quarta-feira, junho 25, 2008

Casa ou Palácio Mateus



Classificado como Monumento Nacional, este é provavelmente dos edifícios em Portugal que mais merece ser visitado aquele que menos visitas recebe.
A Casa Mateus encontrava-se nomeada para as 7 maravilhas de Portugal (estava nos 21 finalistas, apesar de isso valer o que vale) e muitos terão olhado para esta nomeação com espanto ignorante. Foi o meu caso.
A desculpa de que se encontra a mais de 400 km de Lisboa não cola. E para os outros nossos concidadãos também não cola o seu alegado isolamento – a 2 km de Vila Real, em Trás os Montes – pois o Porto está a menos de uma hora e a sua área metropolitana acolhe uma percentagem nada despicienda de cidadãos portugueses.
O certo é que mais vale tarde do que nunca.


Visitámo-lo agora, numa manhã de chuva intensa, nada convidativa para passeios demorados pelos belíssimos jardins da Casa Mateus (deve ser sina das nossas visitas a monumentos com jardins – o mesmo sucedeu na visita ao Mosteiro de Tibães)
Mas o que mais chama a atenção em terras do antigo morgadio de Mateus é, para além do enquadramento e conjugação Palácio + Capela + Lago + Jardins, precisamente, o edifício da casa mãe. O barroco em todo o seu esplendor.





Obra do século XVIII, suspeita-se que o arquitecto Nicolau Nasoni (o mesmo da Torre dos Clérigos) tenha tido influência na sua concepção. Os pormenores decorativos são luxuriantes.
Alguma decepção, porém, confesso, no que ao interior do edifício diz respeito. As expectativas eram elevadas, mas a imagem fabulosa da sua fachada chegou para as encomendas e nem a chuva estragou a foto da praxe com o reflexo do edifício na água do lago que lhe dá as boas vindas.


sexta-feira, junho 20, 2008

Vilas e Cidades de Trás-os-Montes e Alto Douro

Nesta calcorreada pelas margens e arredores do Douro, vilas e cidades houve que valeu bem a pena conhecer e, muitas das vezes, bem mereciam mais do que uma curta paragem ou estadia.
Eis algumas delas, todas na antiga província de Trás-os-Montes e Alto Douro:

Lamego
De Lamego, cidade do distrito de Viseu, a primeira impressão, quando se chega à cidade atravessando a ponte sobre o Rio Balsemão, é a de uma urbe que cresceu desordenadamente e onde a fealdade abunda. Mas, depois, damos de caras com uns edifícios elegantes e bem conservados (casos da Sé, do antigo Paço Episcopal e do antigo Hospital da Misericórdia, hoje Cine-Teatro) e a surpresa é deveras agradável. A longa avenida pejada de árvores que nos conduz até ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios só reforça esse sentimento.



São João da Pesqueira
Também pertencente ao distrito de Viseu, foi a que mais surpreendeu.
Chovia a potes. Normalmente, a imagem da chuva num qualquer lugar costuma produzir em nós um lamento. No entanto, no caso da Praça da República, no minúsculo centro histórico da vila, tanta harmonia não parece capaz de ser perturbada por nenhum factor externo, muito menos da natureza. Lindo e encantador, verificar tamanha preocupação em manter um núcleo tão pitoresco, numa terreola tão para lá de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Perto de São João da Pesqueira fica o miradouro de São Salvador do Mundo, com uma vista fabulosa para as águas do Douro que vão correndo serenas lá bem abaixo.




Torre de Moncorvo
Já no distrito de Bragança, é uma vila que também surpreende. Mais uma vez, o seu centro histórico encontra-se bem conservado, vendo-se aqui e ali umas quantas casas brasonadas. Um dos seus ex-libris é a Igreja Matriz, monumento nacional.
Como curiosidade, diga-se que as maiores amplitudes térmicas do nosso país costumam ser registadas aqui. Quer isto dizer: Invernos rigorosos e Verões abrasadores.



Mogadouro
Em Mogadouro, outra vila no distrito de Bragança, o que marca a paisagem é a Torre de Menagem do Castelo, donde se obtém uma vista tranquila do que parece uma planície trasmontana (apesar de os montes dominarem por aqui, onde a altitude é de cerca de 700m).




Miranda do Douro
Também no distrito de Bragança, é a cidade ponto de partida para o deslumbrante tour pelas águas do Douro Internacional, e a última localidade portuguesa que deixamos para trás quando queremos passar a fronteira até Espanha. Mas, para além da língua portuguesa, deixaremos também para trás a língua mirandesa, que esta é terra de fortes tradições. As placas com os nomes das ruas fazem questão de aparecer escritas nos dois idiomas.
O centro histórico é interessante e bem cuidado, com uma série de ruas pedonais. Lá no alto, depois de passarmos a Praça onde estão instalados os Paços do Concelho, num edifício solarengo, dominam a Sé e o Paço Episcopal com os seus jardins.





Mirandela
É uma cidade do distrito de Bragança que tem vindo a crescer e desenvolver-se, ajudada também pelos estudantes que frequentam os seus pólos universitários.
Alheiras à parte, Mirandela já valeria só pelo cenário da sua ponte sobre o Tua, com a arcaria sucessiva reflectida na água do rio. O edifício mais interessante é o antigo Palácio dos Távoras, hoje Paços do Concelho.Uma pergunta, todavia. Onde estava o metro de superfície, segundo dizem, ex-libris da cidade?




domingo, junho 15, 2008

Pinhão



Esta é, provavelmente, uma das estações de comboio mais pitorescas do nosso país.
Não só está implantada num local privilegiado, com uma paisagem soberba, como se encontra bem cuidada e nos permite uma aproximação visual à história do árduo trabalho das gentes que em outros tempos, que hoje parecem tão distantes, fizeram do Vinho do Porto uma das marcas de Portugal.
Assim nos conta a série de painéis de azulejos que retratam as vindimas.





Apesar de apenas termos percorrido Régua – Pinhão, a linha do Douro tem início no Porto e final no Pocinho. O recorrido da sua totalidade será certamente uma daquelas experiências a viver por qualquer viajante que se preze. Há que se apressar, todavia. Esta linha, que em tempos chegou até Barca d´Alva, hoje termina no Pocinho e não cessam noticias de que possa vir a ser novamente amputada. Até lá, não cessam igualmente os lamentos do estado de abandono a que chegou a estação da mítica Barca d´Alva.

São Leonardo da Galafura

Na estrada da Régua para Vila Real, subindo pelos vales de socalcos do Douro Vinhateiro, alcançamos a Galafura e, um pouco mais adiante e ainda mais acima, a 566m de altitude, o MiraDouro de São Leonardo da Galafura, que Miguel Torga imortalizou.



A vista é esmagadora e, apesar das nuvens que teimavam em passar, não foi difícil descobrir porque é que o nosso escritor se deixou inspirar.
“Excesso de natureza”, chamou-lhe Torga.


sábado, junho 14, 2008

Navegando Pelo Douro

O passeio pelo Douro estava previsto para a Páscoa, mas a chuva e o temporal que se previa – e aconteceu – para essa altura, fizeram-nos adiá-lo para o semana do feriado de 1 de Maio, bem mais seguro no que ao clima diz respeito, afinal, chuva e mau tempo em Maio? Só por um grande azar.
Pois, azares acontecem.
A chegada à Régua não deu para mais do que uma fotozita com o senhor da capa.



Optámos por navegar as águas do Alto Douro Vinhateiro apenas desde a Régua ao Pinhão.
Ida em barco, sem almoço ou quaisquer outros extras para além do verde bucólico e deslumbrante da paisagem.
São socalcos e mais socalcos moldados pelo Homem por entre montes onde a Natureza é ainda o elemento mais forte. Tudo aqui faz sentido. As quintas dos grandes nomes do vinho do Porto, as aldeias perdidas por entre as serras, os edifícios a cair, o abandono da linha do comboio. O isolamento, enfim.
A volta fez-se em comboio, saindo da pitoresca estação do Pinhão.




Mas o Douro vai seguindo até Espanha (ou, melhor, vem seguindo desde lá).
Para o acompanhar, optámos pelo carro, por entre subidas e curvas, com as suas águas azuis sempre à espreita por entre o verde que o rodeia.



E, depois, muitos kms adiante, à medida que nos aproximamos de Espanha, temos o outro Douro, o Douro Internacional.
Aqui apresenta-se-nos um lado mais selvagem do Douro que corre apertado por entre penhascos. De um lado Portugal, do outro Espanha. Uniram-se os dois para um projecto de cooperação transfronteiriça (Estação Biológica Internacional Douro), com início em Miranda do Douro, que nos leva por paisagens que chegam a ser asfixiantes de tão dramáticas. Este é um daqueles segredos ainda bem guardados que, quando nos deparamos com imagens suas, nos fazem crer que estamos perante um daqueles locais de sonho bem distantes, tipo fiordes da Noruega. Afinal, não. É mesmo em Portugal. Em comum com o Douro Vinhateiro, a calma e o sossego naturais, mas que nos são igualmente impostos para bem da protecção do ecossistema – flora e fauna endémicas, designadamente das espécies raras que aqui nidificam, como é o caso da Águia Real (que não vimos) e do Abutre do Egipto (que não se cansou de sobrevoar as nossas cabeças).





Dois aspectos em comum, porém entre estes dois passeios de barco: a ausência de jovens portugueses. Se no passeio de barco do Douro Vinhateiro encontramos apenas sexagenários aproveitando o convívio de uma excursão de uma qualquer junta de freguesia do país, no passeio de barco do Douro Internacional apenas encontramos espanhóis.
Porquê?

sexta-feira, maio 16, 2008

Bebel em Lisboa

Esta semana na Aula Magna apresentou-se uma Bebel Gilberto imparável.
O objectivo era apresentar Momento, o novo álbum, mas obviamente intervalar com os maiores sucessos.
O concerto caminhava para o fim e nada de tocar a música que mais esperava. Mas a Bebel não me desiludiu e fechou em beleza. E assim fiquei Mais Feliz. Sem o Cazuza mas com a Bebel.
Delicioso!

quarta-feira, maio 14, 2008

terça-feira, maio 06, 2008

Caminhando Sobre o Glaciar



A família reunida.
O Pai sempre quisera visitar a Islândia. Não deu.
Mas no Verão de 1999 escolheu – de comum acordo com as filhas – a Noruega.
A Sofia estava completamente desesperada por ao pior tempo (nublado e chuvoso) que já apanhámos em viagem estar a ver que teria de dizer adeus à tão sonhada e ansiada caminhada sobre um glaciar. Mas o Pai fez panelinha com a filha mais nova e insistiu e continuou a conduzir pelo infinito deserto rural e montanhoso do ocidente norueguês. Deu-se então um quase milagre: o clima por ali não só estava limpo como ainda chegámos a tempo de apanhar a última excursão ao Briksdalsbreen, um dos braços do Jostedalsbreen, o maior glaciar na Europa continental.
A mãe com o capacete e a tentar equilibrar-se no gelo com aqueles pitons foi o outro milagre do dia.

domingo, maio 04, 2008

Igreja de Brincar em Borgund

O que não falta em Portugal são igrejas.
E, nisso, a arquitectura religiosa no nosso país tem mostrado ser bastante eclética e diversificada. Desde a igreja da aldeia perdida no mapa mas que lá continua imperiosa, com os sinos a grande altura; passando pelas maiores e imponentes igrejas das grandes cidades, sés, basílicas; pela estética arrojada, que a uma 1.ª, 2.ª e até 3.ª vista ninguém reconhece como pronta a desempenhar a função de igreja (caso da igreja do meu bairro – Portela); terminando na modernidade trazida por arquitectos de renome, transpondo o seu traço para estes equipamentos.



No entanto, pese embora toda a monumentalidade que as igrejas podem alcançar, em Portugal e pelo mundo afora, foi numa terra nos confins da Noruega que observei aquela que mais me marcou até hoje.
Foi em Borgund, Laerdal.
Numa Noruega rural e com escassa população, longe do desenvolvimento que no nosso imaginário nos acostumámos a atribuir aos nórdicos, pelo contrário, rodeada de provincianismo, surge um grande número de “Stave Churches”, pequenas igrejas medievais de madeira.
Esta, a tal de Borgund, será uma das mais pitorescas e bem conservadas e chegou praticamente intacta até aos nossos dias desde o século XII.

Até parece, mas, não, não é uma casinha a imitar igrejas para os meninos e meninas brincarem.

quinta-feira, abril 17, 2008

Filmes para Sonhar Viajar

Nos últimos meses dois filmes passaram que nos fazem desejar viajar para longe - a muitos km de distância, a uma cultura bem diversa.

À India:

The Darjeeling Limited

Ao Irão:
Persepolis
Neste último, aliás, baseado no livro de BD de Marjane Satrapi, vemos que os iranianos urbanos nossos contemporâneos lêem o mesmo que nós, vêem o mesmo que nós e ouvem o mesmo que nós. Alguns pensam o mesmo que nós.
Hilariante a cena da já adulta Marjane a ter uma epifania sob a imagem de Rocky e o seu "Eye of the Tiger".

sábado, abril 05, 2008

Forte de Santa Luzia e Forte da Graça

Quando chegamos a Elvas pela auto-estrada, para além de encontrarmos bem delineada na paisagem a cidade dentro da fortaleza das muralhas, vemos também bem evidente o Forte de Santa Luzia, a norte, e o Forte da Graça, a sul, imponente lá no cimo.



O Forte de Santa Luzia, construído em 1648 e hoje museu militar, está bem acessível logo ao virar à esquerda, amarelinho, vale a pena circundá-lo a pé e admirar Elvas velha e Elvas nova, os arcos do Aqueduto da Amoreira e a planície alentejana.





Mas o melhor fica guardado para o Forte da Graça.
Implantado na maior elevação da zona, dali a nossa vista alcança tudo, tudo e mais o que é possível imaginar. No entanto, o que nos deixa esmagados não é a vista mas o Forte em si.
Considerado uma obra-prima da reorganização militar pombalina, o Forte mandado construir (1763-1792) por D. José I e arquitectado pelo Conde de Lippe ganhou o nome do monte onde hoje se encontra abandonado.



De facto, o que fazer com esta maravilha monumental onde provavelmente caberia uma cidade inteira? São três linhas de defesa, separadas por fossos, a mais exterior facilmente percorrível a pé, apenas nos dando ao trabalho de desviar das ervas daninhas que por ali pululam. Lá no meio vemos, pitoresca, a casa apalaçada do Governador.



Surpreendente encontrar aqui, quase que perdido no Alentejo português a caminho da Extremadura espanhola, este exemplo a nível mundial de poderio e originalidade numa fortificação.
Agora requer-se ainda mais originalidade para se lhe dar um uso condizente com tanta grandiosidade.

sexta-feira, abril 04, 2008

Aqueduto da Amoreira



O Aqueduto da Amoreira será, ao lado do Aqueduto das Águas Livres que segue sobre o Vale de Alcântara, em Lisboa, e o Aqueduto dos Pegões, que liga ao Convento de Cristo, em Tomar, um dos mais pitorescos do nosso país, resultando numa imagem de tirar o fôlego a qualquer um.
É, está visto, um dos postais de Elvas.



A população de Elvas vinha aumentando e, com isso, aumentava igualmente a necessidade de abastecimento de água à povoação.
D. João III escolheu o arquitecto Francisco Arruda e determinou, em 1537, a construção do Aqueduto.
Todavia, dada a enormidade da obra, cerca de 8 km, com uma arcaria de 4 andares e 843 arcos na zona central que chega a atingir os 31 metros de altura (estando aqui no vale de São Francisco o pedaço deste Aqueduto que se presta mais à dita foto de postal), as obras da sua construção estiveram paradas por alguns anos por falta de verbas; depois de se juntar mais uns trocos prosseguiram; com a tomada de Filipe I da coroa portuguesa voltaram a parar; depois arrancaram novamente; mas logo se chegou à conclusão de que era necessária uma alteração ao projecto; até que em 1622 estava finalmente pronta a obra, permitindo que as águas passassem sobre o Aqueduto da Amoreira a caminho do destino traçado quase um século antes.
As “obras de Santa Engrácia” ainda estavam para acontecer, mas parecerá esta história rocambolesca o bastante?
Nem por isso – falta dizer que já depois da Restauração a defesa de Elvas foi ficando cada vez mais exigente dada a sua posição geográfica raiana e, assim, seria necessária a construção de mais e mais fortalezas, pelo que se pensou demolir o aqueduto para aí se construir as ditas fortalezas. Acontece que, visionários e já com preocupações culturais no que à preservação do património diz respeito (ou talvez estivessem apenas preocupados com o abastecimento de água, concedo), os populares não permitiram que aquela ideia fosse adiante.
Quem não conheça a forma de gerir as cidades nos nossos dias poderia pensar que toda esta história é treta, brincadeira de Abril, mas não: ide ver na página do IPPAR (hoje IGESPAR) em
http://www.ippar.pt/pls/dippar/pat_pesq_detalhe?code_pass=70195

quarta-feira, abril 02, 2008

Elvas



Oh Elvas oh Elvas, Badajoz à vista, sou contrabandista, trá lá lá…
Como poucas, Elvas ganhou direito a constar do cancioneiro nacional.
Como muitas, eu sou uma daquelas que, previsivelmente, quando ouve a palavra “Elvas” é quase incapaz de instintivamente não soltar aquela musiquinha do muito estimado (a sério) Paco Bandeira.
Aqui vai a letra completa:

«Eu nasci no Alentejo
À beira do Guadiana
Sinto orgulho quando vejo
A paisagem Alentejana!

Ó Elvas, ó Elvas
Badajoz à vista.
Sou contrabandista
De amor e saudade
Transporto no peito
A minha cidade.

Uma malta da cidade
Chamou-me de provinciano
Eu tenho grande vaidade
De ter nascido alentejano!»

Elvas continua no Alentejo, à beira do Guadiana.
Badajoz está cada vez mais à vista e mais perto, graças às estradas milagrosas que nos põem de Lisboa a Espanha em menos de 2 horas.
Os contrabandistas, esses, perderam a vez.
E, hoje, os caramelos não têm mais graça e são os espanhóis que invadem Elvas. Elvas e não só, ainda para mais em se tratando da semana santa.
Quanto ao provincianismo, e apesar da muito discutida caracterização deste termo, poderá algum cidadão elvense que cresça numa cidade com o extenso – em quantidade e qualidade – património monumental que Elvas possui ser provinciano?
E nem vale a pena argumentar que o melhor desse património teve a sua glória entre os séculos XVI e XVIII, que o recente Museu Arte Contemporânea de Elvas (MACE), com a colecção de António Cachola, está aí para comprovar mais um esforço de colocar o Alentejo na rota da modernidade no que ao património cultural diz respeito.

E, depois, temos o seu centro histórico, que, segundo o mais do que autorizado José Hermano Saraiva, “poucas cidades portuguesas têm um centro histórico tão antigo e tão autêntico”.
E cuidado, acrescento eu.


Se tivesse que escolher uma cor para identificar este centro de Elvas escolheria o amarelo – branco à parte, pois esse domina todo o Alentejo. O casario parece encontrar-se bem conservado, por entre as ruas estreitas, e pelo menos uma risca amarela, um friso amarelo que seja, está presente em muitos dos edifícios.



O desenvolvimento de Elvas aconteceu muito por culpa da sua posição geográfica, bem junto à fronteira com Espanha. Foi a 2.ª no Alentejo a ser elevada a cidade, logo em 1513 (a 1.ª foi Évora, ainda hoje a mais importante cidade alentejana). Antes disso, porém, já havia sido ocupada pelos romanos, árabes e, em 1228, sob a batuta de D. Sancho II, pelos cristãos do Reino de Portugal.

A presença romana e árabe são, aliás, ainda hoje notadas pelas influências que deixaram no Castelo, instalado lá no alto, como não podia deixar de ser, proporcionando hoje uma vista fantástica da planície alentejana e do emaranhado confuso de telhados das casas elvenses.



Elvas é conhecida como a cidade fortaleza.
As muralhas foram-se estendendo do castelo e da alcáçova de forma a abranger grande parte da urbe que chegou aos nossos dias. Para além desta fortificação urbana, e mais uma vez motivada pela posição geográfica da cidade e no sentido de a proteger, Elvas viu crescer na entrada sul o Forte de Santa Luzia (construído entre 1641 – logo a seguir à restauração – e 1687) e na entrada norte o soberbo Forte da Graça (cuja construção teve inicio em 1763).



Vale a pena um passeio sem demoras pelo centro dentro das muralhas de Elvas, fazendo paragens mais atentas pelo MACE (instalado num bonito edifício que foi outrora o Hospital da Misericórdia, acolhe hoje obras de alguns dos nossos grandes nomes da arte contemporânea, incluindo Joana Vasconcelos com o seu Wash and Go, meias e mais meias a imitarem os rolos para lavar os automóveis, mais uma prova da sua imaginação e boa disposição) e pela Igreja de Nossa Senhora dos Aflitos ou da Consolação ou das Domínicas (tantos nomes pela qual é conhecida podem servir para nos baralhar, mas não há nada que enganar: um pouco acima da Sé, damos de caras com uma pequena capela do século XVI com um interior surpreendente – uma bonita cúpula sobre o altar e ricos azulejos decorativos).

E depois, já fora das muralhas, ficam então os grandes ex-libris de Elvas: o Aqueduto da Amoreira, o Forte de Santa Luzia e o Forte de Nossa Senhora da Graça, a merecerem post autónomo.

sábado, março 29, 2008

10 Anos







A Ponte Vasco da Gama faz hoje 10 anos.

sábado, março 22, 2008

Serra Nevada

Serra Nevada… Nunca, em meia dúzia de presenças, esteve tão pouco nevada. Sinais dos tempos meteorológicos.


Ainda que a paisagem não estivesse plena do branco diáfano e as condições da neve não estivessem no seu melhor não nos arrependemos de rumar à estância de ski mais a Sul da Europa. Assim, acompanhada dos meus comparsas Pedro, António “Capi”, Zofia e Alex instalamo-nos na estratégica Plaza Andaluzia e durante 5 dias estivemos a estraçalhar a neve da Serra Andaluza pertencente à Cordilheira Penibética.
O domínio esquiável comporta 86 km, divididos em 86 pistas de todos os níveis. E a estação está dividida em seis zonas: Veleta, Laguna de las Yeguas, Borreguiles, Loma Dilar, Parador e Rio Monachil. Cerca de 70% esteve disponível para o nosso bel-prazer.

Exceptuando o primeiro dia, os restantes estiveram sempre cheios de sol e com temperaturas impróprias para um local de neve.
Enquanto os paparucos estreantes, Capi e Alex, e a “professora” Zofia se mantiveram nos primeiros dias pelas pistas verdes de Borreguiles a iniciarem-se ao snowboard, eu e o Pedro (o único de ski) fomos andando um pouco por todo o lado, mas essencialmente pelas pistas azuis e vermelhas de Borreguiles e por Loma Dilar.

Os rapazes estreantes não utilizaram Borreguiles - que para além de ser o nome do sector é sobretudo um tipo de vegetação que se consegue desenvolver nas zonas mais altas e com condições climáticas adversas e que historicamente no Verão é utilizada pelos pastores como zona de pastoreio - para pastar mas sim para ganharem perícia e confiança. Assim foi e, sobretudo o Capi, pois o Alex foi-se dividindo entre a neve e os estudos, evoluíram e no ano de estreia desceram umas pistas de um nível médio.

Nos últimos dias não resistimos ir ao sector da Laguna, que é o mais bonito da estância e o que tem maior concentração de pistas vermelhas. As pistas deste sector começam quase no topo do pico Veleta, que é o terceiro mais elevado da Espanha Continental, com 3398 metros. Dizem que deste pico e do Mulhacém, que com 3481 metros é o ponto mais elevado da Espanha Continental, nos dias mais limpos vislumbra-se o Mediterrâneo e Marrocos. Nunca pude comprovar porém as paisagens tangíveis aos meus olhos são suficientemente impressionantes.
Muita actividade, bom visual, boa companhia e disposição era o que se queria. E foi o que houve.
Ver mais reportagem, sobretudo fotográfica, na página do Capi.

sábado, março 01, 2008

London, London

A música de Caetano Veloso “London, London”, também cantada por Gal Costa e, mais recentemente, por Cibelle e Devendra Banhart, foi escrita em 1971 enquanto Caetano vivia exilado na cidade. Relata a estranha (para um brasuca) andança pelas ruas sem conhecer ninguém, sem ninguém a quem dizer olá, no mundo solitário da grande metrópole que, no entanto, a todos acolhia (acolhe?) sem medo.
Melancolia é a palavra que melhor descreve a música e letra, e eu gosto da melancolia.
E gosto também de Londres, ainda que a capital inglesa seja tudo menos melancólica e ainda que muitos possam não gostar da cidade precisamente por se cruzarem diariamente com milhões de pessoas que não se lembram sequer de dizer um “hello”.

«London, London
Caetano Veloso


I’m wandering round and round nowhere to go
I’m lonely in London London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know, I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here nowhere to go

While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky

Oh Sunday, Monday, Autumm pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to pleace them
It’s good at least to live and I agree
He seems so pleased at least
And it’s so good to live in peace and
Sunday, Monday, years and I agree

While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky

I choose no face to look at
Choose no way
I just happen to be here
And it’s ok
Green grass, blue eyes, gray sky, God bless
Silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say

But my eyes
Go looking for flying saucers in the sky»

Comer em Londres

Em Londres tudo é caro.
Isto inclui a comida, é claro.
Tirando o Soho, com restaurantes chineses e indianos – um para cada dia do ano -, e à parte os mercados, como o de Camden, com as banquinhas de comes para todos os estômagos e paladares, não é muito fácil gastar pouco dinheiro com as refeições.
Existem, todavia, algumas excepções em conta mesmo para nós portugueses. Falarei do recorrente MacDonalds? Não, nem por isso. Desta vez conseguimos não usar esta opção tão corriqueira, prática e poupadinha (poupadinha deveria aqui levar aspas – estamos em Londres e tudo deve ser encaixado nas devidas proporções).
E as opções / sugestões de restaurantes com preços acessíveis são: Bella Itália, Wagamama e Yo Sushi
À sempre prática comida italiana no Bella Itália junta-se o Wagamama com comida asiática e o Yo Sushi japonês. A propósito deste último, um bocadinho à tonta deslumbradinha fiquei, isso mesmo, deslumbrada com o conceito de passadeira rolante no balcão com os pratinhos às cores, a cada um correspondendo um preço (sai mais barato do que sentar à mesa e pedir um prato de comida japonesa). E porquê tonta deslumbradinha? Porque o nosso Japa, no novo Campo Pequeno, também tem esse conceito e eu só o vim a saber depois de experimentar o Yo Sushi. Resultado? Virei freguesa. Dos 2, espero.


Descubra as diferenças - Japa e Yo Sushi

E a triste conclusão das refeições que fizemos em Londres é: qual é a comida típica londrina?
Não sei.
Eis a prova de que sou uma mera turista, longe dos viajantes que se integram a fundo na cultura, costumes e hábitos dos países e cidades que visitam. Ou será que esta panóplia de restaurantes com refeições de todo o mundo é mais uma prova do multiculturalismo de Londres? Fico-me com esta e, assim, serei novamente uma viajante aberta a todas as experiências.