quarta-feira, agosto 22, 2007

Pelo Gerês - Espigueiros

Já na Serra do Soajo ficam as povoações com o mesmo nome – Soajo (concelho de Arcos de Valdevez) – e Lindoso (concelho de Ponte da Barca), esta última na fronteira com a Serra Amarela.
Ainda que Soajo tenha diversas casas de pedra recuperadas e uma agradável praça principal onde se situa o seu Pelorinho (para além do seu passado histórico de sempre haver reconhecido o rei de Portugal como seu líder, ao contrário de outras localidades que preferiam a liderança espanhola), e Lindoso possua igualmente como ponto alto o seu Castelo, ambas as povoações ganham grande relevo pela sua “colecção” de espigueiros.



Os espigueiros predominam sobretudo no norte de Portugal e servem para secar o milho, protegendo-o de um duplo perigo: intempéries e roedores. Daí o seu desenho rectangular alongado com fendas laterais, para arejar o milho (que é colhido no Outono e secado no Inverno), numa estrutura de pedra elevada para evitar os ratinhos. No topo possuem, normalmente, uma cruz para que o divino possa proteger os cereais. Por tudo isso, a mim fazem-me lembrar os túmulos que os romanos utilizavam para proteger os seus mortos.
Independentemente de algumas moradias disporem dos seus próprios espigueiros, a maioria destes exemplares estão instalados nas eiras comunitárias, reforçando o intenso espírito de comunidade muito presente nesta zona do país (atente-se, a este propósito, o forno comunitário de Tourém, na parte trasmontana do Gerês).



No caso do Lindoso são cerca de 50, bem junto ao Castelo, datados dos séculos XVII e XVIII, muitos deles ainda utilizados pelos seus habitantes.


No Soajo a eira comunitária tem 24 espigueiros, o mais antigo datado de 1782.



O certo é que, tanto no Soajo como no Lindoso, os espigueiros encontram-se pitorescamente dispostos, daqui resultando um autêntico museu destas formas.

Pelo Gerês - Júnias

A povoação de Pitões das Júnias pertence, tal como a Ponte da Misarela, ao concelho de Montalegre. Aqui e ali possui alguns edifícios bem conservados mas o destaque vai para a sua localização isolada. Olha-se por todo os lados e a rodeá-la só encontramos a paisagem monotonamente encantadora da Serra do Gerês, mais concretamente das terras do Barroso.




Mais isolado ainda e quase que escondido fica o Mosteiro de Santa Maria das Júnias. Este é um local bem improvável para darmos de caras com tal monumento, mas é isso que acontece se seguirmos (de carro) uns 2 km além do cemitério da povoação. Este mosteiro beneditino, talvez pelo local distante e ermo em que foi implantado, conserva ainda a sua configuração e ainda que possamos desejar que estivesse melhor cuidado e recuperado, não deixa de ser uma verdadeira surpresa que tenha chegado até aos nossos dias com as paredes e telhado da igreja intactos e que as ruínas adjacentes nos dêem uma leitura do que terão sido os seus claustros e serviços de apoio. Estima-se que 1147 tenha sido a data da fundação deste mosteiro, bem juntinho ao Ribeiro do Campesinho.



Aliado à vertente histórico-cultural, vale igualmente a pena caminhar pelas imediações do Mosteiro, num percurso fácil mas a espaços cansativo, até ao miradouro da Cascata de Pitões. A água que jorra em abundância pelas paredes da montanha compensa os inúmeros degraus de um recente passadiço em madeira que nos guia até ao local.

Pelo Gerês - A Ponte

Já no concelho de Montalegre, ou seja, na parte trasmontana do Parque, e passando Sidrós, encontramos a Ponte da Misarela após uma caminhada de cerca de 1km a partir do miradouro.



Vista cá bem de cima, é impossível não nos perguntarmos como conseguiram os nossos antepassados construir esta ponte medieval sobre o Rio Rabagão.



O arco parece mesmo obra do diabo, daí não ser estranho as muitas e variadas lendas que estão associadas a esta ponte. No entanto, não nos podemos deixar enganar pela apenas aparente fragilidade do arco e da ponte de pedra, ela que é também parte da história por ter presenciado aspectos das Invasões Francesas, uma vez que foi por aqui que o General Soult retirou em 1809.


Passemos, então, a ponte e apreciemos a altura que o seu arco dista do rio, ao mesmo tempo que não esquecemos que o vale fica, também ele, lá bem em baixo.

Pelo Gerês - O Restaurante

Em Brufe, aldeola do concelho de Terras de Bouro que dista uns poucos km em subida desde a barragem de Vilarinho das Furnas (no lugar onde se encontrava a aldeia que ficou submersa para a construção dessa obra), já na Serra Amarela, encontramos um dos locais mais improváveis para acolher um restaurante simultaneamente magnifico no que respeita à sua qualidade gastronómica e à arquitectura do seu edifício.
Debruçado nos socalcos sobre o vale do Rio Homem, e utilizando como materiais o granito, a madeira e o vidro, o Restaurante “O Abocanhadohttp://www.abocanhado.com/ não podia estar melhor integrado na paisagem que o circunda, cortesia dos arquitectos António Portugal e Manuel Maria Reis (curiosamente os mesmos que foram responsáveis pela Casa da Cerca, em Almada, de que tratava post anterior), e interior com mobiliário de Siza Vieira, obra de 2003 que mereceu alguns prémios internacionais de arquitectura.
O que mais deslumbra por aqui é a pacatez da vida das poucas casas da aldeia, também de pedra e granito, e das omnipresentes vaquinhas que seguem pastando junto aos espigueiros e ao sofisticado edifício do O Abocanhado.
O seu menu, como não podia deixar de ser, procura aproveitar também as tradições do lugar, especialmente no que à carne barrosã diz respeito.

Pelo Gerês - Caminhadas

Existem “n” actividades disponíveis para se fazer no Gerês, umas mais radicais e sofisticadas do que outras, mas visita ao Parque não fica completa sem as singelas caminhadas.
A nossa escolha recaiu no Trilho Cidade da Calcedónia, na expectativa de que em próximas visitas se possa ir realizando as demais caminhadas. A experiência, há que confessá-lo, não foi totalmente agradável. Apesar de este ser um dos trilhos oficiais, isto é, constantes do plano da Câmara Municipal de Terras do Bouro, a sua sinalização e condições do terreno não chegam ao limite do aceitável. A caminhada tornou-se, pois, perigosa e, assim, acabamos por ter direito à nossa actividade radical.
Foram cerca de 10km, em 5 horas de subida extenuante e descida que exigia toda a atenção por este trilho pedestre de pequena rota (PR). O grau de dificuldade vinha descrito como moderado mas, vejo agora, outros locais há que o caracterizam como de elevada dificuldade. Tivéssemo-nos documentado melhor previamente e nunca a mamã se veria metida nestas andanças. Mas sobrevivemos todas e valeu bem a pena a jornada.
O início e fim deste trilho circular é realizado em Covide e, para além do contacto privilegiado com a fauna e flora locais, tem com bónus suplementar o alcance do sitio arqueológico denominado “Fraga da Cidade” ou Calcedónia, lá bem no alto, no morro que teve em tempos a função de castro defensivo.

Por aqui o granito domina e, à medida que vamos alcançando o topo do monte, as rochas soltas vão-nos aparecendo com mais e mais frequência, com formas deveras curiosas, um cenário ideal para o desenvolvimento de um daqueles divertidos jogos que puxam à imaginação na escolha do
melhor objecto para se associar àquelas formas rochosas singulares.
Para leigos, nunca é fácil apercebermo-nos de quais as aves que vemos sobrevoar as nossas cabeças, mas por aqui existem diversas espécies como o falcão peregrino, a cotovia, o cuco, melro das rocha e melro-azul e a águia-de-asa-redonda. Diz que também existem por aqui lobos, mas felizmente não nos deparamos com nenhum. O que abunda é, sim, fetos. E torga. Aliás, foi a esta espécie de urze que Adolfo Rocha foi buscar o nome de Torga. Miguel Torga era natural de Trás-os-Montes e, amante da natureza, calcorreou estas paisagens fora. Em sua homenagem, a C.M. de Terras do Bouro designa um conjunto de trilhos pedestres como “na senda de Miguel Torga”.
Voltando ao duro trilho da Calcedónia, este acaba em beleza no Poço Azul, um recanto com um riacho com água fresquinha e, como não podia deixar de ser, clara e límpida, irresistível para se beber numa conchinha feita com as mãos.

Pelo Gerês - Cascatas

Nos 4 dias que passámos no Gerês calhou-nos levar com as 4 estações do ano. Com direito a fim de tarde e noite de dilúvio. Azar? Se atendermos a que seguíamos em pleno Julho, não parece existir dúvidas de que o será. Assim pensámos. Mas… que tal a ideia de numa só deslocação ao único Parque Nacional português conseguirmos ficar ao mesmo tempo com a imagem de como é a sua paisagem no Verão e no Inverno? Foi o que nos tocou, particularmente no que diz respeito às suas cascatas.
Se nos primeiros dias apenas vislumbrámos uns, poucos, fios de água pela Serra do Gerês afora, já no dia seguinte à grande chuvada podia observar-se abundantes quedas de água por todos os cantos.



A diferença entre a água plácida e calma da Portela do Homem no “dia de Verão” e o tormentoso correr da mesma água no “dia de Inverno”, então, era abissal. Indiscutivelmente, a preferência vai para o primeiro dia. A água proveniente do Rio Homem é por aqui distribuída em patamares, cada um formando uma piscina natural, possibilitando que aqueles que se encontram em melhor forma física e desejam alguma privacidade encontrem o seu cantinho de sonho. A água é absolutamente transparente. E fria.



Outra cascata, a do Arado, apesar de na sua cota inferior não produzir a mesma tranquilidade da da Portela do Homem, deslumbra-nos pela sua altura e força da sua água que cai veloz sobre uma pequena piscina natural. Subindo pelo vale acima, dizem (porque não o fizemos), encontraremos mais e mais cascatas e mais e mais locais que nos dão a sensação de estarmos sozinhos num mundo aparte.



Aqui perto fica o Miradouro da Pedra Bela, ponto privilegiado para assistirmos a parte da beleza esmagadora da Serra do Gerês juntamente com uma das várias barragens que por aqui foram criadas, neste caso a da Caniçada, com Rio Caldo e Caldas do Gerês também lá no fundo.

Pelo Gerês

Nestas férias de “Verão” aproveitámos uns dias para visitar o Gerês, do qual apenas retínhamos uma curta passagem de atravessamento Galiza – Braga.
Já sabíamos que 4 dias seriam escassos para um conhecimento mais profundo, daí que a parte da Peneda tenha sido relegada para uma futura visita.

Alguns detalhes geográfico-administrativos:

A Peneda-Gerês é o único Parque Nacional no território de Portugal;
Tem uma área total de cerca de 72 000 hectares;
Abrange os distritos de Viana do Castelo (concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca), Braga (concelho de Terras de Bouro) e Vila Real (concelho de Montalegre), os 2 primeiros no Minho e o último já em Trás-os-Montes;
Engloba as serras do Gerês, Soajo, Amarela e Peneda;

Eis, em seguida, alguns dos pontos altos da jornada:

sexta-feira, agosto 10, 2007

Almada Cerca Lisboa

O melhor de Almada é a vista para Lisboa?



A Casa da Cerca, centro de arte contemporânea e seus jardins, em Almada Velha, acima do Cais do Ginjal, confirma-o.
Mas se assim é, há que admitir que este é o lugar para se estar.
Contemplando Lisboa, é verdade, com as Torres das Amoreiras e o Panteão em destaque na outra margem.
Mas assistindo, também, ao vai e vem dos carros na Ponte, com o seu barulho característico sempre presente como música de fundo.
Aos barcos que atravessam o Tejo.
Aos miúdos que mergulham nas suas águas fazendo por ignorar que uns poucos km mais adiante existem águas do mar mais apropriadas.
Mas para nós, que vemos tudo isto num lugar privilegiado da plateia, cá de cima, tudo é mais do que apropriado.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Férias


Eu de férias, segundo a Ritinha.
O desenho transmite liberdade, leveza e felicidade.
Sentimentos que se esperam sempre mas sobretudo em período de férias.