sexta-feira, janeiro 13, 2017

Da Vila Sassetti ao Palácio da Pena

A proposta é seguir caminhando desde a vila de Sintra até ao Palácio da Pena pelo novo percurso que a Parques de Sintra - Monte da Lua (empresa pública que ali gere diversos monumentos) estreou em Setembro de 2015.
Em 2011 a Parques adquiriu à Câmara Municipal de Sintra a Vila Sassetti já com o propósito de criar um caminho pedonal alternativo à rampa em alcatrão da Pena. O interior do edifício principal da Vila Sassetti continua em restauro e remodelação, mas o seu exterior e os seus jardins aqui estão, prontos a ser desfrutados por todos nós.


O percurso tem início na entrada da Vila Sassetti, junto ao Parque das Merendas, numa cota mais elevada face ao centro histórico da vila. Logo no muro de entrada encontramos a designação "Quinta da Amizade", nome pelo qual era também conhecido o espaço, tomado em alusão ao Penedo da Amizade que se ergue sobranceiro à Vila. 

Encontramo-nos na encosta oeste do Castelo dos Mouros e até lá iremos subir a bom subir. São cerca de dois quilómetros até ao Castelo e Parque da Pena e dois quilómetros e meio até ao Palácio da Pena. O piso é relativamente estável (com chuva pode ficar escorregadio devido ao musgo criado pela humidade) e acessível para qualquer pessoa. Como é sempre a subir torna-se, no entanto, desgastante para quem possa não estar habituado a caminhar. Qualquer coisa como 45 minutos a 1 hora a dar às pernas caso consigamos abstrair-nos de tudo e não parar. O que se revela francamente impossível, pois embora a abstracção e a distracção do mundo real seja fácil por aqui, será muito difícil não parar para apreciar qualquer elemento da natureza que nos rodeia. 


Desde logo, na primeira subida na Vila Sassetti os fios de água que correm sobre as pedras sucedem-se. A serenidade é evidente e o escutar da água a escorrer por ali abaixo apazigua. Vêem-se plantas e vêem-se flores. Castanheiros, carvalhos e camélias, mas também plantas exóticas como plantas nativas do Chile ou da Austrália.


Antes de chegarmos ao pátio de entrada do edifício principal da Vila Sassetti deparamo-nos com um banco circular com um trono no meio, para não nos esquecermos que esta é terra de príncipes e contos de fadas.

A Vila Sassetti foi criada para constituir um refúgio de veraneio de Victor Carlos Sassetti, proprietário de hotéis de luxo (entre os quais o então famoso Branganza, em Lisboa). Em 1890 surgiu este projecto, uma parceria entre Sassetti e o arquitecto Luigi Manini (autor da vizinha Regaleira e do Palácio do Buçaco), inspirados nos castelos da Lombardia, em Itália, terra natal de Manini e da família Sassetti. 



O edifício principal da Vila é de arquitectura residencial revivalista de estilo romântico, onde a sua integração harmoniosa com a natureza é plenamente alcançada. Mais, este edifício distinto deixa-se envolver pelos marcantes elementos naturais que o rodeiam, como a vegetação e as rochas da Serra de Sintra, e fá-lo de uma forma brilhante e absolutamente natural. A sua fachada é distinta e característica, sobressaindo o seu elegante torreão. Utilizando o granito da Serra de Sintra e decorado com faixas de terracota, com cuidado trabalho em material cerâmico nos frisos dos torreões, nas chaminés, nas colunas e na envolvência das janelas, com destaque para o balcão em arco com janelas geminadas, descobrimos ainda neste edifício o seu apelativo telhado mouriscado mas claramente identificado com o estilo português. Muitas influências, já se vê. Do pequeno pátio com fonte no meio apercebemo-nos ainda do painel de azulejos a encimar a porta de entrada do chalet.




Um dos anexos da Vila foi transformado em instalações sanitárias e a curiosidade pode e deve levar-nos a espreitar para lá das suas portas e empoleirar-nos na pedra majestática onde está encostado para ganharmos uma vista fabulosa.

Deve esclarecer-se, todavia, que a maior parte da área da Vila Sassetti não é edificado, antes jardim. Ou seja, antes mesmo de sairmos do portão da Vila e subirmos mais um pouco já estamos totalmente envolvidos pela natureza, deixando de ver o Palácio da Vila, de um lado, e a Quinta da Regaleira, do outro. Vegetação e pedra, ora luz ora sombra, é o que temos e continuaremos a ter depois de sairmos da Vila Sassetti. 


Prosseguindo na viagem, percorremos agora um estreito caminho que nos levará ao sopé do Penedo da Amizade, local privilegiado na Serra de Sintra para a prática da escalada. O Castelo dos Mouros fica mesmo ali por cima. Esta é a parte mais difícil do percurso, mas agradável pela natureza que persiste em rodear-nos.



O fim deste percurso deixa-nos num ponto elevado donde obtemos mais uma vista deliciosa. 
Estamos já à porta do Parque da Pena e uma dúvida assalta-nos: seguimos para a entrada pelos Lagos, para a direita, ou para a entrada principal, para a esquerda? Por uma vez, guino à direita e não me arrependo.




Não me lembro desta paisagem, o Vale dos Lagos onde seis lagos se sucedem. O maior deles possui uma espécie de ilha com castelinho perdida nas suas águas. O tempo não está bonito mas a paisagem exuberante e verdejante tudo compensa. Temos direito até a reflexos irreais na água dos lagos.





Antes de nos dirigirmos para o Palácio da Pena é uma boa ideia optar por uma curta caminhada, cerca de 20 minutos, até ao Chalet da Condessa d' Edla. Passamos pela Abegoaria - as Cavalariças - e seu edifício de arquitectura rural com fontanário com escultura de uma carranca em bronze, pelas estufas, a ponte-pérgola e a mimosa Casa do Jardineiro, esta última com pormenores decorativos em cortiça que encontraremos em grande escala uns poucos minutos depois no Chalet.




O Chalet da Condessa d' Edla foi construído entre 1864 e 1869 por D. Fernando II e pela sua segunda mulher, precisamente a Condessa d' Edla, de seu nome verdadeiro Elise Hensler. Amantes da música - Elise era cantora - e das artes em geral - o Rei D. Fernando II ficou na história com o cognome de "Rei Artista" - o casal decidiu criar num lugar mais isolado do Parque da Pena um autêntico refúgio no meio da natureza. Os princípios do romantismo estavam cá quase todos e a arquitectura do Chalet mais não fez do que complementar e requintar o cenário. De inspiração alpina, esta casa de veraneio possui uma decoração pouco vista em Portugal. Certo que a cortiça utilizada na decoração do revestimento das portas e janelas na fachada é material português, mas será raro depararmo-nos por cá com uma casa em alvenaria coberta com pintura a imitar pedaços de tábuas para se parecer a uma casa de madeira. A forma do telhado também é uma surpresa para o nosso olhar. 



Mas não só o elemento arquitectónico merece a visita ao espaço designado Chalet da Condessa d' Edla. A natureza que o envolve, mais uma vez feita de vegetação e pedras, é luxuriante. 
As maciças pedras vizinhas ao Chalet são uma atracção por si só. Poderosas e elegantes, vale a pena adentrá-las e descobrir caminhos por entre as pedras dispostas de forma encantadora, muitas das vezes formando passagens e recantos.



De volta ao Vale dos Lagos, a paisagem natural ganha ainda mais força e é fácil perdermo-nos na vegetação intensa. Mais surpreendente ainda, no caminho podemos testemunhar a aliança entre a natureza e a arte contemporânea. Sim, espalhadas pelo Parque da Pena encontramos algumas instalações de artistas portugueses, como esta de Gabriela Albergaria - é um tornado?, não, é uma obra de arte :) 


E para nos mantermos no totalmente diferente, eis agora a Fonte dos Passarinhos. A surpresa continua e agora tem o condão de nos deleitar. Este pequeno mas poderoso edifício é um pavilhão decorativo de estilo islâmico, ao qual não falta sequer uma cúpula esférica com inscrição em árabe e encimada pelo crescente lunar. Construído em 1853, para além da sua arquitectura o pavilhão possui ainda como influências islâmicas a profusão de azulejos que o revestem e o som da água a correr audível no seu interior, marca esta comum também ao romantismo.



Na envolvência deste pavilhão encontramos elementos tão diversos como um jardim das camélias, uma capela manuelina ou um tanque dos frades que abastecia as hortas e muitos, muitos caminhos que serpenteiam por entre o arvoredo.


Mais adiante, o Lago da Concha, mais um lago, mais um refúgio, mais um encanto.


Subindo um pouco mais, chegamos à Gruta do Monge, um espaço sombrio completamente apartado do mundo, ideal para o recolhimento e meditação dos monges Jerónimos.


Aqui perto fica um conjunto de pedras que vamos observando desde baixo. Não falo da pedra do guerreiro, mas antes do Alto de Santa Catarina. Diz-se que este era o miradouro preferido da rainha D. Amélia e não é difícil perceber porquê. Aqui encontramos o Trono da Rainha, estrategicamente instalado de frente para o Palácio da Pena, numa vista completamente desafogada em plena e profunda Serra de Sintra. Ideal para uma paragem e um momento de contemplação - daqui tudo se avista e o mimoso Palácio ali está, altaneiro, colorido, parece que a posar exclusivamente para nós.


Tempo ainda para uma passagem pelo Templo das Colunas, edifício de arquitectura clássica, bem evidente pelas doze colunas que antecedem a sua fachada, situado no Alto de Santo António - mais um miradouro privilegiado para o Palácio da Pena, antes de entrarmos definitivamente neste edifício que constitui o maior exemplo do Romantismo em Portugal. 

O Palácio da Pena é provavelmente o maior postal de Sintra.
As cores do palácio já se vinham destacando há muito desde quase cada canto da nossa longa mas aprazível caminhada. Cada vez que olhávamos, lá estavam elas, aquele amarelo e aquele vermelho a irromperem pelo céu. Mas, de repente, à medida que íamos chegando mais perto começou a chover copiosamente e o céu tudo nublou de forma que tudo se deixou de perceber. 
Resultado? Em força para a visita ao interior do Palácio, reportagem fotográfica de exteriores adiada para uma próxima visita. 

O tempo em Sintra é um tópico. Qualquer lisboeta está já acostumado aos seus humores. 
Em resumo, no Parque da Pena apenas não subimos até à Cruz Alta, o ponto mais elevado da Serra de Sintra, a 529 metros de altitude, uma vez que a chuva que caía e a visibilidade a roçar o zero não compensaria a subida. Ainda assim, este é passeio para ocupar um dia todo, com muito tempo para caminhar, sentar, contemplar, piquenicar e, sobretudo, descobrir.

sexta-feira, janeiro 06, 2017

High Tide A Surf Odyssey, de Chris Burkard

 
Para ajudar a atravessar os dias curtos dos meses de Inverno, eis a companhia do livro de fotografias High Tide A Surf Odyssey, de Chris Burkard. O americano dispara logo ao que vem na sua última obra, de 2015:

"Num mundo que se tem vindo a tornar mais e mais barulhento, nunca foi tão importante procurar os últimos lugares sossegados". 

Assim, sentada bem confortável no sofá junto à lareira, no intervalo de um emprego convencional com muita berraria à mistura, folheio o seu belo livro. Lugares como as Ilhas Aleutian, no Alaska (lugar da foto da capa, onde o vento nasceu), a Barbuda, nas Caraíbas, Ilhas Lofoten, na Noruega, Kamchatka, na Rússia, Ilhas Faroe, algures por aí, mais as "banais" Nova Zelândia, Índia e zona rural da Califórnia, vão desfilando sob os meus olhos e despertando uma série de sensações - o conformismo, porém, segue inalterado e daqui a pouco volto para o trabalho.

Sair da zona de conforto, exorta o fotógrafo contador de histórias.

Estes são lugares verdadeiramente off the beaten path, fora das rotas mais batidas. Lugares únicos, remotos, inspiradores, nos quais podemos viver uma experiência interior completamente diferente daquela que viveremos em outros lugares únicos, que os há muitos, é certo.

Chris Burkard diz que aprendeu a gostar do "mau tempo" e dos dias de tempestade, mais ideais para a fotografia do que os dias de céu azul e limpo, pela luz e emoção mais dramáticas que transportam consigo. Ou seja, aprendeu a abraçar todas as condições que a natureza lhe dá e chegou à conclusão de que não há essa coisa do "mau tempo", apenas roupas inapropriadas. 

Vai daí, e como o surf sempre foi um dos motes para as suas viagens e fotografias, é só deixar os olhos à mostra e atirar-se às ondas, como vemos este grupo de amigos fazer nas Ilhas Lofoten, com a neve, os fiordes e as montanhas de granito como únicas testemunhas.



Foi nas Lofoten que um dos autores dos textos que apresentam cada um destes lugares desolados (Chris Burkard não se considera um bom escritor e a fotografia é o meio por que dá a conhecer as histórias que nos quer contar) nos diz que um habitante local, que nunca tinha visto nenhum surfista por ali, logo os considerou doentes da tola. Pode ser, mas muitos pensarão o mesmo dos que procuram estes lugares distantes e inóspitos: doentes da tola. Mas a doença é outra. É a de querer conhecer sempre mais e mais, é a de tanto se encantar com um pássaro como com uma nuvem escura, é a de entrar por uma rua que não vai dar a lado nenhum e ser surpreendido por uma casinha perdida no mundo. É a doença de ter, enfim, o horizonte todo para contemplar só para si.

Chris Burkard pode não ser um bom escritor e ser um brilhante fotógrafo, mas sabe também escolher e usar as palavras para nos inspirar e guiar. Diz-nos que "na vida não há atalhos para a alegria e, para verdadeiramente abraçarmos algo que mereça a pena, temos de nos prestar a penar um pouco".
A ver pelas fotos, a penitência valeu a pena.

As Caraíbas da Barbuda, surf apartado do mundo


Kamchatka, península russa perto da Sibéria, mas ainda mais remota e com pior tempo, terra de vulcões e ursos, mas também por do sol esmagador.

Ilhas Faroe, cascatas caídas de encostas e penhascos cobertos por tapetes verdes.

Costa da Califórnia rural - terra natal de Chris Burkard -, o Big Sur imortalizado por Jackson Kerouac.

A Índia do Kerala, choque cultural para todos, visitante e visitado.

sexta-feira, dezembro 16, 2016

Auschwitz


Oswiecim, cidade polaca conhecida mundialmente por Auschwitz, fica a cerca de 1 hora e vinte minutos de autocarro desde Cracóvia.

Quando marquei a viagem para Cracóvia em Setembro passado pensei não visitar de todo Auschwitz. Depois decidi que visitaria o lugar onde foram mortos mais de um milhão de judeus, mas não levaria máquina fotográfica. Acabei por ir a Auschwitz acompanhada da minha máquina fotográfica e tirei algumas fotos. Mais, jurei que nada escreveria sobre o assunto e eis-me aqui a fechar o ano de 2016 com estas memórias.

Não costumo temer nem o desconforto, nem o desafio de me confrontar com o desagradável. 
Não era bem o receio de estar face a face com o horror que percorria o meu pensamento. Simplesmente, comecei por entender que não necessitava desta experiência para aumentar os meus conhecimentos acerca do Holocausto.

A experiência de percorrer os blocos e as ruas cercadas de arame farpado dos campos de concentração foi dura, como esperado, mas também surpreendente pela localização do espaço (no meio da floresta) e sua arquitectura (serena).

Hoje, depois de visitar a Auschwitz e a Birkenau do século XXI, posso afirmar que estou ainda mais descrente na espécie humana. Já sabendo o fim da história, os visitantes atropelam-se no meio do relativo silêncio por ver o pedaço de cabelo, por chegar àquela foto, por apanhar o último assento no autocarro. Mas não há muitos que se detenham em observar as fotografias das pessoas reais em exposição - cujo olhar intenso nos confronta e derruba - que certamente não terão sobrevivido ao campo.

À pergunta se deveremos deixar de visitar Auschwitz, responderei que não: devemos visitá-lo e cada um vivenciar a sua experiência pessoal.

Lembrando o belo dia de sol que fazia quando visitei Auschwitz, que só fez foi confundir ainda mais os sentimentos, opto por recordar as palavras escritas por Primo Levi na sua obra essencial Se Isto É Um Homem:

"Hoje pela primeira vez o sol nasceu vivo e nítido por cima do horizonte lamacento. É um sol polaco, frio, branco e longínquo, e não consegue aquecer para além da epiderme; mas, quando se libertou das últimas neblinas, um murmúrio percorreu a massa decorada que somos, e quando eu também senti a tepidez através da roupa, compreendi como se pode adorar o sol."

quinta-feira, dezembro 08, 2016

China Hoje: A Desafiar os Limites

China Hoje: A Desafiar os Limites é uma das exposições temporárias do Museu do Oriente, em Lisboa, patente até 18 de Dezembro.

Apresenta-nos três artistas chineses que nos interpelam e nos fazem pensar sobre as consequências de um crescimento desenfreado desacompanhado de um desenvolvimento sustentável. Cada um destes três artistas foca-se em três temáticas essenciais. Li Fang debruça-se sobre a Liberdade de Expressão, Du Zhenjun sobre os Limites do Crescimento e Qiu Jie sobre a Cidadania Cultural.


Li Fang mostra-nos diversos trabalhos de nus - entre eles o do maior artista chinês da actualidade, Ai Weiwei - confrontando a modernidade dos nossos tempos com o facto de o nu na China ser ainda visto como um acto e pornografia. Onde fica a liberdade de expressão aqui?


Du Zhenjun, por seu lado, exibe grandes fotografias digitais onde nos mostra os efeitos imaginários (mas bem reais) numa cidade do aumento excessivo da sua população, das alterações climáticas, da escassez de recursos escassos como a água e os alimentos, e da crise ambiental que se lhe sucede. Será o caos o que nos espera no futuro?


Por último, os trabalhos de Qiu Jie remetem para uma arte pictórica tipicamente chinesa, os tons pastel a sobressair, para nos mostrar uma China mais pop, com Mao à cabeça com rosto de gatinho.
Muito interessante este olhar contemporâneo da China, pronto a despertar novas consciências políticas. 

sexta-feira, dezembro 02, 2016

Quinta da Casa Branca

A Quinta da Casa Branca é um boutique hotel, membro dos Small Luxury Hotels of the World (pequenos hotéis de luxo do mundo), muito bem localizada no Funchal, perto quer da zona turística do Lido como do centro da cidade.

Mas é sobretudo uma quinta-jardim que pode ser visitada por qualquer um de nós mesmo que não esteja lá alojado. Se lá ficarmos alojados, tanto melhor, teremos acesso a todas as belezas, confortos e espaços do lugar. Por exemplo, quartos que se prolongam pelo jardim fora, piscinas plenas de ambiente e uma sala de pequeno almoço acolhedora que, juntamente com o menu disponibilizado, nos prepara para mais um grande dia nesta Ilha belíssima.





Vencedor em 1999 do "Prémio de Arquitectura da Cidade do Funchal", o projecto de adaptação da Quinta a hotel está extremamente bem conseguido. De autoria do arquitecto local João Favila Menezes, inspirado em Frank Lloyd Wright, o que apreciamos desde 1998 é a parceria entre a arquitectura contemporânea e o ambiente natural do espaço. Os edifícios em pedra negra (ardósia) que remetem para o carácter vulcânico da Ilha, longos e de dois pisos onde predomina o vidro que se abre a toda a paisagem envolvente, estão perfeitamente integrados na natureza e deixam-se absorver por ela.


Este minimalismo feito de pedra e vidro permite que a luz natural seja uma presença constante quer nos espaços ao ar livre quer no interior dos quartos - e recepção, donde se obtém uma vista fantástica do seu terraço feito esplanada.


Destaque ainda para a Casa Mãe - o edifício branco do século XIX que dá nome à Quinta onde ainda hoje os proprietários habitam -, todo um mundo de requinte e elegância à parte. Há poucos anos foram aqui criadas umas suites, para além de acolher o mais luxuoso e formal restaurante da Quinta).

Seguimos directos para o jardim. 




Um pouco por toda a Madeira, incluindo num qualquer bairro residencial do Funchal, encontraremos plantações de bananeiras. Na Quinta da Casa Branca elas não poderiam, assim, faltar. Aliás, foi precisamente à plantação de bananeiras (e de vinha) que se começaram a dedicar os antepassados dos proprietários da Quinta, os ingleses da família Leacock, no século XIX. 

A sua Quinta é hoje um autêntico jardim botânico. Luxuriante, um imenso manto verde feito de cerca de 1,2 hectares recebe árvores e plantas tropicais vindas de todo o mundo. As buganvílias e estrelícias não faltam. Mas a seu lado encontramos a planta da seda, a árvore da canela, a mangueira, palmeiras e, depois, nomes como sumaúma, dombeia, marcamia, vigandia, canforeira, árvores de fogo, chamas da floresta, costelas de Adão, lágrimas de amor, tis, cássias, abélias, maçarocos, aloés, glicínias - ah, este último nome já o ouvi.





A exuberância não se revela apenas nos nomes das espécies, mas também nas suas formas, cheiros e, sobretudo, cores. 



Em resumo, a Quinta da Casa Branca é puro relaxamento, seja no seu spa, piscinas, quartos ou num dos restaurantes, donde se pode usufruir de toda a tranquilidade no meio do Funchal.