sexta-feira, setembro 30, 2005

NY - Empire State Building

Alguém disse um dia que "You can live in New York all your life, but until you see it from the top of the Empire State Building, you haven't seen the city." (Podes viver a tua vida toda em NY, mas até a veres do topo do Empire State Building, ainda não conheceste a cidade).
A subida ao Empire State Building é mesmo obrigatória. Do topo tem-se não só a visão dos pássaros como também a visão que o King Kong já teve quando escalou o edifício e a visão que têm os astronautas quando disparam para alturas infinitas.
À data da sua construção, em 1931 (demorou menos de 2 anos a ser concluído), o Empire State era o edifício mais alto de Nova Iorque (e do mundo), destronando o Chrysler. Em 1973 perdeu esse posto para as Torres Gémeas do World Trade Center, entretanto recuperado pela implosão destas, em 2001, derivada dos ataques terroristas de que foram alvo.
São 381 metros de altura, 102 andares. Intitulado a Catedral dos Céus, e é bem verdade, pois daqui toca-se as nuvens e os céus. E parece que se toca também todos os outros arranha-céus da cidade, com os prédios de 9 e 10 andares reduzidos a uma qualidade próxima do tamanho das formiguinhas. Daquela altura, porém, consegue-se distinguir os táxis amarelos, omnipresentes por toda a cidade.
A vista é deslumbrante e fantástica, palavras sobejamente repetidas. Um bom exercício é procurar detectar os vários edifícios simbólicos da cidade e os contornos dos bairros. A nossa vista alcança quase até ao infinito e sabemos que a altura a que estamos do solo é também ela quase infinita.
A melhor altura do dia para subir até ao Empire State é o fim da tarde, quando ainda temos a luz natural, mas nos preparamos para receber a noite e as luzes dos prédios, das pontes, da rua e dos carros começam a acender.

O Empire State é um edifício comercial na sua base e de escritórios nos restantes andares. Como foi construído e concluído pela altura da grande depressão de 1929, grande parte dos seus escritórios permaneceram vazios durante mais de 10 anos. Para poder fazer face aos custos correntes do imenso edifício, os seus proprietários tomaram a decisão de abrir a plataforma de observação ao público.
O seu interior comercial tem corredore escuros e um ar pesadão, com muito mármore, como a maioria dos edifícios da 1.ª metade do século passado em NY. O seu lobby é em arte deco.
A iluminação dos últimos 30 andares vai mudando de cores conforme a época do ano e/ou determinado evento que se pretende celebrar. Pela época do Natal, as cores adoptadas são o encarnado e o verde, o que quer dizer que os americanos não perdem tempo, pois estas eram as cores que se observavam no Empire State Building em meados de Setembro.
A título de curiosidade, existe uma corrida anual intitulada de “Empire State Building Run-Up”. Vêm pessoas de todo o mundo para subir os 1576 degraus até à plataforma de observação no 86.º andar. O recorde masculino está fixado em 9:33m e o feminino em 11:51.
Interessantes as coisas para que um dos edifícios mais altos do mundo podem servir.

quinta-feira, setembro 29, 2005

NY - Ponte de Brooklyn

É um dos símbolos de Nova Iorque.
O engenheiro que a concebeu, John A. Roebling morreu imediatamente antes do início das obras, e o seu filho é que viria a acompanhar e dirigir as obras, apesar de também ele ter tido um acidente que o deixou paralisado durante a construção.
Foi uma empreitada atribulada e dramática, na qual terão morrido cerca de 20 homens, a maioria dos quais devido à síndrome do mergulhador, causada pela descompressão.
Demorou 14 anos até ficar concluída, em 1883, passando a ligar Manhattan ao Brooklyn (até aí uma cidade independente) sobre o Rio East. Nessa altura era a maior ponte suspensa do mundo e a primeira de aço. As suas torres tinham, e têm, 276 pés de altura (aproximadamente 93m), sendo que quando foi construída o edifício mais alto da cidade tinha 281 pés e era a Trinity Church (vendo-a agora esmagada entre os arranha-céus, bem se vê o quão velhota e sobrevivente é a Ponte e a própria igreja).
A Ponte de Brooklyn costuma ser lugar de todo o tipo de protestos. Mas não só. É palco tradicional para a celebração do 4 de Julho – dia da independência – com fogo-de-artíficio que deixa a Ponte com uma iluminação diferente. Ficou, ainda, no imaginário da presente geração que assistiu aos nova-iorquinos a caminharem sobre a Ponte, em fuga desesperada, aquando dos atentados do 11 de Setembro de 2001.
Dizem ser a Ponte mais bonita do mundo. Pelo que observei, e pela possibilidade não tão comum de se poder atravessá-la caminhando, concordo (recordo a meia-maratona de Lisboa, em Março, único momento em que podemos atravessar a nossa Ponte 25 de Abril e, se nos deixarmos ficar para trás, fruir com toda a calma do mundo o Tejo e Lisboa).
Para além da sua beleza arquitectónica, com o emaranhado dos seus cabos de aço, o facto de a Ponte de Brooklyn não pensar apenas nos carros, contemplando uma via superior só para os peões (com as bicicletas ao lado), torna-a imbatível também no quesito carisma. São cerca de 1,5km de uma caminhada que, se for efectuada à “hora do rush”, nos permite ver o zunzun de carros lá em baixo e de pessoas junto a nós.
Uma vez atravessada a Ponte no sentido para Brooklyn, e já que estamos em Brooklyn propriamente dito, é imperdível a vista do skyline de Manhattan desde a Brooklyn Heights Promenade.
A Ponte de Brooklyn, a atestar o facto de ter já sido considerada a 8.ª maravilha do mundo, inspirou inúmeros artistas e foi por diversas vezes cantada, quer em verso, quer em prosa. Walt Whitman deixou escrito em poema que a bonita vista de cima da ponte é “o melhor remédio para a alma”. Jack Kerouac escreveu “The Brooklyn Bridge Blues”. Outros representaram-na na tela, como foi o caso de Georgia O´Keefe e de Joseph Stella.

quarta-feira, setembro 28, 2005

NY - Vida de Rua

Um dos aspectos mais interessantes de Nova Iorque é a vida que se sente pelas suas ruas. Com o multiculturalismo, que a torna uma cidade cosmopolita, parece que passamos de uma cidade para outra em questão de quarteirões. Mas, à parte as aves raras das Madison e 5.ª Avs e dos vários bairros étnicos, o que é bonito de ver é também os pequenos grupos, ou artistas a solo, que decidem animar quem passa.
No Central Park alguém tomou a iniciativa de vedar uma área, ligar o rádio, alugar uns patins e determinar que se dançasse com as rodinhas debaixo dos pés. Era com cada cromo! Eu nem sem patins conseguiria mexer o corpo daquela maneira. Muito cool!
Outros optaram pelas danças com o pé no chão (excepto quando pulavavam muitos metros acima dele). Cativando os que passavam para que participassem no show e tentassem fazer os malabarismos que eles faziam.
Uma das coisas que impressionou pela negativa foi ver a quantidade de sem-abrigo que dormem pelas ruas. De dia andam de um lado para o outro com os seus pertences que cabem numa simples mala. De noite estendem-se no chão improvisando a sua casa e a sua cama. Alguns com óptimo aspecto (o que é isso de valorar o aspecto numa cidade em que ninguém olha para ninguém ou, pelo menos, finge não olhar?).
Também se vêem muitos a andar durante o dia sem rumo, falando sozinhos.
Talvez a terra das oportunidades seja também a terra em que mais nos encontramos pressionados para alcançar o sucesso. Daí à loucura será um passo. Ou terei ficado com uma imagem errada?

NY - Central Park

A ideia da construção de um imenso jardim para o povo surgiu em 1850, tendo por base a imagem dos grandes parques públicos de Londres e Paris. Se os 843 acres do Parque pareciam uma enormidade na altura, hoje então, com a ditatura do cimento, pareceria impossível implementar uma ideia inovadora como esta. Mas o mais incrível é que, após 150 anos, permanecem os 34,2 km2 de verde em pleno coração da cidade que, provavelmente, tem o m2 mais caro do mundo. E o Central Park fica, literalmente, paredes meias com a luxuosa 5.ª Avenida.
O que só vem reforçar ainda mais a ideia de que em Nova Iorque há espaço para todos
É de facto um privilégio que os nova iorquinos, e todos os visitantes, têm à sua disposição. Um verdadeiro oásis rodeado de prédios imensos, com o louco trânsito do lado de fora a milhas dos nossos ouvidos e da nossa mente. No entanto, na realidade, só nos fins-de-semana é que o trânsito não atravessa o Parque do East para o West Side, e vice-versa. Mas nem isso quebra o sossego dos pedestres, pois na concepção do Parque pretendeu-se que os trilhos para os pedestres e as vias para os carros ficassem separadas de forma a que nunca se cruzassem.
No Parque existem cerca de 93km de caminhos para percorrer e explorar, entre pontes e fontes, lagos, vida animal e vegetal. E inúmeros desportos e actividades para nos entreter.
Como teatro, no Delacorte, ao ar livre, que recebe anualmente pelo Verão a produção “Shakespeare in the Park”.
E música, com aqueles concertos que nos habituámos a ver com o público a prolongar-se por kms e kms.
É também palco para a instalação de várias obras de arte. Como foi o caso, em Fevereiro último, da criação dos artistas Christo e Jeanne-Claude, conhecidos por embrulhar diversos edifícios (como o Reichstag, em Berlim, e a Ponte Neuf, em Paris) ou até mesmo ilhas. No Central Park, com o seu projecto "The Gates" optaram por desfraldar 7,5 mil bandeiras de tom açafrão por cerca de 36 km. A opção do mês de Fevereiro para realizar a instalação deveu-se ao facto, segundo os autores, de este ser o único mês do ano em que as árvores se encontram nuinhas, sem as suas folhas, pelo que assim se poderia ver o colorido dos “portões” de longe.
Este Inverno, e por alguns dias, serviu então para dar outra cor e luz ao Parque, já que nessa época do ano o Central Park muda de cara. Os lagos ficam congelados e a neve que enche os seus caminhos possibilita que se esquie.

Quanto à minha experiência pelo Central Park, escolhi um domingo para aí passear, à semelhança do que fizeram muitos nova-iorquinos. Uns corriam, pedalavam – em 2, 3 ou 4 rodas –, patinavam – com ou sem stick de hockei na mão – ou, simplesmente, caminhavam. Outros, sentados ou deitados, apanhavam sol, vestidos ou em calções ou biquini. Havia quem preferisse relaxar na relva a ouvir a música tocada ao vivo por um daqueles artistas com viola a tira-colo que animam os domingueiros. Ambiente de 5 estrelas, pois então. Um dos aspectos que mais marcou foi ver pessoas – ao domingo – a praticarem o seu exercício em grupo ou sozinhos. Não há companhia no dia que alguém destinou dedicar à família? Não faz mal, o que importa é aproveitar os raios de sol no parque mais carismático do mundo.

O Top Pessoal de Nova Iorque

Pretendia estabelecer um género de top-10 das coisas que mais me marcaram em Nova Iorque, mas como só 10 não chega para abarcar tudo vou tentar elencar os meus ++, sem qualquer intenção de graduação.

terça-feira, setembro 27, 2005

De quem são os bairros em Manhattan


Uma das características de Nova Iorque, em especial Manhattan, é o facto de aqui existir espaço para todas as pessoas e culturas. Brancos, pretos, mulatos, amarelos e queimados da praia. De todos os credos e sem credo. Ricos, remediados e pobres. Trabalhadores e desocupados. Bem vestidos, mal vestidos, com grande predominância para o casual.
Não sei se deste caldeirão sairá um bom cozinhado, tenho esperança e desejo que sim. Todavia, acredito que existam problemas sociais graves, mas o facto é que para um viajante de fora sabe bem sentir-se confortável no meio de uma multidão de diferentes coloridos.
O Lower Manhattan é dos yuppies, dos homens de negócios.
Um pouco acima é território de chineses, italianos, judeus, ucranianos (com a Chinatown com um crescimento imparável sobre os vizinhos).
Tribeca, Soho e Village (East e West), antigo berço da contracultura e da geração beat, segue com um carisma muito próprio, com bares e restaurantes (étnicos) sempre em alta.
Chelsea é dos galeristas de arte, em fuga da subida das rendas no Soho.
Midtown é dos turistas em compras pela 5.ª Avenida, em visita a alguns dos edifícios mais emblemáticos da ilha, enchendo a Times Square com ainda mais cor após o final dos espectáculos da Broadway.
Os Upper East e West Sides, com o Central Park a dividi-los, são lugares onde vivem os nova-iorquinos de mais posses – diz-se que os do East são mais conservadores e têm mais dólares e os do West são mais liberais e têm mais queda para as artes.
O Central Park é dos desportistas (praticamente qualquer desporto tem aqui lugar) e daqueles que gostam de passear sem as montras como obsessão.
Depois, bem, depois vem logo o Harlem, o mítico “neighborhood” a dois passos do Central Park. Este ainda é o lugar do gospel, do Apollo Theater e de grande maioria negra.
Os latinos, esses, estão por todo o lado. Daí que qualquer pessoa que não saiba falar inglês se oriente por aqui às mil maravilhas (sem ponta de exagero) se falar espanhol.

Em conclusão, um pouco de estatística acerca desta diversidade:
Dos 8 milhões de habitantes (nos 5 grandes bairros de NY – Manhattan, Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island), 62% são brancos, 16% pretos, 15% latinos e 5,5% asiáticos. Estima-se que uns 32% da população nova-iorquina tenha nascido fora dos EUA.

sexta-feira, setembro 02, 2005

O Rio de Janeiro continua (sempre) lindo

Não parece, mas é.
Depois de 10 meses de blogue, pela 1.ª vez se fez menção à cidade mais linda do mundo: o RIO DE JANEIRO (com o pôr do sol do seu Arpex).
O problema é que tinha receio de começar a escrever um pouco sobre o assunto e nunca mais parar com tantos elogios.
Quem sabe se aguento mais um pouco até fazer um ano de blogue para comemorar com algumas notas da minha (e da minha mana) cidade favorita...

O Sol

Após uma breve temporada a sair de casa às 7:00 da manhã para ir trabalhar, retirei algo de positivo desta experiência madrugadora.
Poder assistir a parte do nascer do sol é enriquecedor e, sei-o agora, ajuda a encarar de uma forma mais bem disposta uma jornada de trabalho. Com a sorte que temos tido com este Verão de céu sempre claro, então, o sol a querer irromper torna-se ainda mais bonito.
Se do nosso Rio Tejo esperamos coisas lindas, sendo o sol a nascer daí apenas uma das maravilhas que dele podemos retirar, da zona de Odivelas e Santo António dos Cavaleiros pouca coisa se pode esperar em termos de enquadramento paisagístico. Essa foi a descoberta: saindo do Túnel do Grilo em direcção a estas localidades com o sol a querer nascer lá para aquelas bandas, bem cedinho pela manhã, faz-nos acreditar que aquela confusão de prédios até pode ser interessante se, por exemplo, nos seus vidros visualizarmos o espelho do sol.
Não há fotos, pois trabalho é trabalho e conhaque é conhaque, mas, após umas manhãs de recuperação do sono, quem sabe não volto a sair de madrugada para ir assistir ao nascer do sol completo? Talvez de um dos montes de Unhos ou Santa Iria da Azóia, para nos provar que cada zona tem as suas vantagens e encantos.

Para se assistir a um pôr do sol não precisamos de massacrar o nosso corpinho, interrompendo abruptamente o seu sono. Daí que seja mais fácil dele obter fotos, como esta da “geral” do Arpoador – por muitos considerado, sem medo de errar ou andar longe da verdade, o melhor pôr do sol do mundo.

Ou esta, da “bela” Quarteira, reforçando a supremacia da beleza da natureza, vencendo mesmo naqueles lugares em que o Homem fez questão de deixar a sua marca negativa.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Barrocal Algarvio

O Algarve tem três áreas distintas em termos geográficos. O litoral, o barrocal e a serra. Este post é uma deambulação pelo barrocal algarvio, a área de transição entre o litoral e a serra do Caldeirão.
Esta área, conjuntamente com a serrana, em determinados momentos, dá a sensação que parou no tempo. Se para as gentes locais isso nem sempre é positivo, para os forasteiros é interessante, na medida em que podem observar e sentir uma paisagem próxima da original.
É um pouco indiferente por onde se começa o percurso. O importante mesmo é começar.
Então vamos lá. Paderne é a primeira paragem. Passando a povoação propriamente dita, uns kms mais à frente e depois de algum pó chega-se às ruínas do castelo (classificado como imóvel de interesse público). O castelo, construído em taipa, fica num cabeço rodeado por uma vegetação mediterrânica (oliveiras, figueiras e alfarrobeiras) e pela ribeira da Quarteira - que nem sempre corre devido ao regime de chuvas irregular – sobre a qual passa uma ponte arcaica. Pode-se explorar a área envolvente ao castelo através dos diversos percursos pedestres existentes.
Actualmente o castelo encontra-se num estado muito degradado mas estão a decorrer obras no sentido de melhorar a situação. Apesar disso justifica-se uma visita pois o castelo de Paderne, devido à importância que teve na Conquista, é um dos sete castelos que figuram na bandeira nacional.


O ponto seguinte é Alte, em tempos considerada a aldeia mais algarvia do Algarve. Encanta o emaranhado de ruelas estreitas e o casario tradicional.


Para além de um deambular pelas ruazinhas, merece visita a Fonte Grande e a Fonte Pequena, onde se homenageia o poeta Cândido Guerreiro.


Outra atracção, ao que parece, pois não tive a felicidade de comprovar devido ao inverno seco deste ano, é a queda de água do Pego do Vigário.
Salir é a paragem seguinte. Diz a lenda que quando atacados por D. Paio Peres Correia, os mouros que defendiam a muralha começaram a gritar “Salir! Salir!”, o que em português arcaico significava sair. Ficou o toponímo, assim como alguns vestígios do castelo mouro. Mas o encanto da povoação vem sobretudo da harmonia do conjunto urbano composto pela arquitectura tradicional.


Continuando o périplo encontramos no topo de um monte a aldeia de Querença. Lá bem no alto fica a bela igreja matriz e pela encosta abaixo encontra-se o casario pitoresco.


Nas imediações fica a Fonte da Benémola, uma zona do barrocal algarvio praticamente intacta. Este sítio classificado desenvolve-se ao longo da ribeira de Benémola e caracteriza-se pela paisagem rica e original do barrocal algarvio, que inclui salgueiros e freixos. Lugar muito bonito e agradável para percorrer a pé.


Um pouco fora desta rota mas inserido na área em referência encontra-se o Cerro de S. Miguel. Do alto deste monte com 410 m avista-se uma parte significativa do Algarve. Em frente Olhão e a ilha do Farol. Para oeste a ilha de Faro. Para este a ilha da Armona e ao fundo Tavira e a sua ilha. A noroeste Loulé. Uma vista algarvia tão boa e abrangente como esta só mesmo a que se tem de Fóia, o ponto mais alto do Algarve (902 m), no barlavento algarvio.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Estói Bonita

Fugindo ao Algarve clássico, da praia, estâncias turísticas, encontra-se Estói, uma vila histórica que pertence ao concelho de Faro.
Embora seja uma pequena localidade merece uma visita pois tem dois pontos de grande interesse, as ruínas romanas de Milreu e o Palácio de Estói.
Milreu, classificada como Monumento Nacional, foi uma villa romana (século I/IV d.C.). Era conhecida como Ossonoba pelos romanos entre os séculos II e VI d.C. e foi o antecedente do que hoje é Faro.
Actualmente na estação arqueológica sobressai um antigo templo dedicado a divindades aquáticas datado do século IV d.C., algumas colunas de mármore, tanques decorados com mosaicos com peixes, desenhos geométricos, termas.

Colunas e Templo dedicado às divindades aquáticas ao fundo

Mosaicos com peixes

Mosaicos com desenhos geométricos

Pensa-se que, depois de diversos usos, na primeira metade do século X as abóbadas ruíram e Milreu foi abandonada. Porém, no século XVI, foi erguida uma casa sobre as ruínas abandonadas. Actualmente, essa casa, que é um exemplar arquitectónico daquela época, apresenta no seu interior, ao nível do subsolo, vestígios da antiga ocupação romana.


O Palácio de Estói, também classificado (Imóvel de Interesse Público), foi construído no século XVIII e combina os estilos neorococó, neoclássico e arte nova.
O acesso ao recinto faz-se por um portão de ferro forjado, ao qual se segue uma avenida ladeada por árvores. O primeiro conjunto de edifícios que se encontra são os estábulos, que estão abandonados. Continuando chega-se ao palácio.


Porém, actualmente não é possível visitar o seu interior, uma vez que depois de um período votado ao abandono, está-se a iniciar um processo de restauro com o objectivo de o transformar numa Pousada de Portugal (Enatur).
Ainda assim a visita é mais do que justificada pelo magnífico exterior do palácio, assim como pelos encantadores jardins, ao gosto italiano, com mosaicos decorativos, fontes, esculturas, estatuária com bustos de diversos poetas, Reis e outras figuras importantes da História portuguesa.




No exterior do palácio é possível ainda observar diversos painéis de azulejos azuis e brancos do século XIX com composições de decorações florais e cenas da mitologia clássica.

terça-feira, julho 19, 2005

O Paraíso Na Outra Esquina

Pensava que ter um areal praticamente só para mim em pleno Verão era quase impossível. Mas não, o paraíso existe! E fica bem próximo do que, na época estival, é um inferno.
Digo apenas o nome. Ilha da Barreta.
O resto descubram. Deixo apenas uma amostra.

Onde ponho a toalha?

Visibilidade máxima

Fauna local

Paraíso versus Inferno

domingo, junho 05, 2005

5.º Dia Em Paris

No último dia em Paris, a manhã foi dedicada ao imenso Museu do Louvre. Como já se sabia que era impossível ver tudo – há mesmo quem afirme que seriam necessários 9 meses para ver cada obra de arte aqui presente – a opção tomada foi escolher apenas algumas áreas que suscitassem mais interesse. No caso, as pinturas, deixando para uma visita a correr a parte dedicada às esculturas e objectos de arte de várias civilizações ali guardadas.
O ponto alto para qualquer turista que se preze é a Gioconda, ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. No entanto, só os mais capazes ou expeditos a conseguem vislumbrar, tal é o mar de gente entre nós e a parede em que o famoso quadro está exposto. A ala do museu onde está este quadro mais parece uma estação de comboios em hora de ponta, com cidadãos apressados em chegar ao seu destino, sentados em qualquer lado, inclusivamente no chão se necessário fôr, à espera de cumprir o seu objectivo – abalroar o do lado para chegar primeiro. O resto do Museu até que se consegue ver em sossego, com algumas salas vazias para os padrões parisienses.

A entrada principal no Louvre é efectuada pela Grande Pirâmide, estrutura em vidro construída na década de 80 que, obviamente, gerou controvérsia. A sempre presente questão da introdução de elementos ditos modernos e, para alguns, dissonantes, em edifícios considerados intocáveis na história arquitectónica de um povo. Para mim, que não o conheci de outra forma, parece-me uma solução pacífica e bem conseguida.
Finda a jornada, o que retenho mais da cidade em que tinha estado por duas vezes no princípio e no fim dos anos 80, é a de uma cidade pejada de turistas, mas vivida pelos seus próprios habitantes. É um prazer ver a quantidade de pessoas, jovens ou não, sentadas às margens do Sena, de dia ou de noite, a ler um livro, pintar, conversar, cantar, conviver, o que seja. As esplanadas cheias. Os jardins como locais para se estar, inclusivé a “piquenicar”. Enfim, uma cidade que convive lindamente com os seus edifícios bem conservados e com o imenso espaço público que oferece.

sexta-feira, junho 03, 2005

4.º Dia Em Paris

La Défense.
Em Paris, mas não no centro, finalmente um lugar onde não existem montanhas de turistas. La Défense é o local onde se encontram concentrados os arranha-céus de Paris. É como que um bairro criado de propósito para os acolher, criado no fim da década de 50, como palco para desenvolver ambiciosos projectos de engenharia civil. Os edifícios aqui situados contemplam habitação, escritórios, comércio, e o espaço público procura servi-los. E funciona como um jardim de arte contemporânea, onde se vão encontrando peças de escultura, murais e lagos que se pretendem monumentais. Gostei muito. Noutra escala, fez-me lembrar o Parque das Nações, do qual sou igualmente fã.

O edifício mais reconhecido em La Défense é o denominado Grande Arche de la Défense. Está implantado de forma a que represente uma continuação em linha recta dos Champs-Élysées, Arco do Triunfo e da Av. Charles de Gaulle até desembocar na Esplanade de la Défense. Esta obra, do arquitecto dinamarquês Johan-Otto von Spreckelsen e inaugurada em 1989, pretende simbolizar uma janela aberta ao mundo.
De volta ao centro de Paris, para a subida à Torre Eiffel, o reencontro com as multidões. Para a subida pelo elevador, filas e, consequentemente, esperas intermináveis. A opção recaíu pelas escadas, à la pata. É um daqueles postais que se tem mesmo de “comprar”, ou não estivesse a Torre Eiffel ali sempre à espreita em qualquer canto de Paris.
Depois do almoço, a primeira oportunidade da viagem para sentar e relaxar um pouquinho. Parece de facto imperdoável que numa cidade como Paris, dita a mais romântica, com o Sena, com as suas esplanadas, com os seus jardins, não se guarde tempo para, simplesmente, se estar. Pois é, antes tarde do que nunca, a escolha foi o Jardin des Tuileries. Com o calor abrasador, cerca de 28 graus, na hora da sesta e com aquelas cadeirinhas reclinadas no meio do jardim... o resultado só podia mesmo ser uma soneca.
Depois da dita, atravessa-se o Sena a fim de visitar o Museu D´Orsay, instalado numa antiga estação de comboios, brilhantemente adaptada para receber as obras – pinturas, esculturas e outros objectos de arte – criadas entre 1840 e 1914.
No retorno à margem direita do Sena, tempo ainda para assistir ao começo do pôr do sol visto atráves da Pirâmide do Louvre. Amanhã será o último dia em Paris, ou melhor a última manhã, dedicada em exclusivo a este museu.

3.º Dia Em Paris

Até aqui já deu para ficar com duas impressões, negativas, da cidade.
Uma inesperada: o trânsito louco, não no sentido de longos engarrafamentos (continuo sem saber se existem), mas antes do fraco respeito pelos peões. Confesso que esperava outra atitude por parte dos automobilistas franceses que não a de pura e simplesmente ignorarem e desviarem, in-extremis, das pessoas quando estas já estão na passadeira. Conclusão: em Itália já sabia que era mau, em Portugal fiquei a saber que não é assim tão mau. Dúvida: afinal os franceses não eram os maiores em termos de civismo?
A impressão negativa mas esperada é, obviamente, a quantidade de turistas que se encontram em Paris, principalmente hordas de americanos à procura do tal berço do civismo e cultura.
Daqui decorre que os museus tenham de ser vistos aos encontrões aos colegas de turismo, com súplicas para que se desviem um pouquinho das obras que pretendemos observar em privacidade – eu e Picasso, mais ninguém.
Antes, porém, a manhã havia sido passada nas ilhas, nomeadamente na Ile De La Cité, onde se encontram as imperdíveis Ste-Chapelle e a Catedral de Notre Dame.
A Ste Chapelle, considerada uma obra-prima da arquitectura ocidental, com imensos vitrais coloridos que em dias de sol permitem que os raios penetrem incrivelmente no seu interior, não tinha assim tanta gente que impossibilitasse aos visitantes sentar e contemplá-la. Talvez por o seu acesso ter de ser feito através da entrada no Palácio da Justiça e isso possa afugentar algumas alminhas.
Pelo contrário, uma visita à Notre Dame não permite aos crentes, ou não crentes, qualquer espécie de reflexão espiritual, tal é o corrupio de gente à volta. Para a subida às suas torres (a pé, por uma série de degraus) foi necessária uma espera de cerca de uma hora. Deu para tudo, inclusivamente para saber que 2 australianas se encontram num passeio pela Europa durante 8 meses e uma das próximas paragens será Portugal. Nada mau. Mas como é que fazem com as roupas? E os recuerdos que vão comprando? E as saudades? Mas que complicação!
A vista das torres da Notre Dame vale bem a espera e o desgaste físico. Ainda que não se vislumbre grande beleza natural, é verdadeiramente impressionante a imagem de pássaro com que se fica dos grandes boulevards que desde séculos foram sendo abertos pela cidade.
Da vista impera, tal como já acontecia da Sacré Couer e se verá mais tarde da Torre Eiffel, para além destes dois, o omnipresente Rio Sena – elmento natural que vai recortando a paisagem –, o Centro Pompidou – destaque colorido da paisagem –, os arranha-céus de La Defense e, por último e desta vez o pior, a torre erigida nos anos 70 em Montparnasse para competir em altura com a de Eiffel.

Depois de uma saborosa refeição de escargots, segue-se para o Quartier Latin, com um ambiente universitário, ou não estivesse aí localizada a Sorbonne, povoado de cafés, restaurantes, livrarias. Vida, muita vida, tal como verei mais tarde em Marais.
Ainda naquele bairro, o Instituto do Mundo Arábe procura aproximar o mundo islâmico do mundo ocidental, promovendo a cultura do primeiro. Numa visita breve, como foi o caso, o que fica na memória, porém, é a arquitectura do edifício, obra de Jean Nouvel, nomeadamente as suas paredes de vidro criadas sob um tal efeito que nos dá a imagem das janelas arabescas.
Para terminar o dia, uma ida ao Centro Pompidou, um mundo da cultura de arte moderna. Infeliz ou felizmente, um dos pisos do museu estava fechado. A fadiga talvez não suportasse tanta informação. Mas ainda permitiu concluir o sucesso do Centro junto dos cidadãos, quer pela vasta oferta cultural dentro das suas portas, quer pelo ambiente que se vivia ao seu redor, com músicos e animação de rua, grupos de amigos ou, simplesmente, pessoas sozinhas a relaxar face ao colorido dos tubos do Pompidou.

2.º Dia Em Paris

Depois do primeiro dia sempre a andar, com uma pausa ao final da tarde e noite para pedalar, até que as pernas no segundo dia estavam relativamente seguras. Normalmente estas coisas pagam-se a partir do terceiro dia.
De Pigalle até à Sacré Couer não é uma distância grande, a questão é que é sempre a subir. Montmartre, bairro boémio que nos finais do Século XIX e princípios do Século XX atraia um sem número de escritores, poetas e artistas, entre os quais Picasso, perdeu entretanto esse estatuto de loucura nocturna, de cabarés e bordéis. Neste Butte vive-se hoje um ambiente mais pacato, com ruas estreitas de casas bem conservadas (uma constante na grande Paris) e praças a marcar a subida. A principal é a Place du Tertre, com esplanadas e quase que com um retratista e pintor para cada turista. Aqui pertinho fica o Espaço Salvador Dali, com algumas esculturas do mestre do surrealismo, bem como ilustrações que fez para algumas obras literárias. Ah! Aqui pode também observar-se o estranho mas famoso sofá em forma de lábios, de sua criação.

O difícil em Paris é fazer-se uma triagem dos inúmeros museus e espaços culturais a visitar.
Dois passos mais e chega-se enfim à Sacré Couer, uma das vistas mais bonitas de Paris. Pena é o ambiente de Igreja de Nossa Senhora do Bonfim, com dezenas de rapazes a tentar impingir aos turistas uns fios que, sinceramente, não sei o significado, pois consegui escapar bravamente às suas insistências.
Para a tarde, e depois da passagem pela zona des Invalides e visita ao Museu Rodin, uma ida a Roland Garros. Afinal, Maio é o mês do maior torneio do mundo em terra batida, o mais importante Grand Slam do Ténis, a par de Wimbledon (para mais informação sobre esta matéria sugere-se uma visita ao blogue das lamentações desportivas).

quinta-feira, junho 02, 2005

Paris Em 5 Jours

Gosto de viajar.
Em muitos países não é estranho que uma pessoa trabalhe durante um período com o objectivo exclusivo de amealhar o dinheito suficiente para viajar durante uns tempos.
Nunca o fiz, duvido que isso fosse bem visto pela minha mãezinha e duvido mais ainda que conseguisse arranjar com tanta facilidade assim uns trabalhos flexíveis e moderadamente remunerados que permitissem essa forma de vida. Mas, mais do que tudo, não tenho esse objectivo. O meu objectivo era mesmo viajar quando me dessem ganas para isso, sem depender de dinheiros ou trabalhos.
Vem esta conversa a propósito de que, não tendo ainda conseguido os meus intentos, dou-me por contente de ter apenas 5 dias para visitar uma cidade.
No caso, Paris.
O 1.º Dia:
O local de poiso escolhido foi Pigalle, reputado antro de indecência, com cabarets, live-sex-shows, sex-shops e, mesmo ao lado do hotel, um sexodrômo. Pelos vistos, a Paris da folie já não é o que era, pois o que se vê na rua nessa zona são apenas os bandos de turistas à porta do Moulin Rouge a tirar fotos sem parar, manas incluídas, como é óbvio.
Dadas as limitações de tempo, o programa de festas é andar de manhã à noite a pé, na tentativa de se conhecer o mais possível dos recantos e encantos da cidade. Assim, e para condicionar fisicamente logo o resto da jornada, no primeiro dia foram feitos a pé os quilómetros necessários para se ir de Montmartre até à Torre Eiffel, passando pelas inevitáveis Galerias Lafayette e pela Praça Vendóme, onde nos juntamos aos japoneses com os olhos em bico pela profusão de marcas de alta costura. Estão todas aqui, bem como na Avenida Montaigne. Depois, seguiu-se pelos Champs Élysées acima. Descubro que à Cartier prefiro os relógios com a marca da Quiksilver. A propósito, porque é que Paris, que não tem mar, tem uma loja da melhor marca de acessórios de surf e Lisboa não? Adiante, outra irreflexão: prestes a chegar ao Arco do Triunfo, um caramelo pavoneia-se com a camisola do Benfica. Caramba! Eu que me tinha pirado de Portugal para não ter que aturar estes tipos. Mas, pensando bem, quem me mandou escolher a cidade fora de Portugal com mais portugueses?
Para acabar a tarde, a escolha recaiu num passeio de bicicleta pelos boulevards, avenidas, ruas e praças de Paris que terminaria com um passeio de barco nocturno pelo Sena. Em duas rodas, num só passeio, uma visão geral da cidade, a ser descoberta mais aprofundadamente nos próximos dias.

sexta-feira, maio 20, 2005

Pelo Rio Trancão Acima

Fala-se em rio Trancão. O que se pensa? Boa coisa não é, certo? Ocorre-nos logo os odores que dali vêm. O alto grau de poluição das suas águas, que leva a dizer, meio a brincar meio a sério, que ali nem as bactérias sobrevivem. Pois... Infelizmente tudo isto é verdade.
No entanto, em tempo idos, o Trancão, que é um afluente do Tejo, era navegável e constituia uma importante via de comunicação para as pessoas da zona saloia e para o transporte dos produtos hortícolas que vinham desta zona historicamente agrícola. Porém, após o Terramoto de 1755 iniciou-se um processo de assoreamento do rio que veio impedir a navegabilidade.
Mais tarde, já em meados do século XX, outra catástrofe, esta humana, abateu-se sobre o rio. As fábricas existentes nas suas margens foram efectuando descargas poluentes tornando o rio, naquilo que hoje é, altamente poluído. Contudo, tem vindo a ocorrer um processo de despoluição e de regeneração do rio.
Apesar de todas estas vicissitudes, às quais entretanto se juntaram outras, nomeadamente o desordenamento urbanístico, por incrível que pareça, há ainda troços do rio que têm uma beleza ímpar.
É a descoberta, em bicicleta, dessa beleza que o andessemparar propõe. O ponto de partida é o Parque das Nações, que se situa na margem direita do estuário do Tejo, onde o rio Trancão desagua.
Seguindo em direcção a Norte, depois de se passar a magnífica Ponte Vasco da Gama, chega-se ao Parque Tejo, onde se encontra a foz do rio Trancão.

Segue-se para o interior, até Sacavém, onde se atravessa a ponte (em direcção à Bobadela) sobre o rio Trancão. Logo de seguida corta-se à esquerda para as instalações da Salvador Caetano, percorrendo o seu parque de estacionamento até uma zona de terra batida. Passa-se por baixo do viaduto da A1 e depois não tem engano, é sempre em frente. Siga, vamos subir o rio e descobrir as suas margens!
Entra-se no vale, do lado direito encontra-se São João da Talha e Bobadela e do esquerdo Unhos. As margens são muito bonitas embora no cimo das vertentes existam péssimos exemplos de urbanismo.

Passa-se por um antiga fábrica.
Logo a seguir encontram-se algumas terras cultivadas.
Cavalos...

E estamos na Área Metropolitana de Lisboa. Quem diria?

Findo o vale entra-se na zona da várzea. Observando a envolvente deparamo-nos com uma paisagem mista, que reflecte a dicotomia rural/urbano. Onde estamos? No meio urbano ou no rural? Ao longe avista-se, de um lado, a "selva de pedra" de Sto António dos Cavaleiros, e do outro, Vialonga. No entanto, logo ali estão os campos cultivados das freguesias de São Julião do Tojal (onde fica o Mercado Abastecedor da Região de Lisboa) e de Santo Antão do Tojal.

Rural/Urbano
Aqui, o rio Trancão segue em direcção a São Julião do Tojal e nós cortamos à esquerda, passando pela ponte recentemente alcatroada, em direcção a Santo Antão do Tojal. Tanto de um lado como de outro surgem campos cultivados.

Feitos uns quilómetros em alcatrão por povoações com um cariz rural, chega-se a Santo Antão do Tojal.
Aqui o forte é o património arquitectónico.
O Palácio da Mitra, barroco do século XVIII, e os seus jardins.

Outro palácio, também barroco, cuja fachada principal constitui uma fonte monumental.

A Igreja matriz.
A fachada da igreja possui estátuas de mármore importadas de Génova.

O Aqueduto que abastecia de água os palácios e a povoação.

O conjunto destes elementos está classificados como Imóvel de Interesse Público.
Depois do disfrute cultural segue-se novamente para a zona da várzea, agora de Frielas, com os seus campos cultivados. Do lado direito observa-se uma futura catedral do consumo do Grupo Sonae. Quem é que aprovou este projecto?
Depois de atravessar a ponte corta-se à esquerda em direcção a Unhos.
Unhos...
Acabou-se a beleza e começa a péssima obra humana. Clandestinos, desordenamento urbanístico, falta de planeamento.

A partir daqui é alcatrão. Sobe-se, sobe-se... muda de carreto... toca a pedalar com mais vigor... levantar o rabo do selim... ufff, conseguimos! Chega-se à estrada que liga Unhos a Sacavém. Depois da subida agora é a vez da descida. 40 km...43 km...49km... 50 km de velocidade. Rapidamente se chega a Sacavém e se toma a direcção do Parque das Nações, o ponto de partida e de chegada. Ao todo, o percurso é de cerca de 30 km, que nos permitem observar a diversidade do concelho de Loures.

Fonte: CMLoures
Carta Hipsométrica do Concelho de Loures com o Percurso efectuado