tamisa, também.


Richmond é encantadora. Vê-se que é vivida nas suas lojas e cafés, mas principalmente nas suas zonas verdes de lazer, seja junto ao Tamisa, seja no Richmond Green ou no Richmond Park.
O Tamisa fica a poucos metros da principal rua da vila e junto às suas bonitas margens vamos vendo casas e barcos que servem de casas.
O Green é, como o nome indica, um espaço verde circular rodeado de mansões e até um palácio do século XV. A ligação à coroa tem aqui raízes muito antigas.
O Richmond Park vinha-me anunciado como o maior parque de toda a Londres (e o maior parque urbano da Europa). Acredito piamente e, para o confirmar, nem sequer faltou ter-me perdido. Literalmente, não é nenhuma figura de estilo. Caminhei e caminhei até ir dar sem querer a uns lagos que não constavam do mapa onde havia traçado o meu plano. Havia sempre a hipótese de voltar para trás, mas a persistência é muitas vezes bem compensada, como por exemplo, com uma vista fabulosa do centro de Londres a mas dezenas de quilómetros. Deu até para distinguir o meu querido Pepino.



Em Hampton fica o Hampton Court Palace, um dos melhores palácios Tudor, construído no século XVI e logo adquirido pelo rei Henrique VIII, que o aumentou. À sua volta, muitos jardins. E um labirinto que leva o epíteto do mais longo. O The Maze são cerca de 800 metros de um intrincado jardim de buxos onde o objectivo é encontrarmos o centro depois de umas quantas voltas por caminhos que parecem sempre o mesmo e onde ficamos com a certeza de que estamos completamente perdidos e não só não vamos achar o centro como também não vamos achar a saída. Ufa. Mas como a persistência tem (novamente) a sua recompensa, no fim tudo se compõe e ficamos livres para mais uns quantos jardins.


Sempre em Kensington


Não sei muito bem porquê, mas as últimas vezes que tenho vindo a Londres fico sempre alojada na zona de Kensington. E sempre bem. Desta vez ficámos junto à Fulham Road e à pacatez das moradias juntou-se uma movida de bairro muito linda, onde toda a gente parece ter uma bicicleta para se deslocar, seja para o trabalho ou para a loja mais próxima. Todos os pisos térreos dos edifícios são ocupados por lojas, seja de comércio ou restauração e, ao contrário do que acontece em Lisboa, os bancos não tomaram todo o espaço. Cafés, pubs ou restaurantes estão sempre prontos para colocar umas mesinhas na rua. E as pessoas prontas para as ocupar.
E, depois, o nosso apartamento levava o pomposo e muito prometedor nome de Elm Park Mansions. Não era nenhuma mansão, mas o espaço não lhe ficava a dever nada em beleza. Um portão leva a um condomínio composto por uns quantos edifícios com um espaço comum que nos faz sentir ao mesmo tempo que estamos na rua e no nosso quintal. O interior do apartamento, muito bom também.    

quarta-feira, agosto 01, 2012

Praia da Ursa


De volta da Índia e em estágio para dominar as expectativas face à primeira ida a uns Jogos Olímpicos (só para assistir, que competir não passou de um sonho), um reconhecimento de que fazer praia é cá em casa.
Perto do Cabo da Roca fica aquela que é a praia mais ocidental da Europa e que foi considerada pelo guia Michelin uma das praias mais bonitas do mundo.
Com tal palmarés, o único facto de estranhar é que, ficando tão perto, nunca lá tivéssemos dado um salto.
Salto, não. É melhor dizer que é de estranhar que nunca nos tenhamos arrastado até lá.
A praia é selvagem, sabíamos que tinha uns acessos maus e difíceis. Só não cuidamos foi de decorar que devíamos tomar o caminho mais à esquerda na descida desde o parque de estacionamento.
Resultado: parece que descemos pelo caminho do alpinismo. Foi muito perigoso, a não repetir. A descida foi feita em terreno escorregadio e com pedra solta. Não houve outro remédio se não descer sentadas, a tentar controlar a descida para não resvalarmos por ali abaixo. E é de bastante altura que se trata.
Vamos à parte boa, agora que conseguimos não nos magoar na aventura (só tivemos 3 dias de dor intensa de pernas).

A paisagem cá de cima, altaneira, antes da dolorosa descida, é fabulosa. A água clara e as escarpas rompem pelo mar a embelezar a falésia. As rochas pontiagudas são um postal perfeito. Lá em baixo há areal suficiente para as poucas dezenas de companheiros que se aventuram chegar à praia linda. E há, sobretudo, uma série de enseadas onde podemos entrar e deslumbrar-nos ainda mais com o cenário.