domingo, dezembro 19, 2004

Patagónia em filme

Por ocasião da Mostra de Cinema Argentino que passou faz um ano no Cinema King, tivemos o privilégio de assistir ao "Histórias Mínimas", de Carlos Sorin.
Este filme ternurento mostra-nos a viagem de três personagens em busca das suas ilusões pelos caminhos intermináveis da solitária Patagónia. Ou melhor, por parte da província de Santa Cruz. É a história de Don Justo (um velhote de de 80 anos), de um caixeiro viajante e de uma senhora que vai receber um prémio que ganhou num sorteio de um programa de televisão. A que mais me marcou foi a de Don Justo, que percorre cerca de 400km, a pé e à boleia, em busca do seu cão Malacara por considerar que não foi correcto com ele e que por isso este teria fugido, o que o atormenta. Há em todo o filme o retrato da enorme solidariedade que se vive por aquelas bandas tão desoladas, mas que nem por isso afastam as pessoas de irem em busca dos seus sonhos.
É um filme despretencioso e simples, "mínimo".

sábado, dezembro 18, 2004

Torres del Paine

O Parque Nacional Torres del Paine. Infelizmente não tivemos sorte com o tempo, o que, aliás, não é difícil de acontecer por aquelas bandas, uma vez que o clima muda constantemente. Mesmo assim... valeu bem a pena.
O nome do Parque vem das suas mais que deslumbrantes formações rochosas, também conhecidas como Cuernos del Paine, as quais têm entre 2200 e 2850 metros (ainda que o Monte Paine, o maior maciço do Parque esteja a 3050 metros acima do mar). É considerado como um dos melhores lugares do mundo para fazer trekking, sendo que a caminhada por todo o circuito do Paine levará 6 a 8 dias. Isto, claro, se houver tempo para tanto. O Parque dispõe de todas as infra-estruturas necessárias, com vários refugios, e é igualmente permitido acampar em determinados locais.
Se só houver um dia para a visita, como foi o caso, vê-se o que se pode e sonha-se com o dia em que se voltará com mais tempo para explorar todo aquele exagero de natureza em estado bruto. Mas não se vê pouco: lagos de cor turquesa, cascatas, glaciares e uma abundante fauna. Do Lago Grey pode observar-se blocos de gelo que se desprenderam do glaciar do mesmo nome.
Aqui, e mais uma vez como na maior parte da Patagónia, sente-se a enormidade do silêncio e a solidão da natureza.

Lago Grey

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Percorrer, contemplar, descobrir

Percorrer, atravessar, deambular, contemplar, descobrir os Andes é, numa única palavra, soberbo.
Podemos fazé-lo das mais diversas formas. Porém, para contemplar existe uma que, pelas suas características, pode ser verdadeiramente arrebatadora. Refiro-me a sobrevoar os Andes. Percorrer longitudinalmente a espinha dorsal da América do Sul.
O que à partida parecia ser mais um voo aborrecido e um meio para atingir um fim (literalmente, porque o objectivo era chegar a Punta Arenas, que fica no fim do mundo. Ou será o início? ), transformou-se numa experiência magnífica e esclarecedora da geografia maravilhosa deste pedaço do nosso planeta.
Devem-se ter conjugado os astros, pois o resultado foi extraordinário. Aliado às condições meteorológicas perfeitas, ainda tivemos a sorte de irmos no lado certo do avião (esquerdo, se não me engano). Depois... Depois, foi só contemplar e disfrutar da maravilhosa paisagem. As pérolas que ficam entre Santiago do Chile e Punta Arenas foram todas avistadas. Os diversos vulcões (Puyehue, Osorno). A Laguna de San Rafael. Os glaciares. Os picos nevados. Os picos mais emblemáticos, como as Torres del Paine.
Obviamente que o voo oferece-nos sobretudo uma panorâmica, uma visão superficial. Não ficamos a conhecer verdadeiramente os lugares. No entanto, a paisagem é tão avassaladora que tudo o resto é que se torna superficial.

Sobrevoo glaciar - algures no Sul do Chile

quinta-feira, dezembro 09, 2004

"Férias de Sonho"

5.ª feira é dia de Revista Visão.
E não é que, passe a pretensão, parece que a Visão andou a retirar ideias aqui do nosso blogue? É só ver a capa
Sem dúvida que é uma óptima sugestão.

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Yo Vengo A Ofrecer Mi Corazón

Quién dijo que todo está perdido
Yo vengo a ofrecer mi corazón
Tanta sangre que se llevó el río
Yo vengo a ofrecer mi corazón

No será tan fácil, ya sé que pasa
No será tan simple como pensaba
Como abrir el pecho y sacar el alma
Una cuchillada del amor

Luna de los pobres siempre abierta
Yo vengo a ofrecer mi corazón
Como un documento inalterable
Yo vengo a ofrecer mi corazón

Y uniré las puntas de un mismo lazo
Y me iré tranquilo me iré despacio
Y te daré todo, y me darás algo
Algo que me alivie un poco más

Cuando mo haya nadie cerca o lejos
Yo vengo a ofrecer mi corazón
Cuando los satélites no acancen
Yo vengo a ofrecer mi corazón

Y hablo de países y de esperanza
Hablo por la vida, hablo por la nada
Hablo de cambiar ésta, nuestra casa
De cambiar por cambiarla no más

Quién dijo que todo está perdido
Yo vengo a ofrecer mi corazón

de Fito Páez

Condor a planar

Fauna Andina - Condor

O Condor Andino é um dos símbolos dos Andes e é a maior ave do mundo. Chega a atingir 12 Kg e 3 metros de envergadura (ponta a ponta das asas abertas), como tal é incrivelmente imponente. Devido a ter as asas tão grandes consegue planar muito tempo, procurando com a vista aguçada os animais mortos de que se alimenta.

Fauna Andina - Lhamas

Domesticadas há séculos pelos incas, as lhamas foram os primeiros animais de carga dos Andes. São reconhecidas 3 espécies do género lhama: a lhama, a alpaca, e o guanaco. Ambos são animais fortes que suportam facilmente pesos elevados (60 kg) mesmo em terreno de topografia acidentada, como é o caso dos Andes. Ainda hoje, a população andina os usa para esse fim, bem como a sua lã, couro e carne.
São em termos gerais animais de fácil manejo e dóceis, contudo, quando maltratados, replicam às agressões dirigindo uma belíssima e volumosa cuspidela nos surpresos agressores.

Guanacos

sábado, dezembro 04, 2004


Glaciar Serrano Posted by Hello

Puerto Natales e Seno Ultima Esperanza Posted by Hello

Puerto Natales - partida para os fiordes e glaciares

Chegada a Puerto Natales, a cidade mais próxima das Torres del Paine e ponto de partida para explorar o Parque: montanhas e mais montanhas de puerto natalinos a “oferecer” alojamento – particular – aos viajantes. A cidade, em si, não tem grandes atractivos para além daqueles de um pequeno povoado bastante hospitaleiro, mas tem boas infra-estruturas turísticas. É no entanto inesquecível pela natureza que a envolve. Desde logo, o Seno (Fiorde) Ultima Esperanza, os Glaciares Balmaceda e Serrano com os Cuernos del Paine a avistarem-se ao fundo. E, num outro plano, a Cueva del Milodon, a qual serviu de inspiração a Bruce Chatwin para o livro In Patagonia.
Após um dia belíssimo de navegação no Fiorde tocou-nos um dia feíssimo rumo ao Parque Nacional Torres del Paine (cerca de 2 a 3 horas de viagem desde Puerto Natales). O tempo na Patagónia é assim, não se pode contar muito com ele.

Punta Arenas para Puerto Natales

O Parque Nacional Torres del Paine (na foto em baixo vêem-se os “Cuernos del Paine”) fica situado no Sul do Chile. Desde Punta Arenas, a capital da província de Magallanes, terá de se apanhar um autocarro até Puerto Natales. São “apenas” 4 horas de viagem, sempre a direito e sempre plano, com pouca vegetação (as poucas árvores existentes vão-se curvando à passagem dos fortes ventos da Patagónia). No autocarro poucos viajantes. E muitos “locais”. Em pé. Autocarro completamente cheio. Mas ninguém se aborrece e a maior parte dos passageiros terá muitas horas de viagem pela frente. Pelo caminho vêem-se algumas estâncias a km e km de distância umas das outras. Tudo aqui é imenso, a paisagem, o vento, a solidão. Poder-se-ia dizer que sempre a mesma paisagem cansa. Mas não, a sensação de descompressão do fim do mundo produz o efeito contrário.

sexta-feira, dezembro 03, 2004


Parque Nacional Torres del Paine - Chile Posted by Hello

quinta-feira, dezembro 02, 2004

América do Sul - Imagem de Satélite

E quando queremos ficar maravilhados podemos admirar uma imagem de satélite
http://www.globe-images.com/south-america-image.htm

América do Sul - Mapa

Quando estamos perdidos o melhor é olhar para o mapa
http://www.geographicguide.com/south-america-map.htm


Geograficamente falando

A formação da cordilheira dos Andes é o resultado do movimento tectónico de colisão entre a placa oceânica Nazca (Oceano Pacífico) e a placa continental da América do Sul. De uma forma simplista, o choque destas placas provocou o enrugamento da superfície, formando as cadeias de montanhas que compõem a cordilheira dos Andes, a mais extensa do mundo. Estende-se por 7500 km, desde o norte da América do Sul (na Venezuela) até ao extremo sul (na Terra do Fogo), atravessando sete países: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina.
O extraordinário da cordilheira dos Andes é que o tipo das montanhas vai mudando de um lugar para o outro. Na região do Equador são cobertas de floresta e existem vulcões. Na Colômbia e na Venezuela o subsolo é riquíssimo, havendo diversos poços de petróleo. Muitos outros minerais e pedras preciosas são retirados das montanhas: cobre, prata e ferro no Chile, estanho no Peru e na Bolívia, esmeraldas na Colômbia. No Peru, a cordilheira transforma-se num grande planalto com diversos lagos. O Titicaca, na fronteira da Bolívia com o Peru, é o mais emblemático, uma vez que é o lago mais alto do mundo (4000 metros de altitude). Ainda no Peru, ficam as ruínas da civilização Inca, na antiga cidade de Machu Picchu. Na Argentina fica a maior montanha da cordilheira e uma das maiores do mundo, o Aconcágua (6.959 metros). Neste ponto, ao sul do continente, o clima é extremamente frio e a neve é uma constante. No sul da Cordilheira estão as paisagens mais frias da América do Sul: a Patagónia, na Argentina e no Chile.
De norte a sul, os Andes são ao mesmo tempo uma mesma cordilheira e um conjunto de montanhas que têm diversidades, histórias e mistérios diferentes.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Porquê?

Uma breve apresentação:
As manas gostam de viajar e o destino preferido é, talvez, a América Latina. Apesar de conhecermos melhor o Brasil, nos últimos anos este país foi destronado do topo dos preferidos pela Argentina. E, à conta da Patagónia, o Chile está também no topo dos países fantásticos (e à conta de muito mais, certamente, o que será confirmado, espero, em futuras viagens).
Atravessando a Cordilheira dos Andes toda a América do Sul, terminando só bem lá em baixo, a tempo ainda de tocar o Estreito de Magalhães, vamos procurar que este blog se dedique aos Andes Sem Parar.
Quanto ao mais, postaremos sobre o que calhar e se calhar.