quarta-feira, agosto 09, 2017

Taipé

A primeira impressão de Taipé ("Taipei", literalmente, "Taiwan do norte") é a de que estamos num pedaço urbano rodeado de montes. Seja numa viagem de autocarro ou de metro à superfície, as montanhas são omnipresentes e poderosas com a sua carapinha verde.
As elevações à volta de Taipé são conhecidas como "As Quatro Bestas": a montanha do Tigre, a montanha do Leopardo, a montanha do Leão e a montanha do Elefante.
Começaremos o nosso périplo por Taipé precisamente por esta última. 


A montanha do Elefante é a mais acessível de todas estas montanhas e é aquela que nos permite viver e perceber a cidade nas suas múltiplas facetas. 
Primeiro contraste: o trilho para a subida rumo a este recanto da natureza tem início perto do Taipei 101, o maior ícone da cidade e símbolo da sua pujança urbana e económica. 




É um jogo divertido ir subindo por entre a mata que nos envolve totalmente para aqui e ali nos deixar ver entre o arvoredo a elegante silhueta do Taipei 101, elemento único na paisagem mas nem por isso dissonante. A vista que se alcança da montanha é o que buscamos em primeiro lugar, mas logo percebemos que muito mais há a receber daqui. Entendêssemos um pouco de flora e muito haveria para descobrir por aqui, tal é também a diversidade de árvores. As sombras não salvam do calor húmido intenso que nos cola a roupa ao corpo, mas isso não chega para nos distrair da chinfrineira dos pássaros e aves diversas. As possibilidades de trilhos são tantas que, tirando o ponto mais concorrido das famosas pedras com vista para o omnipresente Taipei 101, quase não nos cruzamos com ninguém. Natureza pura, melodia cacarejante que nos faz cair na contradição de viver um ruído silencioso e eis que me deparo com um grupo de estudantes que insistem em trocar umas palavras em inglês comigo e em cantar-me uma música. Aceito e lamento que o meu mandarim seja insuficiente para compreender a sua mensagem.

De volta ao sopé da montanha, não perco de vista o Taipei 101 e caminho em sua direcção observando-o de diversos prismas. De um cruzamento, por entre edifícios, desde a Vila 44. 


A Vila 44 foi o bairro onde as tropas nacionalistas se instalaram em 1949 quando os comunistas fundaram a República Popular da China após vencerem a guerra civil aos nacionalistas. As habitações tinham condições precárias e pretendiam-se temporárias, enquanto se acreditava poder re-ganhar a China continental. Hoje este quarteirão está preservado como reconhecimento de parte da história de Taiwan. E se já por si representaria um símbolo do contraste entre velho e novo na cidade, o facto da Vila 44 estar hoje situada no regaço do Taipei 101, vendo-se das traseiras das suas casinhas baixinhas coloridas emergir a enorme torre azul rumo aos céus, esse contraste torna-se então absolutamente poderoso.


O Taipei 101 tem 508 metros e à data da sua construção, no ano de 2004, ganhou o título do edifício mais alto do mundo, até ser destronado em 2009 pelo Burj Khalifa do Dubai. Não é, porém, apenas mais um arranha-céus. Na paisagem de Taipé reina imperial e praticamente sozinho, mas este é em edifício singular na sua estética. Visto da montanha do Elefante até se pode assemelhar a um foguetão preparado para ser lançado para o espaço, mas de qualquer lado donde o vamos avistando nos apercebemos das suas semelhanças com um pagode ou um ramo de bambu. Muito cá da casa, portanto. 


Gostei muito da arquitectura deste Taipei 101, mas não sei até hoje se gostei de subir no seu elevador até ao posto de observação no 89.° andar. É uma experiência e tanto, daquelas que não se devem perder, mas que podem não ser, ainda assim, totalmente positivas. Explicando melhor, esta viagem dura exactos 37 segundos a uma velocidade de 1010 milhas por minuto numa caixa partilhada por mais de uma dezena de pessoas cujos ouvidos irão, na sua maioria, bloquear. Soa desconfortável? É mesmo. 




Do 89.° e do 90.° andares do Taipei 101 consegue-se alcançar perfeitamente a situação geográfica de Taipé. Localizada num planalto, a capital da província de Taiwan desde 1886 parece não cessar a sua ânsia de se estender.



Voltando a assentar os pés na terra, tirando este seu ícone não existem muitos mais edifícios que possamos identificar facilmente com Taipé. Os memoriais em homenagem a Chiang Kai-shek e Sun Yat-Sen serão duas excepções. A enormidade de ambos os edifícios é certamente proporcional à admiração pelas duas figuras históricas, embora a do generalíssimo já tivesse visto melhores dias. Também pelo simbolismo que representa, uma palavra para um dos primeiros edifícios modernos da cidade, o Zhongshan Hall, lugar onde os japoneses fizeram a cerimónia de rendição da II Grande Guerra Mundial.


Em termos urbanísticos, na Taipé de hoje identificamos três períodos distintos: o da era da dinastia chinesa Qing, o do tempo colonial japonês e o tempo moderno.







Uma caminhada pela rua Dihua transporta-nos para tempos que pareciam esquecidos. Antiga rua central de comércio por excelência, aqui abundavam - e abundam - as lojas de medicina chinesa. Com muita confusão e muito movimento, esta rua e as suas vizinhas que a acompanham de forma irregular são estreitas e possuem alguns edifícios singulares.


A uma boa caminhada dali encontramos a actual centralidade da cidade. Zhongzheng possui também alguns resquícios da era Qing, mas os japoneses acrescentaram-lhe edifícios governamentais, espaços públicos e grandes avenidas planeadas ao estilo francês dos boulevards. Ruas estreitas lado a lado com ruas largas, edifícios clássicos, neoclássicos e modernistas, todos num alegre convívio. 



Não falta sequer a meca local da cultura jovem consumista: o bairro de Ximending. Aqui é onde Taipé é mais Tóquio. Há uma rua inteira só com cinemas, comércio de tudo e mais alguma coisa, incluindo uma loja exclusivamente dedicada à série de manga One Piece, bares e restaurantes, lojas de tatoos, diversas obras de arte urbana, o que imaginarmos deve haver por aqui.



A versatilidade e modernidade de Taipé é nos ainda revelada pela sua capacidade em regenerar e reconverter espaços. Três exemplos: a Red House (primeiro mercado público da cidade, hoje centro cultural), o Songshan Culture e Creative Park (antiga fábrica de tabaco, hoje centro cultural) e o Huashan 1914 Creative Park (antiga fábrica de vinho, hoje... adivinhem?). 


Pegando na ideia deste último, o de maior sucesso, os diversos edifícios da antiga fábrica que fechou nos anos oitenta foram reconvertidos na década de noventa em lojas, cafés, restaurantes, galerias, espaços musicais e expositivos. É hoje um espaço totalmente aberto à criatividade onde os visitantes têm de fazer fila à porta de cada uma das divisões a visitar.



Taipé vem referida como uma das cidades asiáticas mais vibrantes. Moderna e com laivos de tradição, pejada de templos e com o seu Museu Nacional de classe mundial, é hoje um dos lugares para se ir no que se refere a comida, seja num restaurante ou numa banca de um dos seus inúmeros mercados de rua. 

segunda-feira, agosto 07, 2017

Taiwan


Navegadores portugueses foram os primeiros europeus a avistar a ilha de Taiwan e de tal forma ficaram seduzidos que logo lhe deram o nome de Formosa. A ilha (mais o arquipélago dos Pescadores) é coberta de montanhas, rios e planícies, natureza em estado bruto onde cabe ainda uma das cidades mais vibrantes da Ásia: Taipé.


Mas a vida em Taiwan começou bem antes dos portugueses lhe porém a vista. Vestígios encontrados indicam que existirá vida humana na ilha desde há 50 000 anos e apesar dos ancestrais dos autóctones taiwaneses terem vindo do sul da China por mar há cerca de 6000 anos, a ilha permaneceu aborígene até ao século XVII. Foi o comércio, promovido por portugueses, espanhóis e holandeses, ao redor desta estratégica geografia então no caminho das mais apetecidas rota do oriente, entre China, Japão, Filipinas e Macau, que trouxe novos indivíduos à ilha. De duas formas: como consequência da colonização, primeiro por parte dos espanhóis (com marcas da sua presença ainda hoje, como é exemplo o Forte de San Domingo, em Tamsui, Taipei), depois pelos holandeses (com presença praticamente de norte a sul da ilha); e como consequência da emigração, em especial de chineses vindos da província do Fujian. A costa chinesa está a meros 165 km de Taiwan. 
A mudança de dinastias na China, dos Ming para os Qing, em 1644, levou a uma vaga de migração para a ilha, com muitos temendo a instabilidade. 

É aqui que entra na história um personagem curioso, Koxinga para a posteridade. Almirante leal aos Ming, invadiu Taiwan com o objetivo de terminar com a colonização holandesa na ilha (o que conseguiu) e reconquistar a China continental (o que não conseguiu). Após a morte de Coxinga a ilha acabou por cair para o domínio dos Qing e passou a ser parte da província de Fujian, com capital, em Tainan. Desenvolveu-se rapidamente sob os Qing, ao lado da cana de açúcar dos holandeses, plantações de arroz surgiram, e as emigrações intensificaram-se ainda mais e a população Han foi crescendo e tornou-se maioria. Estes Han estavam subdivididos em duas origens, os Hoklo do Fujian e os Hakka do Guangdong, de quem descende a maioria dos taiwanese de hoje. 

O final da dinastia Qing foi turbulento com a rebelião Taiping e, sobretudo, as Guerras do Ópio. A II Guerra do Ópio, em 1860, foi decisiva com a forcada abertura de Taiwan ao comércio com o ocidente, levando muita gente à ilha, desde mercadores, soldados, missionários, diplomatas e estudantes, todos eles na rota do comércio global.

Em 1895, às humilhações impostas pelos ocidentais à China junta-se aquela que o Japão impôs à China na sequência da vitória na guerra que travaram entre si. O Tratado de Shimonoseki obriga a China a ceder Taiwan e a Ilha dos Pescadores aos japoneses (mais Okinawa). Apesar da resistência dos locais, a situação manteve-se até 1945, momento da capitulação do Japão na II Grande Guerra Mundial. 

No entanto, o Japão enquanto colonizador tentou tornar Taiwan num modelo de modernidade. Os japoneses construíram estradas e trilhos de comboio, abriram escolas e colégios, implementaram novas técnicas de agricultura e, em consequência, a população aumentou de 2,6 milhões para 6,6 milhões de 1896 a 1944. A ilha passou de rural para urbana e moderna e auto-suficiente em termos financeiros, bem como economicamente e industrialmente robusta. 

Com os japoneses começou a falar-se de uma identidade taiwanesa, por contraposição à identidade chinesa (hoje são cada vez mais aqueles que se afirmam como sendo em primeiro lugar taiwaneses - e os taiwaneses são 98% Han, que inclui os Hoklo e os Hakka, e 2% aborígenes, com 14 tribos aborígenes reconhecidas oficialmente). Com a capitulação japonesa, Taiwan retornou para as mãos chinesas e voltou a integrar o seu território. 

Acontece que a guerra civil entre os nacionalistas do KMT e os comunistas do PCC resultou na vitória destes últimos e na fundação da República Popular da China em 1949. Os nacionalistas, com o seu líder Chiang Kai-shek na dianteira, recuaram para Taiwan, com o objectivo de conquistar a China continental, e aqui fundaram a República da China - entidade que havia sido criada na China em 1911, após a queda da dinastia Qing, tendo Sun Yat Sen sido um dos seus mentores e, por isso, ainda hoje é admirado em Taiwan. 

A princípio reconhecida pelos EUA e diversos outros países como a verdadeira China, na década de 70 as coisas começaram a mudar com a visita de Nixon à República Popular da China e o reatar de relações entre os EUA e a RPC, acabando Carter em 1979 por reconhecer a RPC como a verdadeira China.

Apesar da pujança económica - que levou ao reconhecimento internacional do "made in taiwan" e à pertença do clube dos "tigres asiáticos" - o governo do KMT em Taiwan foi sinónimo de uma era de autoritarismo e o fim da lei marcial apenas foi declarado em 1987. A partir daí o caminho para a democracia foi trilhando os seus passos, até 1996 trazer as primeiras eleições presidenciais directas, podendo hoje considerar-se Taiwan como um sucesso democrático, na verdade, o único território de língua chinesa onde a democracia marca presença. Nas eleições de 2000 o KMT perdeu, finalmente, para o DPP.

Actualmente o panorama em Taiwan segue marcado pelas relações com a China e o seu estatuto político é dúbio, sendo o cenário mais ou menos o de um "tu não chateias e eu não chateio". Ou seja, tu não nos anexas e nós não declaramos a independência.


Mesmo numa breve visita a Taiwan podemos concluir a influência chinesa um pouco por todo o lado. Os migrantes do Fujian e do Guangdong trouxeram a sua cultura e ela está presente - na comida e nos templos, por exemplo. Nas ruas de Taipé, no entanto, Ximending e a sua cultura jovem está mais próxima de Tóquio do que de Pequim. Na sua globalidade, talvez possamos concluir que a Taiwan de hoje mescla a China e o Japão para dai fazer emergir um país com uma identidade própria, a taiwanesa.

sexta-feira, agosto 04, 2017

Breves Apontamentos sobre Literatura Chinesa

Apesar de não ser a civilização mais antiga do mundo, os chineses possuem a mais longa história cultural em termos de continuidade. Na visão tradicional chinesa, a cultura é como um rio contínuo. Nesta ideia de cultura inclui-se a arte, a arquitectura e a literatura. É quanto a esta última que me debruçarei de modo breve.

Foi o sistema de escrita (primeiro em pedra, bronze, seda, bambu e, depois, em papel) e sobretudo a sua continuidade e unidade ao longo de grande parte do continente que permitiu e permite a comunicação entre os indivíduos, mesmo se a linguagem falada é diferente de região para região. Faz, pois, todo o sentido a afirmação de que ao longo dos milénios de história da China a sua permanência se deve mais às suas tradições literárias do que à sua história política. 

O poder da escrita é tal que existe a convicção de que muitos dos problemas existentes podem ser ultrapassados através da literatura e de que esta tem a força para abrir os olhos, mentes e corações das pessoas. Em resumo, moldar valores e influenciar comportamentos.

Encontramos, assim, primeiramente uma função moralista nos princípios da escrita na China.
São conhecidos e possuem influência até hoje os textos ligados ao budismo, confucionismo e taoismo. Nomes como Confúcio (551-479 a.C.), Mêncio (372-289 a.C.) e Laozi (data de vida desconhecida, talvez entre o século VI e IV a.C.) despertam curiosidade com as suas parábolas e os seus ensinamentos ainda definem e guiam o modelo de homem virtuoso. Entre as maiores virtudes do homem culto está, claro, a concordância entre a sua palavra e a sua acção. 

Mesmo tendo em conta estes textos filosóficos, a poesia é o género literário mais reverenciado na China. A classe escolarizada tinha como requisito de virtude a devoção à escrita de poesia. As emoções da escrita da poesia eram-nos passadas através da inspiração por temas como a transcendência, o decoro e a elegância, a melancolia e o arrependimento, a separação e a natureza. 
Como poetas maiores da China temos Du Fu (712-770) e Li Bai (701-762), ambos do tempo da Dinastia Tang, apelidada como a era dourada da cultura chinesa, em que um poema era tanto um acto social como uma obra de arte.

Quanto à ficção, talvez as primeiras narrativas tenham aparecido no século V a.C. As histórias não baseadas na história (género muito apreciado na China, com o nome do historiador Sima Qian, 145-87 a.C., à cabeça) eram contos descrevendo situações estranhas associadas a deuses, fantasmas, espíritos, seres fantásticos, monges budistas.

De 804 data A História de Yingying, provavelmente a mais conhecida história de amor chinesa.
O mais celebrado romance é, quase sem discussão, o Hung Lou Meng (O Sonho da Casa Vermelha), publicado em 1792, durante a dinastia Qing. Narra um triângulo amoroso num clã em decadência que atravessa parte dos anos Qing, caracterizando-os socialmente. Antes, porém, a época da dinastia Ming viu surgirem quatro obras-primas: O Romance dos Três Reinos (publicado em 1522, mas revisto por gerações até ser publicado em 1679, é um romance histórico que narra os anos finais da dinastia Han e dos Três Reinos até à reunificação da China), Borda de Água (publicado em 1550, narra as aventuras de um grupo de foras-da-lei), Viagem para Ocidente (publicado em 1592, inspirado na peregrinação do monge Xuanzang à Índia, contando a lenda de Sun Wukong, o rei macaco) e o Jin Ping Mei (qualquer coisa como A Flor da Ameixeira do Vaso Dourado, publicado em 1610, com conteúdo sexual explícito, pela libertinagem sexual dos seus personagens).

A maior parte destas obras devem muito à oralidade e foram sendo publicadas em capítulos, até serem reunidas numa só publicação.

Quanto à literatura moderna, focarei os autores traduzidos em Portugal.


Desde logo, Lu Xun, o maior escritor chinês do último século. O seu conto "Diário de Um Louco", de 1918, possui um sentido crítico da sociedade de então. Pleno de metáforas, apresenta-nos uma personagem louca, mas seria esta loucura efectivamente uma doença ou antes uma consciência crítica de uma pessoa bem lúcida? Uma metáfora para dizer algo, numa China que estava a nascer. 


Um dos livros de autores chineses mais lidos no ocidente é provavelmente o "Cisnes Selvagens: 3 Filhas da China", escrito em 1991 por Jung Chang. Esta autora, que escreveu também biografias de Mao e da Imperatriz Cixi, percorre a história da China do século passado através da descrição da vida afortunada e desafortunada de três gerações. Estas três gerações são da sua família, sendo a última a sua própria vida. Nesta obra encontramos várias ideias e situações que facilmente identificamos com a China, como os pés enfaixados, as concubinas, o grande salto em frente e a revolução cultural. A própria autora chegou a pertencer ao Exército Vermelho enquanto adolescente, em tempos de encantamento por Mao. Mas o desencanto venceu e os tempos difíceis da vida da China comunista estão aqui duramente retratados. Este livro está proibido na China.


Os dois prémios Nobel da Literatura chineses, Gao Xingjian e Mo Yan, estão ambos traduzidos em Portugal. Deste último temos disponível o aclamado "Peito Grande, Ancas Largas", publicado em 1996. Ao longo de 600 páginas, o prémio Nobel de 2012 conta-nos a história da família Shangguan, em especial da mãe que deu à luz 8 filhas mais 1 filho, todos eles de outro que não do seu marido estéril. A estes 9 há que a acrescentar ainda os netos que foram dando àquela mãe e mais uma série de crianças. E essa história desenrola-se ao longo da própria história da China do último século: a invasão japonesa no século XX, a grande fome dos tempos de Mao - o grande salto em frente e a revolução cultural - e a ascensão de uns quantos oportunistas durante o regime comunista que sobreviveu a Mao. Muito drama, provação e ironia à mistura. É uma espécie de realismo mágico, tão ao jeito dos latino-americanos, com cenas estrambólicas no caminho, como os sonhos do único filho varão, Jintong, obcecado por seios e viciado no seu leite até tarde na sua adolescência. Estas e outras marcas de erotismo que se pensa não esperar encontrar em livros de um chinês ainda assim bem visto pelo governo.


Quem não é assim tão bem visto pelo governo chinês e tem mesmo os seus livros proibidos na China é Yu Hua. Na sua "Crónica de Um Vendedor de Sangue", escrito em 1995, encontramos também muita imaginação ao estilo realismo mágico e muita ironia para caracterizar a sociedade chinesa da última metade do século passado, em especial as décadas de cinquenta a oitenta. Xu Sanguan, apelidado de "bandido suicida", é o protagonista que vende sangue como forma de sobrevivência. Argumentava que "o sangue do corpo é como a água de um poço, não desaparece por se ir tirando", ao passo que a sua mulher estranhava este comportamento pois "desde pequena que o meu pai me diz que o sangue que temos no corpo foi-nos dado pelos nossos antepassados. Uma pessoa pode vender farturas, pode vender a casa ou a terra... Vender sangue é que não. Mesmo que se venda o corpo, não podemos vender sangue. O corpo é de cada um, mas o sangue pertence aos antepassados. Vendeste os teus antepassados".
Este livro, cuja escrita de frases curtas deve muito à oralidade, perpassa a vida deste casal com três filhos na China comunista sob as ordens Mao. Para ganhar a mulher Xu Sanguan foi vender sangue, para ultrapassar a fome durante o grande salto em frente idem, para trazer os filhos de volta do trabalho nos campos durante a revolução cultural ibidem e para salvar o filho da morte repetidas vezes idem e ibidem. Pelo meio, ainda viu a mulher, e com isso toda a família, sujeita a humilhações públicas pela acusação (sem sentido) de prostituição durante o movimento de autocrítica. "Já começo a perceber o que é isso da revolução cultural. No fundo, é um momento para vinganças pessoais. Se no passado alguém te ofendeu ou prejudicou, agora podes escrever um dazibao para colar na rua. Podes dizer que essa pessoa é um antigo dono de terras ouvidores e acusá-lo de ser contra-revolucionário, qualquer coisa serve.".
Com muita ironia à mistura e sem precisar de grandes explicações ou tratados políticos, filosóficos ou morais, Yu Hua e a sua metáfora do sangue mostram-nos a resiliência deste personagem chinês que cai e se levanta, mesmo se para isso tenha de vender a alma num mundo em que a seriedade e honestidade não vencem a corrupção e o amiguismo.

Para esta viagem à China escolhi acompanhar-me da leitura de "A Minha Vida Enquanto Imperador", de Su Tong (1992).

domingo, julho 30, 2017

Um filme - Chungking Express

Wong Kar-wai é um cineasta admirado um pouco por todo o mundo, embora seja visível uma clara diferenciação da sua obra antes do ano de 2000 e depois desse ano.
“In The Mood for Love” (Disponível para Amar), precisamente do ano 2000, é um filme melancólico  e de uma elegância superior, mas que marca um corte com os filmes anteriores de WKW.


Chungking Express (Chung Hing sam lam), de 1994, por exemplo, é um filme frenético, quase caótico. O ritmo aqui é intenso, por contraposição ao tempo que vai passando lento ao som do Quizás espanhol de Nat King Cole e dos jogos de fumo de cigarro em Disponível para Amar.
A música, elemento essencial no cinema de WKW, tem um papel marcante na (ainda) maior vivacidade que acrescenta a Chungking Express. A sua cena inicial, em slow-motion mas com a câmara sempre irrequieta, é acompanhada com um som que lá encaixa na perfeição: imperdível. Filmado em Hong Kong, cidade onde o realizador cresceu, este é um dos filmes indispensáveis quando se pensa na dupla cinema - Hong Kong. Hong Kong é mesmo uma personagem principal e o ritmo louco da cidade é transposto para a tela de uma forma magistral. Filmado maioritariamente à noite, são nos mostradas duas histórias separadas dentro do mesmo filme. Dois polícias de turno, cada um deles a viver o fim de uma relação, logo se deixam encantar por mulheres também elas loucas e frenéticas como a cidade. Uma misteriosa, sempre de óculos escuros, outra esfuziante, ouvindo música em altos berros. As duas em fuga, reforçando a ideia de constante movimento de Chungking Express. 
Filmado três anos antes da prevista transição de Hong Kong do Reino Unido para a China, em 1997, WKW poderia ter pensado em oferecer este presente aos britânicos ou aos chineses. Mas não, ofereceu-o a todos nós.

Um realizador - Jia Zhang-ke

Jia Zhang-ke é um dos mais estimulantes e aclamados realizadores da actualidade. Nascido em 1970, em Fenyang, província de Shanxi, China, a sua filmografia não é fácil de qualificar. Documentário ou ficção? O que é certo, porém, é que todos os seus filmes partem da realidade actual para se focarem numa análise critica da China contemporânea, interligando histórias acerca do passado e do futuro, velho e novo, tempo e espaço e mobilidade e imobilidade. São estas contradições e as tensões entre elas que nos mostram a China de hoje pelos olhos de Jia Zhang-ke, uma China distante, desconhecida e nem sempre compreendida pelo mundo ocidental. No entanto, Jia Zhang-ke é mais admirado e respeitado no ocidente do que na própria China, onde também nem sempre é compreendido e aceite. A propósito de uma comparação entre a China e a Europa e da forma como é cá recebido, o realizador diz-nos que na Europa valorizamos o seu trabalho a nível estético e que na China apreciam apenas a história e a qualidade do drama.


As atenções voltaram-se para Jia sobretudo com filme "Sanxia haoren" (Natureza Morta), premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2006. O filme trata da questão – real – da construção da Barragem das Três Gargantas, uma barragem hidroeléctrica no rio Yangtze cuja construção implicou a inundação e correspondente desaparecimento de inúmeras vilas e aldeias. Foi necessário o deslocamento e realojamento de mais de um milhão de habitantes. Junto com este drama colectivo, Jia foca-se na história de um indivíduo que volta para procurar a sua ex-mulher e filha, que não vê há anos. Mas o ponto essencial e a mensagem que nos é transmitida é esta ideia chinesa de hoje de que há que caminhar para um lugar melhor, mesmo que isso signifique o sacrifício do presente. Este é um cinema meditativo, o retrato de uma nação a caminho acelerado para o capitalismo, mas com hábitos comunistas, e que não tem pudor em mandar à urtigas séculos de história.


Antes deste filme, Jia havia já filmado "Xiao Wu", em 1998, a sua primeira obra. Conta a história de um ladrão de carteiras habilidoso, mas que vai perdendo a consideração dos amigos e da família. Interessante nestes filmes é a presença da música, uma constante, seja no rádio, seja na televisão, a música popular faz-se ouvir. 


Do ano 2000 é "Zhantai" (Plataforma), o filme de Jia que menos gostei, para além de longo demais. Trata de uma trupe teatral instalada na China profunda e onde dominam ainda os preceitos maoistas, vivia-se então o comunismo nos anos 80.


"Shijie" (O Mundo), de 2004, é um filme mais vivo e é passado no Parque Mundial de Pequim, um lugar verdadeiro, mas que mais parece (apenas) coisa de filme. Neste lugar perto de Pequim encontramos a Torre Eiffel lado a lado com o Big Ben, a Torre de Pisa, as Pirâmides do Egipto ou o Taj Mahal. O ponto deste filme é a cultura da cópia que rodeia a China adepta de uma arquitectura da duplicação. Questões como a identidade, a autenticidade, o urbanismo e a globalização são aqui abordadas, bem como o poder desta nova China. O mote deste Parque real é qualquer coisa como "dê-nos um dia e nós dar-lhe-emos o mundo". A China, o Império do Meio, como centro do mundo no século XXI. Economicamente poderosa, a competição com o ocidente faz com que esta China tome o objecto e até o símbolo ocidental para si e o faça seu. Neste filme a questão da mobilidade, designadamente as migrações, é também focada. Mostra-nos a vida dos trabalhadores deste Parque, quase todos eles migrantes de algum canto da China, e suas relações e conflitos num mundo de imitação.

"Er shi si cheng ji" (24 City), de 2008, foi o único filme de Jia Zhang-ke que não vi.


"Tian zhu ding" (China - Um Toque de Pecado), de 2013, teve estreia nos cinemas portugueses e colocou definitivamente Jia Zhang-ke no centro das atenções cinematográficas (não pela estreia em Portugal, claro). São quatro histórias baseadas em factos reais e passadas em diferentes províncias da China que se entrecruzam. A temática comum a todas elas é a tradição do passado e a chegada do progresso e do capitalismo. Apesar de ao início vermos a deslocação em massa dos chineses de volta às suas terras natais e famílias para a passagem do Ano Novo Chinês e, em especial, de um homem deslocado e amargurado, Jia pergunta-se porque é que as pessoas estão a ficar cada vez mais distantes umas das outras. O país acelera rumo ao desenvolvimento, mudando drasticamente, a modernidade chega (vêem-se telemóveis e internet e adolescentes a fazerem de tudo para os ter), mas ao mesmo tempo está longe da maioria dos chineses. O deslocamento é constante, com os personagens sempre em busca de algo, seja trabalho, dinheiro, justiça ou amor. A violência marca presença e faz Jia questionar-se o que crescerá efectivamente na China, a economia ou a violência?


"Shan he gu ren" (Se as Montanhas se Afastam), de 2015, percorre 25 anos de vida na China, iniciados na passagem para este milénio. Ou seja, quinze anos de um passado real mais dez anos de um futuro imaginado. O filme vem dividido em três partes, cada uma delas correspondendo aos anos de 1999, 2014 e 2025. Montanha, Rio, Amizade. Três conceitos que foram resumidos por Jia numa frase: "velhos amigos são como as montanhas e os rios". Neste filme procura-se declaradamente uma interligação entre passado, presente e futuro. Este é um melodrama e uma obra bem diferente das anteriores, embora a temática de Jia, já se vê, seja a mesma: o rumo que a sociedade chinesa contemporânea toma. A música Go West, dos Pet Shop Boys, uma presença constante ao longo de todo o filme, é utilizada de uma forma irónica e parece querer indicar o caminho, pelo menos para alguns. Comunismo ou capitalismo? 
Três amigos formam um triângulo amoroso. A ela guia-a o amor, a um a honra, a outro o dinheiro - visível no nome que dá ao seu filho, "Dollar".
A final, e porque este é um melodrama, ela não cumpre o que sonhou, um sofre a degradação física de anos de trabalho duro, outro o desenraizamento na (aparente) vida de sucesso na Austrália. O desencanto é a tónica comum. Bem como o deslocamento (o afastamento do título, "Se as Montanhas se Afastam"), seja espacial, materializado nos carros, comboios, helicópteros e aviões que vamos vendo desfilar, seja temporal, os tais 25 anos que medeiam o início e o fim do filme. A passagem do tempo. Go West. 
Mas Go West não está sozinho como música marcante aqui. Como em todas as obras de Jia Zhang-ke, a música desempenha um papel essencial e inesquecível ficará também a música de Sally Yeh, 珍重 (Take Care).

Para se entender mais acerca de Jia Zhang-ke, realizador irreverente destes filmes politicamente e socialmente comprometidos onde o questionamento da contemporaneidade chinesa é uma constante, assistir ao filme do brasileiro Walter Salles, "Jia Zhang-ke, um homem de Fenyang", pode ser um bom ponto de partida ou complemento.

Filmes chineses

Alguns filmes chineses, divididos por três temáticas clássicas: wuxia, históricos, gangsters.

Artes Marciais - Wuxia
A cinematografia chinesa de artes marciais tem tido (bom) acolhimento e reconhecimento no ocidente. Artes marciais é sinónimo de kung fu, com Bruce Lee e Jackie Chan como cabeças de cartaz, mas também de wuxia.
Não falarei dos filmes de Bruce Lee e de Jackie Chan, de que não sou conhecedora, e apontarei alguns filmes de wuxia a que vale a pena assistir.
O wuxia é um estilo clássico de filmes chineses, com influência da literatura, onde se mistura artes marciais e luta de espadas num mundo de fantasia. Sim, precisamente, falo daqueles filmes onde se veem os artistas a voar ou a caminhar sobre os ramos e as folhas das árvores.



Começando por alguns dos mais recentes, se "Herói", de Zhang Yimou, de 2002, é já um clássico, acrescento-lhe, naquela base do "se gostas disto também gostarás daquilo", o "A Assassina", de Hou Hsiao-Hsien, de 2015. Em ambos, os confrontos entre os personagens são puro bailado, numa junção de dois elementos essenciais da cultura chinesa, a espada e a caligrafia. No caso do "A Assassina", a rapariga justiceira fria e implacável enche o écran e mostra, por uma vez, alguma compaixão. A história não interessa tanto; o que fica é um filme esteticamente belíssimo, uma obra-prima da fotografia e da pintura, não estivéssemos nós diante de um filme.


Não falarei dos filmes de Bruce Lee, mas falarei de Ip Man, o mestre de kung-fu seu mentor. Dois filmes sobre este personagem real. O primeiro filme, "Ip-Man", de Wilson Yip, de 2008, a par das cenas de luta tem um enquadramento histórico precioso. Ip Man nasceu ainda no século XIX, época em que os manchus governavam a China. Passou pela guerra civil entre nacionalistas e comunistas e assistiu à cruel invasão dos japoneses na década de 30. Bem nascido, passou fome, mas neste filme mostra que não se rendeu ao domínio japonês. Depois acabaria por rumar a Hong Kong, onde terminou a sua vida. O segundo filme, "O Grande Mestre", de Wong Kar-Wai, de 2013, apesar de na época muito aguardado, foi uma desilusão. A estética wongkariana está lá toda, as lutas são de uma beleza suprema, com os pingos da chuva a desempenharem um papel de actor principal. Mas onde falha é precisamente no enquadramento histórico, onde o realizador claramente não quis entrar, apenas passando pela rama. 

Outros filmes dignos de registo são o mítico "A Tocuh ou Zen", de King Hu, de 1971, o "The Blade", de Tsui Hark, de XXX, e os mais recentes "O Tigre e o Dragão", de Ang Lee, de 2000, e o "Segredo dos punhais voadores", de Zhang Yimou, de 2004.


Históricos
Os filmes históricos / épicos chineses que indicarei em seguida dão a conhecer a China do século XX, quer de um ponto de vista social quer político, sendo, assim, uma boa forma para se entender melhor o país de hoje, ainda que esse país esteja muito diferente.




Imprescindíveis são o "Viver", de Zhang Yimou, de 1994, e o "Papagaio Azul", de Tian Zhuangzhuang, de 1993. Ambos se debruçam sobre as vidas das gentes comuns no período maoista (anos 40 aos anos 70), nomeadamente as consequências (hoje) irreais do Grande Salto em Frente e da Revolução Cultural. Outro filme que atravessa quase todo o século XX, detendo-se na luta nacionalista e comunista e posteriores ilusões e desilusões é o "The Golden Era", de Ann Hui, de 2014, longo filme sobre a escritora Xiao Hong que, saída da sua Manchúria, parte para a China central em busca da sua liberdade amorosa e artística em tempos duros.


Atravessado igualmente a mesma época, "Adeus Minha Concubina", de Chen Kaige, de 1993, mostra-nos a vida de uma trupe da Ópera de Pequim, com destaque para a sofrida vida da sua estrela. 


"Esposas e Concubinas", de Zhang Yimou, de 1991, dá-nos a conhecer a realidade de uma China tradicional, as várias mulheres de um só homem, todas elas vivendo no mesmo espaço e competindo entre si pela atenção do seu senhor e pelo maior favorecimento do filho de cada uma delas. 


Por último, um épico de grande sucesso internacional, tanto de público como de crítica: "Red Cliff", de John Woo, de 2008. O século XX era ainda uma longínqua miragem nesta história verdadeira da batalha de Red Cliff, que aconteceu no fim do domínio Han na China, por volta do século III a.C. Mostra-nos cenários e paisagens fabulosas, e encantamo-nos pelas estratégias utilizadas por Zhuge Liang para vencer o reino do norte.


Gangsters
No nosso imaginário, Hong Kong é ainda sinónimo de tríades, sociedade secretas, gangsters.


Não faltam, pois, filmes sobre esta temática. Um clássico é o "A Better Tomorrow" (em Portugal, "Crime em Hong Kong"), de John Woo, de 1986. Num filme de acção que mostra a violência que atravessa o sub-mundo do crime, os valores da amizade e a prioridade à família sobrepõe-se a tudo o mais. A lealdade é rainha. 

Johnnie To explora os mesmos temas em quase todos os seus filmes. "Election 2", de 2006, no entanto, mostra como por vezes essas lealdades são flutuantes e dúbias e que, uma vez no mundo do crime, sempre no mundo do crime. 
Este realizador de Hong Kong é o meu preferido num género de filme - acção com armas e algumas artes marciais - que, à partida, não faz o meu género. Os seus filmes decorrem maioritariamente em Hong Kong, em especial Kowloon, e também Macau - no "Exiled" (2006) vemos carros com matrícula portuguesa. São um hino à amizade. Em quase todos o grupo surge como herói. Não há um herói individualizado, antes um conjunto de homens – sempre homens – que se encontra em crise face a um dilema entre dois deveres: o da fidelidade ao seu grupo que muitas vezes já vem de infância e o da fidelidade ao chefe da máfia. Há violência, mas esta violência é esteticamente bela, uma espécie de ópera com acrobacias, um ballet. Não é necessário disparar muitos tiros, basta a forma como as personagens se mexem, a forma como vão aparecendo duplicadas por entre os espelhos, para ser tudo muito apelativo. O uso contínuo do slow-motion faz as cenas durarem mais e vemos os corpos suspensos no tempo, numa coreografia que, de todo, não é muito comum em filmes de acção. 



Para além dos já citados Election 2 e Exiled, de Johnnie To destaco ainda “The Mission" (1999) e “Sparrow” (2008). Este último é o meu preferido, por sinal aquele que menos pode ser identificado como filme de acção puro e duro. É sobre um grupo de carteiristas simpáticos e tão discretos que o roubo das carteiras não devia dar direito a uma pena mas antes a um bilhete para se assistir a um espectáculo, tão belos que são os seus gestos.


E porque o mundo cinematográfico do sub-mundo de Hong Kong vai para além de Johnnie To, eis ainda "Infernal Affairs" (em Portugal, Infiltrados), de Andrew Lau, de 2002, o qual no mostra a estreita e promíscua ligação entre membros da polícia e membros das tríades. Este filme inspirou Martin Scorcese para o seu "Entre Inimigos".

sexta-feira, julho 14, 2017

China, a História em Capítulos

Geograficamente, a China constitui-se por planícies a norte, com uma comunicação fácil, e montanhas a sul, onde o melhor meio de comunicação é o fluvial. 
Um dito chinês antigo ensina-nos "a norte cavalos, a sul barcos". 
Ou, como escreveu Xiaolu Guo (Granta Journeys), "o utilitário norte" por oposição ao "poético sul".
Entre tantos habitantes, o país mais populoso do mundo é composto por 54 etnias e as 5 nacionalidade mais importantes são a han, a manchu, a mongol, a hui e a tibetana. 
A cultura han, maioritária, está associada ao maior grupo étnico e o nome vem da antiquíssima dinastia Han, com a qual os chineses se identificaram de tal forma que passaram a designar-se como ela, han.
No norte fala-se mandarim, no sul várias outras línguas, embora a linguagem escrita seja comum a todo o território.
No fundo, encontramos uniformidade a norte e diversidade a sul, num território imenso em que, recorrendo a mais um dito chinês, "as montanhas são altas e o imperador está longe".
Termino esta breve introdução com a ajuda de mais uma sentença chinesa: "a história de dez mil frases começa com uma palavra".

China, 
a sua história em alguns capítulos (clicar nos títulos abaixo das fotos):

quinta-feira, julho 06, 2017

Música Chinesa

 Uma playlist de música chinesa para ouvir no próximo mês.